Por Daniel Rocha
Em novembro de 1996, Teixeira de Freitas viveu um dos acontecimentos mais marcantes de sua história recente: a inauguração do Teixeira Mall Center, o primeiro shopping center da cidade.
Considerado um dos empreendimentos privados mais aguardados da época, o novo centro comercial simbolizava o crescimento econômico do município e a consolidação de Teixeira de Freitas como polo regional de comércio e serviços.
O shopping foi erguido no bairro Alagoas, conhecido popularmente como Lagoa, em uma área que, anos antes, era ocupada por uma lagoa natural e por vegetação típica de terrenos alagadiços. Durante décadas, aquele espaço funcionou como ponto de escoamento das águas das chuvas provenientes das partes mais altas do centro da cidade.

A construção do empreendimento foi acompanhada por intervenções urbanas, incluindo a implantação de um novo sistema de drenagem pluvial e melhorias na infraestrutura da região central. Aos poucos, a antiga paisagem formada por vegetação, brejos, entulhos e resíduos deu lugar ao canteiro de obras que transformaria completamente o cenário local.
A expectativa era grande. Meses antes da inauguração, outdoors espalhados pela cidade anunciavam que “valia a pena esperar”. O empreendimento era apresentado como a grande novidade para o Natal de 1996, prometendo reunir lojas, serviços e lazer em um único espaço, algo inédito para a população de Teixeira de Freitas e de todo o Extremo Sul da Bahia. Além disso, alimentava a expectativa pela geração de empregos, um dos principais argumentos utilizados na divulgação do projeto.
Contudo, segundo relatos de comerciantes que viveram aquele período, pouco tempo após a inauguração, a construtora de Salvador responsável pelo empreendimento enfrentou uma grave crise financeira e acabou decretando falência.

A situação deixou diversos compromissos pendentes e gerou prejuízos para lojistas, investidores e empresas contratadas. Entre os relatos da época está o de que a construtora deixou de honrar cerca de 30 exibições de cartazes em outdoors contratadas para divulgar o empreendimento, fato que contribuiu para a percepção de que a empresa “deu um cano” em diversos credores.
Mesmo diante desse cenário, o shopping seguiu em funcionamento. Sua continuidade foi garantida, em grande parte, pela persistência e pela confiança dos próprios lojistas, que permaneceram investindo no empreendimento. O centro comercial, entretanto, foi inaugurado com apenas parte do projeto originalmente previsto.
A praça com chafariz e um novo prédio previstos no projeto original — área que, anos mais tarde, seria transformada em estacionamento — não chegaram a ser concluídos para a inauguração. Assim, um empreendimento cercado de expectativas acabou tendo sua estreia marcada por obras inacabadas e por acontecimentos que frustraram parte dos planos iniciais.
(Continua na próxima postagem.)
*Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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Fontes: Relatos Orais.
Todas estas épocas eu recordo. Participei de vários eventos em Teixeira de Freitas eu me lembro do chopp Teixeira Mool e também do Colégio Angelo Magalhães eu trabalhei lá.