(Continuação do texto anterior)

Na década de 1960, Teixeira de Freitas vivia um período de intensa transformação. Famílias vindas de diferentes regiões da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo chegavam ao povoado atraídas pelas oportunidades abertas pelo comércio, pela madeira e pelo crescimento da região. Em meio a esse cenário de expansão, o futebol também ganhava novos espaços e se consolidava como uma das maiores paixões populares.

Foi nesse período que surgiu um campo “em tamanho oficial” na região do trevo, onde atualmente funciona o Posto Gaivota. O espaço rapidamente se transformou em ponto de encontro da comunidade e ajudou a impulsionar o nascimento de novas equipes locais, entre elas o Nova América, formado por moradores do povoado e trabalhadores das fazendas vizinhas.

Curiosamente, o time utilizava como inspiração o uniforme do tradicional clube carioca Club de Regatas Vasco da Gama. Naquele tempo, como a região ainda não possuía emissoras de rádio locais, os moradores acompanhavam principalmente transmissões vindas do Sudeste do país. Isso ajudava a popularizar os grandes clubes cariocas entre os teixeirenses.

Teixeira de Freitas — Praça da Telebahia, conforme registros. Data não identificada.

Segundo o historiador William Moacir Dethling, no trabalho de pesquisa: Teixeira de Freitas entra em campo: A história do futebol da cidade de Teixeira de Freitas entre os anos de 1970 e 2000, essa influência era algo bastante comum na época. Uma das primeiras equipes do então povoado, o Cruzeiro, ficou popularmente conhecida como “Flamenguinho” justamente por entrar em campo usando uniformes semelhantes aos do tradicional clube carioca Clube de Regatas do Flamengo.

O time amador era bastante querido pelos moradores e costumava enfrentar equipes de várias localidades da região. Seus treinamentos aconteciam na antiga praça da TeleBahia, espaço que também servia como ponto de convivência da juventude local.

Ao longo dos anos 1970, o futebol se transformou definitivamente em uma das principais formas de entretenimento do povoado. Sem estádio municipal, os jogos aconteciam em campos improvisados, terrenos baldios e áreas particulares espalhadas pelos dois lados da cidade que ainda era administrativamente dividida entre Alcobaça e Caravelas.

Ao sul da Avenida Marechal Castelo Branco destacavam-se o campo da Serraria Divilam e o tradicional campo da Escola Manoel Cardoso Neto. Já ao norte, os principais pontos esportivos eram o campo do DERBA, o futuro Robertão e o campo do Batalhão.

Em um texto publicado em 2013 no extinto site portalsbn.net, o colunista esportivo Amadeu Ferreira afirmou que o futebol teixeirense deslanchou justamente nessa década, impulsionado pelo surgimento de equipes patrocinadas por comerciantes e empresários locais.

Em 1976, as primeiras competições organizadas passaram a ocorrer simultaneamente em três importantes campos do povoado: o do Batalhão, o do DERBA e o da Serraria Divilam — que também dava nome ao time local.

Foto restaurada por IA

Segundo Amadeu Ferreira, o campo da Divilam ficava onde atualmente funciona a construtora Zé Carlos. O espaço atraía não apenas jogadores, mas moradores de todas as partes do povoado, tornando-se um dos grandes centros de convivência social da época.

Em uma conversa informal realizada em 2009, a moradora Marisa Aguiar relembrou que frequentar o campo aos sábados era quase um ritual da juventude local:

“Era quase uma obrigação ir ao campo aos sábados à tarde”, contou. Segundo ela, as partidas não serviam apenas para assistir futebol, mas também para encontrar amigos, paquerar e aproveitar os churrasquinhos improvisados próximos ao campo.

“Depois dos jogos sempre tinha aquela socialização nos bares próximos. No outro dia a festa continuava na casa dos jogadores, com cerveja e churrasco”, recorda.

Muito além das quatro linhas, os antigos campos de futebol ajudavam a movimentar a vida social, cultural e afetiva do povoado que crescia rapidamente no Extremo Sul da Bahia.

A paixão pelo esporte era tão grande que não demorou para surgir o sonho de construir um estádio próprio — um espaço capaz de reunir multidões e representar o orgulho de uma cidade em formação.

Movido pela força da comunidade, o projeto começou a ganhar forma através da doação de terrenos, do apoio popular e da participação direta dos moradores, que enxergavam no futebol não apenas diversão, mas também um símbolo da identidade teixeirense.
(Continua no próximo texto da série).

Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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Fonte: 

DETHLING, William Moacir. Teixeira de Freitas entra em campo: A história do futebol da cidade de Teixeira de Freitas entre os anos de 1970 e 2000. UNEB – X. 2011.

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