Por Daniel Rocha

No início de 1994, quando o debate sobre a preservação ambiental ainda dava seus primeiros passos em muitas cidades brasileiras, a região de Teixeira de Freitas voltou a chamar atenção por um motivo preocupante.

Quase 50 pássaros silvestres capturados no Extremo Sul da Bahia foram apreendidos durante uma grande operação de fiscalização antes de seguirem para o mercado clandestino de animais.

A ação aconteceu em fevereiro daquele ano e foi coordenada pela Assessoria de Meio Ambiente da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Rodoviária Federal. Durante toda uma noite de fiscalização, agentes abordaram ônibus que chegavam do Nordeste, especialmente da região de Teixeira de Freitas, onde as aves haviam sido capturadas.

Segundo o diretor da Assessoria de Meio Ambiente, Zacarias Albuquerque, a equipe permaneceu desde as 19 horas do dia anterior nas proximidades do posto da Polícia Rodoviária, monitorando os veículos até a manhã seguinte. O trabalho resultou na apreensão de aproximadamente 50 aves nativas que estavam sendo transportadas ilegalmente.

Imagem ilustrativa – Gerada por IA


Entre os animais encontrados havia espécies bastante conhecidas pelos moradores do Extremo Sul da Bahia, como canários-da-terra, curiós, pintassilgos, coleiros, juritis, saíras, trinca-ferros, bigodinhos, periquitos-de-cabeça-vermelha e uma jovem maitaca com cerca de dois meses de vida. De acordo com especialistas consultados na época, a ave seria levada para o Rio de Janeiro, onde provavelmente seria comercializada em feiras livres.

A apreensão também revelou a presença de currupiões, espécie considerada rara e em processo de desaparecimento em diversas regiões. Após avaliação, a maior parte das aves foi devolvida à natureza nas matas do Imbé, preservando a possibilidade de retornarem ao ambiente de onde nunca deveriam ter saído.

Nem todos, porém, puderam ser libertados. Os periquitos-de-cabeça-vermelha permaneceram sob cuidados porque estavam com as asas cortadas e já haviam perdido a capacidade de sobreviver sozinhos em liberdade, consequência do período em que permaneceram em cativeiro.

Na ocasião, Zacarias Albuquerque informou que aquela não era a primeira investida contra o tráfico de animais silvestres. Uma operação semelhante havia sido realizada no mês anterior, mas com resultados menores.

Diante da reincidência do crime, o município anunciou que intensificaria as fiscalizações em locais estratégicos, como a rodoviária, postos da Polícia Rodoviária Federal e pontos de inspeção de caminhões de madeira e veículos do tipo baú, frequentemente utilizados para esconder gaiolas durante o transporte clandestino.

A ocorrência demonstra que, já nos anos 1990, o município aparecia nas rotas utilizadas por traficantes para abastecer o comércio ilegal de aves em grandes centros urbanos, um problema ambiental que ainda desafia as autoridades brasileiras e reforça a importância da preservação da rica fauna do Extremo Sul da Bahia.


Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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FONTE – JORNAL MONITOR CAMPISTA ( RJ) 1994 – ACERVO SITE TIRABANHA

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