Por Erivan Augusto Santana*

No Brasil de hoje, temos vivido tempos absurdamente inacreditáveis, que se parecem mais com um filme, ou uma série como “House of Cards”, mas que em nada beneficiam o povo brasileiro. Vive-se sempre à espera de uma nova delação – o Brasil se transformou no país das delações.

A crise se instalou em todas as instituições do país – inclusive no Judiciário – onde há suspeitas de imparcialidade, haja visto que muitos de seus protagonistas estão frequentemente na mídia, quando não em companhias de políticos.

Paira sobre esta instituição também, questionamentos quanto aos vultosos vencimentos de muitos de seus componentes, que envergonham o mais humilde trabalhador brasileiro, a ponto da ministra Cármem Lúcia solicitar – e exigir maior transparência quanto a estes vencimentos.

Mas, e quanto ao Congresso? Alguma votação, algum projeto de lei que beneficie o povo, aquele mais humilde e sofrido trabalhador brasileiro? Alguma cobrança das grandes empresas que devem à Previdência?

A criação de impostos das grandes fortunas? A reforma tributária? Evidentemente que não. Na verdade, o que tivemos até agora foi a aprovação da PEC 55, que limita gastos e investimentos em Saúde e Educação, além da retirada de direitos trabalhistas e previdenciários, atingindo duramente os aposentados, pensionistas e o trabalhador.

 

Quanto nos custa o Congresso Nacional? Com toda esta triste movimentação política, nos esquecemos e continuamos a pagar uma das mais altas cargas tributárias do mundo, que onera sobretudo o mais pobre e a classe média baixa, que é realmente quem mais paga impostos nesse país. Tudo isto vai acontecendo, com a população distraída, à espera do novo fato político, da nova delação.

Com isto, perde-se o interesse pela política, pela informação, e tudo vai caindo no lugar comum, cedendo lugar aos perigosos extremismos, dificultando o diálogo saudável ao jogo democrático e consolidando o conformismo. Até quando continuaremos deitados em berço esplêndido?

*Professor, escritor e poeta

 

Veja também:

O ser, a neurociência e a internet

Tempos modernos

Mal estar na modernidade

A escola sem partido e outras intempéries

A escola, a Educação e a Família

 

Compartilhar: