Por Daniel Rocha
Muito antes de o Centro de Abastecimento Municipal Timóteo Alves de Brito, o famoso Mercadão, ser inaugurado em 1988, Teixeira de Freitas já tinha seu grande centro comercial: a feira livre da “Pauzoeira”, que, segundo as memórias e relatos sobre aquele período, existiu entre a década de 1970 e o final da década de 1980.
E o nome não era por acaso. A feira era marcada por inúmeras barracas feitas de paus e estruturas simples de madeira, muitas delas sem cobertura. Era comércio, convivência e, como mostram as memórias de quem viveu aquele tempo, um verdadeiro espetáculo de cenas que hoje poderiam até parecer roteiro de comédia.

Uma delas envolvia os cachorros. Quem chegasse à “Pauzoeira” naquela época provavelmente encontraria muitos cães circulando livremente entre as barracas. E eles não estavam ali exatamente para fazer compras.
A explicação estava no cardápio da própria feira. A “Pauzoeira” tinha forte comércio de carnes. Segundo relatos de antigos frequentadores, partes maiores dos animais chegavam ainda com o couro para serem limpas e preparadas no local.
Galinhas, porcos e peixes também faziam parte desse comércio e, em alguns casos, eram limpos e abatidos no local para venda.
Agora imagine a cena: barracas cheias, vendedor chamando freguês, comprador negociando preço, cheiro de carne no ar e os cachorros fazendo a ronda para descobrir onde poderia aparecer o próximo “lanche grátis”.

Para os frequentadores da época, aquilo era simplesmente uma rotina. Hoje, olhando para trás, a cena pode até arrancar um sorriso. Mas ela também revela como era diferente o comércio de alimentos naquela época: muito mais rudimentar, improvisado no espaço da feira.
A “Pauzoeira” tinha seus problemas, seus cheiros, seus improvisos que o poder público não conseguia controlar fora de paredes e cobertura que tentava construir. Para além disso, também, tinha diariamente uma turma sempre presente de quatro patas pronta para abocanhar o movimento.
No fim das contas, quem frequentava a feira livre talvez não soubesse, mas os cachorros já tinham entendido uma coisa: onde tem feira, sempre existe alguma coisa para comer.
E essa é apenas uma das histórias curiosas que ainda sobrevivem na memória da antiga “Pauzoeira”. (Continua na próxima postagem.)
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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