Por Daniel Rocha
Quando se fala da antiga “Pauzoeira”, logo vêm à memória as bancas, os feirantes, os compradores, os magarefes e o intenso movimento que tomava conta do centro de Teixeira de Freitas.
Mas havia personagens que trabalhavam longe dos olhos do público e que também faziam parte daquela engrenagem: as lavadeiras, principalmente aquelas que moravam nos bairros próximos, como Teixeirinha e Wilson Brito, o então conhecido “Buraquinho”.
Segundo o feirante Ednaldo José, de 54 anos, a “Pauzoeira” reunia uma grande diversidade de comerciantes e trabalhadores. Entre eles estavam os magarefes, responsáveis pelo corte das carnes, que trabalhavam nas próprias bancas e mantinham uma relação próxima com os clientes.

Como já mencionado no primeiro texto desta série, as exigências sanitárias daquele período eram bem diferentes das atuais. Ainda assim, havia, por parte de alguns feirantes, cuidados adotados.
Alguns magarefes, profissional responsável pelo abate, desossa, esfola de animais,por exemplo, procuravam manter suas bancas e os materiais utilizados no comércio das carnes sempre limpos.
E era justamente aí que entravam as lavadeiras. Entre elas estava Dona Zulmira, moradora do “Buraquinho”, lembrada por trabalhar lavando os materiais utilizados pelos açougueiros da “Pauzoeira”.
Era um trabalho discreto, realizado longe dos olhos dos clientes, mas diretamente ligado ao funcionamento da feira. Enquanto os magarefes atendiam, cortavam as carnes e negociavam seus produtos, as lavadeiras cuidavam para que panos, lonas e outros materiais pudessem retornar às bancas devidamente limpos.
“Levava em um dia, trazia no outro, dobradinho e limpinho. Dava gosto de ver”, lembra o antigo feirante Ednaldo José.
Relato que revela uma “Pauzoeira” muito maior do que aquela que aparecia aos olhos de quem chegava para fazer compras.

A feira movimentava comerciantes e também uma rede de trabalhadores que dependia daquele comércio para sobreviver. E entre essas pessoas estavam essas mulheres lavadeiras que, embora pouco lembradas, desempenhavam uma função importante no cotidiano daquele espaço.
Mais do que uma curiosidade sobre o passado de Teixeira de Freitas, essa curiosa lembrança nos permite olhar para a antiga feira livre da “Pauzoeira” por outro ângulo.
A feira não era apenas um lugar de compra e venda. Era também um espaço de trabalho, sobrevivência e relações sociais, onde diferentes atividades se conectavam para fazer o comércio funcionar.
(Continua na próxima postagem.)
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato: WhatsApp (73) 99811-8769 | E-mail: samuithi@hotmail.com. Acesse nossa Comunidade no Facebook
O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes, ou convertido em áudio ou vídeo sem autorização expressa do autor.
Deixe um comentário