Por Daniel Rocha

Durante a greve da Polícia Militar da Bahia, em julho de 2001, a ausência do policiamento regular começou a produzir efeitos cada vez mais visíveis na vida cotidiana.

Em Salvador, bancos e estabelecimentos comerciais reduziram seus horários ou fecharam as portas. Os vigilantes também estavam paralisados. Com menos segurança nas ruas, o medo de assaltos, saques e outros episódios de violência aumentava a sensação de insegurança. A gravidade da situação foi registrada pelo jornal A Tarde.

Na edição de 13 de julho de 2001, a reportagem intitulada “Reforço” descreveu o ambiente vivido pela capital baiana após oito dias de paralisação. O jornal relatava momentos de “pânico e de caos” e informava que o Exército enviaria tropas de outros estados para reforçar o policiamento.

A crise já afetava diretamente o funcionamento da cidade. Comércio, bancos, escolas e outros serviços passaram a funcionar de maneira limitada. A rotina de Salvador começava a ser profundamente alterada pela ausência dos policiais nas ruas.

Dessa forma, coube ao governo estadual apelar para o presidente Fernando Henrique Cardoso, que enviou tropas federais para ajudar no policiamento. A entrada do Exército na capital tornou-se um dos momentos mais marcantes daquela greve.

Capa do jornal A tarde 13/07/2001. Acervo tirabanha.

No dia 13 de julho, A Tarde informou que tropas do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul seriam deslocadas para Salvador. A medida ocorreu diante do agravamento da situação e da necessidade de reforçar a segurança.

No dia seguinte, o Jornal do Commercio descreveu uma cidade marcada por lojas saqueadas, estabelecimentos incendiados e ruas esvaziadas pelo medo. A crise também chegou ao sistema prisional. Em 15 de julho, A Tarde noticiou uma rebelião envolvendo cerca de 400 presos no Complexo Penitenciário Lemos Brito, em Salvador.

O episódio terminou com troca de tiros entre policiais militares em greve e tropas do Exército. Também houve rebelião no presídio de Feira de Santana. Nos dias seguintes, porém, a situação começou a apresentar sinais de oscilação.

Em 16 de julho, A Tarde informou que os saques haviam diminuído durante o fim de semana, embora ainda fossem registrados episódios de violência. Enquanto isso, as negociações entre governo e policiais avançavam e recuavam. Um dos principais impasses era a exigência de que parte do efetivo retornasse às ruas.

No dia 17 de julho, o Jornal do Commercio noticiou uma proposta de 21% de reajuste salarial apresentada pelo governo de César Borges. A proposta seria paga de forma parcelada. Os policiais reivindicavam um piso salarial de R$ 1.200. Os números ajudam a dimensionar a insatisfação da categoria naquele momento.

Imagem gerada por IA

No dia 18 de julho, após 13 dias de paralisação, a greve foi suspensa. O encerramento ocorreu depois de uma sequência de negociações, propostas e divergências dentro do próprio movimento. A greve terminava. Mas seus efeitos permaneciam.

A polícia voltou às ruas. Porém, aqueles 13 dias deixaram marcas na memória da Bahia e revelaram, de forma dramática, como a segurança pública estava ligada ao funcionamento da própria vida cotidiana.
Mas havia uma pergunta ainda a ser respondida: O que aconteceu quando a crise chegou ao interior da Bahia?

CONTINUA…

FONTES
A TARDE. Justiça julgará a legalidade da greve, que ganha novas adesões. Salvador, 11 jul. 2001.
A TARDE. Reforço: Exército manda buscar tropas em São Paulo para policiar as ruas. Salvador, 13 jul. 2001.
A TARDE. Reportagens sobre a greve das polícias, rebeliões, saques, negociações e encerramento do movimento. Salvador, 14–19 jul. 2001.
JORNAL DO COMMERCIO. Governo baiano oferece 21% de aumento a policiais. Recife, 17 jul. 2001.

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