Por Luiz Oss
No final da tarde da quinta-feira (24), o sinal do Faé entrou em alerta. Literalmente, um alerta vermelho. O grupo Professores com Lula promoveu uma mobilização em favor da reeleição do atual presidente e, ao mesmo tempo, “em defesa da soberania brasileira diante das ameaças dos Estados Unidos”. Para os manifestantes, as duas pautas são indissociáveis.
Cheguei no início do ato e pude testemunhar a chegada gradual de mais e mais manifestantes. Aos poucos, o grupo foi se aglomerando, balançando bandeiras e distribuindo adesivos.

Palavras de ordem eram entoadas. Mesmo em meio ao caótico trânsito, entre buzinas, motores e escapamentos, nada parecia capaz de conter os discursos acalorados.
“O Brasil não está à venda!”, bradou ao microfone o professor Halysson Fonseca, em referência, segundo sua avaliação, às ofensivas do imperialismo norte-americano e ao interesse nas terras raras brasileiras.

Uma jovem militante presente ao ato comentou comigo que o Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo e que, na sua avaliação, a disputa por esses recursos ajudaria a explicar o interesse estratégico de grandes potências.
“Por essa razão, os Estados Unidos querem colocar um fantoche deles na presidência”, afirmou um jovem manifestante, referindo-se ao candidato da direita, Flávio Bolsonaro, e expressando sua própria opinião sobre a disputa eleitoral.
A cada vez que o sinal fechava, os manifestantes ocupavam a faixa de pedestres, exibindo uma grande faixa com a frase: “O Brasil é nosso! Pela defesa das nossas riquezas e soberania nacional.”

“Nós somos os verdadeiros patriotas”, comentou comigo uma professora, ao expressar seu ponto de vista. “Não queremos que o Brasil seja uma colônia ou o 51º estado americano, como desejam aqueles que se vestem de verde e amarelo, mas batem continência para a bandeira americana”, completou.
Na avaliação dos participantes, a manifestação desta tarde deixou claro que Washington não estaria apenas manifestando preferência por determinado candidato, mas, segundo eles, haveria uma tentativa de influência estrangeira sobre o debate político brasileiro em defesa de interesses estratégicos.
No discurso dos professores, a eleição presidencial assume, portanto, contornos de um plebiscito:
“Você concorda que o Brasil se torne uma colônia dos Estados Unidos? Sim ou não?” A resposta, como tantas outras questões que atravessam o país, será dada nas urnas.


Nota editorial: O texto expressa a interpretação política dos manifestantes sobre o atual cenário eleitoral.
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