Por Daniel Rocha
Na avenida mais movimentada da cidade existe uma pequena relíquia silenciosa da antiga Teixeira de Freitas. Na esquina da Avenida Brasil com a margem da Avenida Getúlio Vargas,no bairro Novo Horizonte, um velho toco de madeira permanece há décadas exatamente no mesmo lugar, atravessando gerações e resistindo ao avanço do tempo e da urbanização.
Segundo os moradores mais antigos daquela região da avenida, o toco está ali há mais de cinqueta anos, desde os tempos mais remotos do antigo povoado’.

Uma madeira de lei, que carrega marcas de uma época em que a cidade ainda vivia intensamente o ciclo da madeira, período em que grandes troncos e pedaços de árvores nobres eram comuns nas ruas, servindo de apoio, descanso e ponto de encontro para moradores e viajantes.
Muito além de um simples pedaço de madeira esquecido na calçada, o velho toco guarda memórias afetivas da cidade. Em um tempo sem o ritmo acelerado dos dias atuais, moradores costumavam sentar-se ali para observar o movimento dos carros, conversar ao final da tarde ou apenas descansar durante o caminho.
Este que vos escreve, ainda morador do bairro Recanto do Lago, recorda-se que, ainda criança, há cerca de trinta anos, costumava parar naquele mesmo toco ao voltar a pé do centro da cidade ou da banca de revistas.

Era ali que, por alguns minutos, sentava-se para descansar e folhear os gibis recém-comprados, exatamente no mesmo lugar onde o velho tronco continua firme até hoje.
Por fim,enquanto prédios surgem, ruas mudam e antigas paisagens desaparecem, o velho persegue resistindo em silêncio, como um pequeno monumento popular da memória urbana de Teixeira de Freitas. Uma lembrança simples de que algumas histórias permanecem vivas justamente porque se recusam a desaparecer.
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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Fonte: conversa informal com Roselene Neves.
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