Por Daniel Rocha
Muito antes da construção de grandes avenidas, da consolidação do comércio e da emancipação política de Teixeira de Freitas, os campos de futebol já funcionavam como verdadeiros pontos de encontro de uma comunidade em formação.
Em um povoado dividido entre os territórios de Caravelas e Alcobaça, o futebol ultrapassava o simples lazer: ajudava a construir vínculos sociais, fortalecer amizades e despertar um sentimento coletivo de pertencimento.
Naquele tempo, a parte sul do povoado pertencia a Caravelas, enquanto a região norte era administrada por Alcobaça. Apesar da divisão territorial, os moradores encontravam nos campos abertos um espaço comum de convivência. Era ali que famílias inteiras se reuniam aos fins de semana para assistir partidas, confraternizar e celebrar a vida comunitária.
Segundo o colaborador Domingos Cajueiro Correia, com base em relatos de Osair Nascimento, um dos primeiros times organizados do povoado surgiu ainda na década de 1950. Tratava-se da equipe amadora da Prainha, formada por moradores e trabalhadores ligados à Fazenda Nova América.
As partidas atraíam a atenção dos moradores e eram frequentemente organizadas pelos fazendeiros da região. De acordo com Domingos, o Prainha teria sido o primeiro time de futebol do então povoado de Teixeira de Freitas.

A equipe realizava jogos contra outros clubes amadores da região, prática comprovada por antigos bilhetes trocados entre moradores para agendamento das partidas.
A família Freitas Correia conserva um desses documentos históricos. O bilhete, escrito em 1966 pelo agricultor conhecido como “Zequinha do Rancho Queimado”, solicitava a marcação de um amistoso contra o time da Prainha.
Além dos jogos, o futebol movimentava a vida social do povoado. A torcida organizada pelos moradores acompanhava a equipe em excursões para fazendas e povoados vizinhos. Boa parte dessa torcida era formada por integrantes da numerosa família Freitas Correia, conhecidos pelo entusiasmo e pela criatividade para conseguir acompanhar os jogos.
Após as partidas, era comum a realização de confraternizações com comida típica, música e festas que atravessavam a noite. Com o crescimento do povoado e a chegada de novos moradores, outras equipes começaram a surgir e o futebol ganhou novos times e espaços. (Continua no próximo texto da série).
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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