Por Daniel Rocha

Em julho de 2001, a Bahia enfrentou uma das mais graves crises de segurança pública de sua história recente. A greve das polícias Civil e Militar durou 13 dias e ultrapassou as reivindicações salariais, afetando a rotina de diversas cidades do estado.

O movimento também chegou ao Extremo Sul. Em reportagem publicada em 11 de julho, o jornal A Tarde registrou a adesão de policiais de Teixeira de Freitas, Itabuna, Itaberaba e Paulo Afonso, Eunápolis e Medeiros Neto.

Dessa forma, a informação insere a cidade na cronologia de uma crise estadual que provocou preocupação com a segurança da população e alterou o cotidiano de diferentes regiões da Bahia.

Em Teixeira de Freitas, lembranças locais apontam que o comércio noturno teria reduzido o horário de funcionamento. O cinema encerrou a programação mais cedo, o Shopping Teixeira Mall anteciparia o fechamento e escolas noturnas liberariam os estudantes antes do horário habitual. Comerciantes também teriam adotado medidas preventivas diante da insegurança.

Mas as preocupações daquele período não se limitavam ao que poderia acontecer nas ruas. Havia também uma questão sensível envolvendo o sistema prisional da região.

Centro de Teixeira de Freitas, 2001.

Poucos meses antes da greve, em 30 de março de 2001, havia sido inaugurado o Complexo Penitenciário de Teixeira de Freitas (CPTF). Com capacidade para 268 presos, a unidade atendia a 21 municípios do Extremo Sul baiano.

O presídio era uma estrutura recém-inaugurada quando a crise de segurança pública atingiu a Bahia. Naquele contexto, as notícias de rebeliões em outras unidades prisionais ampliavam as preocupações sobre o funcionamento do sistema penitenciário.

Em 15 de julho, o jornal A Tarde noticiou rebeliões em presídios de Salvador e Feira de Santana. Em Teixeira de Freitas, a implantação do complexo penitenciário já havia provocado críticas e preocupações relacionadas à possibilidade de rebeliões, fugas e aos impactos da presença de uma unidade prisional regional no município.

A greve policial terminou em 18 de julho, após negociações entre representantes das categorias e o governo estadual. A adesão dos policiais de Teixeira de Freitas está documentada no noticiário da época, demonstrando que os profissionais da segurança pública do município também estiveram ligados aos acontecimentos que marcaram a capital e outras regiões baianas.

A história da greve de 2001, portanto, não se resume ao que aconteceu em Salvador. Ela também passa pelas cidades do interior, onde a paralisação das forças de segurança despertou apreensão, alterou rotinas e trouxe à tona temores relacionados à violência e à vulnerabilidade da população.

FONTES
A TARDE. Justiça julgará a legalidade da greve, que ganha novas adesões. Salvador, 11 jul. 2001.
A TARDE. Reforço: Exército manda buscar tropas em São Paulo para policiar as ruas. Salvador, 13 jul. 2001.
A TARDE. Reportagens sobre a greve das polícias, rebeliões, saques, negociações e encerramento do movimento. Salvador, 14–19 jul. 2001.

DA AGÊNCIA FOLHA. Bancos decidem fechar as portas mais cedo. Folha de S.Paulo, Salvador, 12 jul. 2001. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1207200105.htm>. Acesso em: 11 set. 2026.


JORNAL DO COMMERCIO. Governo baiano oferece 21% de aumento a policiais. Recife, 17 jul. 2001.

Daniel Rocha

Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato: WhatsApp (73) 99811-8769 | E-mail: samuithi@hotmail.com. Acesse nossa Comunidade no Facebook
O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes, ou convertido em áudio ou vídeo sem autorização expressa do autor.

Compartilhar: