Por Daniel Rocha
Em junho de 2016, o município de Teixeira de Freitas (BA) recebeu a visita de nove universitários americanos e dois brasileiros, ligados à University of Florida, para uma semana de intercâmbio voltada ao conhecimento das redes pública e privada de saúde da cidade.
Enquanto muita gente imagina que os grandes exemplos em saúde sempre vêm de fora, dessa vez foi diferente: os visitantes cruzaram fronteiras para conhecer de perto a experiência brasileira, especialmente o trabalho desenvolvido na Atenção Básica e na Estratégia Saúde da Família.
O projeto-piloto foi realizado em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e promoveu o intercâmbio entre estudantes, profissionais e gestores da saúde.
No dia 20 de junho, o grupo foi recebido no auditório da Secretaria Municipal de Saúde. Na ocasião, o então secretário Eujácio Dantas apresentou os avanços e desafios da rede municipal, destacando sua dedicação e os esforços da gestão João Bosco (PT) para ampliar a cobertura da Estratégia Saúde da Família e fortalecer a saúde preventiva no município.

Ao explicar o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), ressaltou uma característica que despertou o interesse dos visitantes: trata-se de um sistema universal e gratuito, que atende toda a população sem distinção.
No dia seguinte, os estudantes conheceram a Unidade de Saúde Wilson Brito, então localizada no centro da cidade. A unidade havia conquistado, em 2015, a avaliação máxima do Ministério da Saúde e se tornou um dos principais exemplos apresentados durante a visita.
Os universitários acompanharam consultas, conheceram o Programa Nacional de Imunizações, participaram de visitas domiciliares com Agentes Comunitários de Saúde e observaram ações educativas realizadas na unidade, além da realização de exames preventivos — práticas que, segundo relataram, não existiam de forma organizada e acessível a todos em seu país, por não haver um sistema público de saúde semelhante ao SUS.
Assim, segundo relatos registrados à época, os visitantes demonstraram interesse pela organização da Atenção Primária brasileira e pela proximidade existente entre os profissionais de saúde e a comunidade, característica considerada um dos pilares do modelo assistencial adotado pelo SUS.

O estudante brasileiro Danilo Souza, integrante da delegação, destacou que a experiência permitiu aos colegas estrangeiros compreenderem, na prática, a importância das ações preventivas desenvolvidas no Brasil.
Já os trabalhadores da saúde relataram que o intercâmbio também foi uma oportunidade para refletir sobre a importância do trabalho realizado junto às comunidades e sobre o valor do próprio sistema público de saúde. Além das unidades básicas, os estudantes também visitaram os principais hospitais da cidade.
Assim, no fim das contas, o intercâmbio revelou a importância de um modelo de saúde baseado na prevenção, no acompanhamento contínuo das famílias e na proximidade entre profissionais e comunidade — princípios que estão no coração do Sistema Único de Saúde (SUS).
Por fim, também deixou claro que o SUS, uma conquista construída pela sociedade brasileira, tinha muito a ensinar também os de fora. Tanto que despertou o interesse de estudantes estrangeiros, mostrando que a saúde pública desenvolvida no Brasil podia servir de exemplo e inspiração para além de nossas fronteiras.
Fonte: esfwilsonbrito.blogspot.com.br
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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