(Continuação do texto anterior)
Na década de 1970, os campos de futebol já faziam parte da rotina dos moradores do então povoado de Teixeira de Freitas. Mais do que espaços esportivos, eram locais de encontro, lazer e convivência social em uma comunidade que crescia rapidamente entre os territórios de Caravelas e Alcobaça.
Em conversa informal realizada em 2014, o morador Valdir Matos relembrou com entusiasmo os tempos em que frequentava os diversos campos espalhados pelo povoado. Entre todos, seu preferido era o campo do DERBA, localizado no lado alcobacense da localidade.
Segundo ele, o ambiente era sempre movimentado e reunia moradores de diferentes regiões, tornando-se uma verdadeira referência esportiva e social para a população da época.
Inicialmente, o campo havia sido criado por funcionários do próprio DERBA para momentos de lazer nos fins de semana. Com o crescimento do futebol local e o aumento do público nas partidas, o espaço acabou se transformando no principal estádio do então povoado.

De acordo com o historiador William Moacir Dertiling, o Estádio Municipal Roberto Pereira de Almeida, popularmente conhecido como Robertão, recebeu esse nome em homenagem ao engenheiro-chefe do DERBA, responsável pelo projeto do gramado. Segundo o pesquisador, a estrutura possuía características técnicas avançadas para a época, sendo considerada uma das melhores da região.
A construção do espaço também carrega uma forte marca da participação popular. O senhor Manoel Cardoso Neto doou o terreno para a instalação do DERBA no município e, posteriormente, os funcionários do órgão criaram ali um campo para a prática esportiva.
Com o crescimento das competições e a necessidade de um estádio para sediar os jogos das primeiras grandes equipes locais — como Brasil e Portuguesa — o espaço foi ampliado com a ajuda da própria comunidade. Arquibancadas improvisadas de madeira passaram a receber os torcedores que acompanhavam os campeonatos regionais.
Mesmo com suas limitações estruturais, o estádio tornou-se um símbolo do futebol teixeirense e ajudou a impulsionar o esporte na cidade. Segundo relatos reunidos por William Dertiling, nas décadas seguintes existia inclusive o sonho de levar a Associação Atlética de Teixeira de Freitas — uma espécie de seleção formada pelos principais jogadores locais — para disputar a primeira divisão do Campeonato Baiano.
Mas o crescimento do futebol teixeirense não dependia apenas dos campos e dos atletas. Havia também uma forte ligação entre o esporte e as atividades econômicas que impulsionavam o desenvolvimento do povoado, assunto que será abordado no próximo capítulo desta série.
(Continua no próximo texto da série.)
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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