Por Daniel Rocha

Em treze de abril de 1968, um soldado da polícia militar que atuava em Teixeira de Freitas, Extremo sul da Bahia, alvejou um servidor público, motorista do DERBA, depois que o mesmo se colocou a favor de um colega intimado a ser preso por portar uma arma de fogo não identificada. 

Conforme foi noticiado por um jornal da época, o policial achou que devia prender o servidor por ter intervindo ,tomando partido da questão, questionando a legalidade da ação. Depois do bate boca, o militar ficou descontrolado e fez disparos contra o motorista, ferindo-o na altura das costelas, lado esquerdo, e no abdome. 

Ainda durante os disparos, o policial,  que na época também era  chamado de “Soldado”, feriu o colega com um tiro na perna esquerda. Temendo as consequências do ato criminoso que praticou, o “soldado” desapareceu, enquanto os baleados foram conduzidos em estado grave à Casa de Saúde de Medeiros Neto, onde foram socorridos. 

De acordo com Benedito Ralille, na década de 1960, o prefeito do município de Caravelas, Dr Achiles de Jesus Siquara, fez instalar o DER-BA (Departamento de Estradas e Rodagens do Estado da Bahia) no povoado de Vila Vargas, órgão do poder público estadual, objetivando oferecer manutenção às estradas da região, principalmente as do município. Foi o primeiro órgão público a se instalar no então povoado de Teixeira de Freitas.

De acordo com relatos de duas moradoras antigas,  feito em 2010,  a chegada dos trabalhadores fez crescer o movimento em bares, pensões e prostíbulos existentes no povoado e também aumentar  as tensões e a violência no povoado teixeirense.

Conforme rememora o antigo morador Jair de Freitas, alguns desses jovens trabalhadores, oriundos de Salvador, chegaram no povoado em 1964 para trabalhar no departamento baiano trazendo para a pequena vila hábitos e comportamentos estranhos ao modo local provocando confusões e brigas que ,por vezes,  terminavam com confrontos e mortes. 

Algo que também vinha acontecendo com frequência em outras cidades próximas, conforme é possível perceber analisando os jornais da época. Isso deixa claro algo já dito por alguns historiadores e jornalistas, é falaciosa a ideia de que na Ditadura Militar as cidades não eram violentas. “A verdade: durante a ditadura, a violência urbana cresceu sem parar, e a taxa de homicídio atingiu o nível de epidemia”, destacou o jornalista Maurício Horta em uma reportagem para a Superinteressante em 2018. 

 Fontes  

Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor Benedito Ralille, 2006. 

ROCHA. Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuições no Processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. UNEB, Campus X – Teixeira de Freitas – BA. 2010. 

Motorista foi baleado em Teixeira de Freitas. FN. Abril de 1968. 

HORTA. Maurício. Mito: “na Ditadura Militar, as cidades não eram violentas”. Acesso em 24/08/2020. 

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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