Por Daniel Rocha

Nem sempre uma grande transformação começa com um prédio novo, um hospital maior ou mais equipamentos. Às vezes, ela começa com uma mudança na maneira de pensar. E foi justamente isso que começou a acontecer em Teixeira de Freitas, em 1997.

No primeiro ano do mandato do prefeito Wagner Mendonça (1997–2000), a forma de construir e discutir a saúde da cidade iniciava uma nova era, representando uma nova maneira de pensar a oferta de saúde pública e o cuidado com a população.

Foi um momento em que a cidade começou a deixar para trás um modelo hospitalocêntrico, voltado principalmente para o tratamento das doenças, para construir uma rede baseada na prevenção, no acompanhamento das famílias e na participação da comunidade nas decisões sobre as escolhas e os investimentos na área da saúde.

Com a municipalização da saúde, em 1997, o município assumiu o controle de recursos e de órgãos que antes estavam sob responsabilidade do Estado, como o Hospital Regional, que passou à administração municipal. Com isso, a gestão local passou a administrar recursos, organizar serviços e tomar decisões mais próximas da realidade dos moradores. O objetivo era construir uma saúde mais acessível, democrática e eficiente.

Foi com essa visão e proposta que o prefeito e médico Wagner Mendonça assumiu a Prefeitura de Teixeira de Freitas, colocando à frente da Secretaria Municipal de Saúde uma importante aliada nessa missão: sua esposa, a médica Dra. Vera, secretária de Saúde.

Teixeria de Freitas

Como secretária de Saúde, ela ficou responsável por conduzir o processo de reorganização da rede municipal e pela implantação da atenção básica no município. Porém, como dito, a proposta da nova gestão não era apenas ampliar os serviços, mas mudar a forma de pensar a saúde pública.

Tratava-se também de aproximar o município das diretrizes do SUS, fortalecendo princípios como a descentralização, a participação popular, a universalidade do atendimento, a integralidade da assistência e a igualdade no acesso aos serviços.

Atenta ao princípio da participação popular, antes de colocar as mudanças em prática, a administração municipal decidiu abrir espaço para ouvir a sociedade, representantes da sociedade civil organizada, estudiosos da área e profissionais de saúde.

Foi nesse contexto que foi organizado o I Seminário de Saúde de Teixeira de Freitas, realizado nos dias 17 e 18 de outubro de 1997, no auditório do Instituto Francisco de Assis. O encontro seria o primeiro grande passo de uma nova fase da saúde pública no município.

(Continua no próximo texto da série)

Fontes:

DE PAULA, Margarete Inês Portela. Gestão de Saúde: aspectos conceituais e históricos. Revista Mosaicum, n. 9, p. 15–20, 2009.

SECRETARIA Municipal de Saúde de Teixeira de Freitas é referência no Extremo Sul. Jornal Extremo Sul, Teixeira de Freitas, 05 nov. 2011. Entrevista.

MUNICÍPIOS. Extremo Sul. I Seminário de Saúde de Teixeira de Freitas. A Tarde, Salvador, 30 out. 1997. Acervo: site Tirabanha.

Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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