Por Daniel Rocha

Segundo relatos de antigos moradores e de pessoas que trabalharam e frequentaram a velha feira da Pauzoeira, onde hoje funciona o Mercado Municipal, existia uma ligação curiosa entre o movimento da feira e a chamada “Rua do Brega”, na região central da cidade, onde funcionavam várias casas de prostituição.

Pelas lembranças de quem viveu aquele tempo, os dois lugares tinham funções diferentes, mas acabavam fazendo parte de uma mesma rotina da cidade. Durante o dia, era a feira que concentrava o movimento. À noite, era a Rua do Brega que ganhava vida.

A Pauzoeira recebia comerciantes de várias localidades. Muitos chegavam na quinta-feira, antes dos dias de maior movimento, para organizar as mercadorias e preparar as bancas. Ficavam por ali até sexta e sábado, quando a feira ficava ainda mais movimentada.

Mas, para alguns feirantes, a passagem pela cidade não terminava quando o comércio acabava. Segundo antigos trabalhadores e frequentadores, depois de fechar as bancas, alguns costumavam seguir para a Rua do Brega.

Imagem IA

Era uma rotina que, de acordo com esses relatos, se repetia semana após semana. O feirante chegava, montava a banca, vendia suas mercadorias e permanecia alguns dias na cidade. Nesse período, além de trabalhar, também fazia amizades, encontrava conhecidos e aproveitava a vida noturna.

E é justamente aí que aparece uma expressão que ficou guardada na memória de antigos frequentadores: “mulher por conta”. Segundo um desses relatos, era assim chamada a mulher que mantinha uma relação mais reservada com determinado cliente durante os dias em que ele permanecia na cidade.

Ou seja, não se tratava apenas de um encontro ocasional. Segundo as lembranças, havia casos em que o feirante mantinha uma relação mais próxima com determinada mulher durante sua permanência em Teixeira.

Os relatos também mostram outro lado dessa história. Segundo antigos moradores, a vida das mulheres que trabalhavam nas casas de prostituição não era fácil. Muitas enfrentavam dificuldades e, de acordo com essas memórias, algumas sonhavam em deixar aquela vida, ser donas de suas escolhas ou encontrar alguém para um relacionamento com responsabilidades.

Conforme lembram antigos frequentadores, algumas histórias chegaram até os dias atuais como casos que teriam terminado em casamento. Outras ficaram apenas nas conversas e lembranças de quem viveu aquela época.

Dessa forma, fica claro que quando o comércio terminava, começava outra parte da rotina. A cidade continuava acordada. De um lado, a feira. Do outro, a Rua do Brega. Entre as duas, circulavam pessoas, histórias e costumes de uma Teixeira de Freitas que já não existe da mesma forma.

Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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