Por Daniel Rocha

Confrontos e agressões violentas marcaram a eleição para a escolha do primeiro prefeito da cidade de Teixeira de Freitas em 1985. Durante o processo, movidos por sentimentos de ódio e amor partidários, simpatizantes e correligionários políticos agrediram eleitores e a juíza eleitoral da época, Neuza Oliveira, na Praça da Independência, hoje conhecida como Praça da Bíblia.

Segundo informou o Jornal do Brasil de 15 de novembro de 1985, nas primeiras horas da manhã daquele dia, um grupo de adeptos da coligação PTB-PDS-PDT chegou à estação rodoviária da cidade, hoje conhecida como Rodoviária Velha, ocupando o lugar de desembarque dos ônibus de passageiros para interrogar os eleitores que chegavam ao local sobre qual candidato votariam no dia da eleição.

Nesse ambiente de pressão, os passageiros que se declaravam eleitores do candidato Timóteo Brito, então do PTB, eram recebidos com ovação e palmas, enquanto os que demonstravam intenção de votar no candidato do PMDB, Francistônio Pinto, eram levados e agredidos na referida praça. De acordo com o jornal, a polícia “assistia a tudo sem fazer nada”.


Notícias de uma “guerra particular

Mais tarde, os elementos da mesma coligação, movidos pelo seu partidarismo, amor e ódio, liderados pelo PTB, na época alinhados à figura de Antônio Carlos Magalhães, o ACM, passaram a derrubar outdoors do candidato do PMDB-PFL, que, diante da situação, procurou a juíza eleitoral, Neuza Oliveira, para solicitar ajuda e providências.

Ciente da situação, a juíza foi até o terminal rodoviário para tomar providências e acabou sendo “agredida a pontapés e empurrões” pelos furiosos partidários das duas coligações, que já se encontravam em um caloroso confronto, comum em períodos eleitorais na cidade, que, na eleição de 1982, já havia registrado algo de natureza semelhante no mesmo local.

De acordo com os historiadores Jailson Guerra e Leonardo Santos Silva, em um trabalho monográfico de 2011, os confrontos e demonstrações de apoio exacerbado dos partidários durante o processo eleitoral de 1982 e 1985 podem ser associados ao contexto político da época, a Ditadura Militar, e ao jogo de interesses que permeavam o meio, bem como à fascinação exercida por certos candidatos.


Timóteo Brito e
Francistônio Pinto

Visto que, enquanto as reações dos partidários, correligionários, apoiadores e financiadores se ligam à distribuição de cargos públicos, parcerias, fiscais e licitações, as reações do “amante” fogem a essa regra.

Atualmente, é possível perceber esse mesmo sentimento nas redes sociais, onde alguns teixeirenses opinam a partir de suas próprias convicções sobre a política nacional, sem se atentar que, ao tomar partido, deixam de observar e dar atenção a aspectos importantes, como a garantia dos direitos conquistados e a manutenção da liberdade democrática.

  Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fontes:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

Juíza leva pontapés e empurrões. Jornal do Brasil. 15/11/1985. Acervo site tirabanha.

Foto: Praça da Bíblia. Ano desconhecido. Fonte: Memorial da Câmara.

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