Por Daniel Rocha
No início da década de 1970, quando Teixeira de Freitas ainda era um povoado em acelerado crescimento no Extremo Sul da Bahia, a chegada da primeira estação rodoviária representou muito mais do que uma obra pública: simbolizou a organização de uma cidade que começava a assumir papel estratégico entre o Nordeste e o Sudeste do Brasil.
Planejada pelo engenheiro Douglas Brito e construída na administração do prefeito Wilson Alves Brito, a estação foi inaugurada pelo governador Roberto Santos em 31 de novembro de 1975.
Hoje conhecida popularmente como “Rodoviária Velha”, a construção permanece no centro da cidade funcionando como terminal urbano e como uma das mais antigas edificações públicas de Teixeira.

Antes da construção da estação, os ônibus paravam em diferentes pontos improvisados do povoado. Um dos locais mais conhecidos era a Praça dos Leões, marcada por uma grande gameleira que servia de referência para embarques e desembarques.
Nas décadas de 1960 e início dos anos 1970, era comum ver passageiros aguardando ônibus em meio à poeira das ruas, sem horários organizados ou qualquer estrutura adequada.
Com a abertura de novas estradas e a chegada das primeiras empresas de transporte rodoviário, tornou-se urgente disciplinar o trânsito de passageiros. A criação da rodoviária surgiu justamente para organizar esse fluxo crescente de pessoas que chegavam e partiam diariamente.
Não demorou muito para que o local se transformasse em um dos principais centros de circulação social do povoado. Gente de várias regiões da Bahia e de diferentes partes do país passava por ali, seguindo rumo ao Sul ou ao Nordeste brasileiro.

A antiga rodoviária rapidamente ganhou vida própria. Mais do que um terminal, tornou-se ponto de encontro, convivência e memória afetiva para gerações de teixeirenses.
O senhor Carlos Wilson, frequentador assíduo do local, lembra que durante a década de 1980 o movimento era intenso dia e noite. As lanchonetes e bares funcionavam até altas horas, algumas até mesmo 24 horas por dia.
Entre as lembranças mais marcantes, ele recorda com humor das partidas de futebol na antiga Praça da CAMAB, hoje Praça da Bíblia, seguidas pelas tradicionais visitas à lanchonete Pai D’égua, famosa pelas esfihas e pelos sucos consumidos pela juventude da época.
Também relembra a presença dos carroceiros e trabalhadores dos grandes carros de mão de madeira, responsáveis por transportar as malas dos passageiros. “Lembro-me como se fosse ontem quando chegávamos nessa rodoviária”, conta.

As histórias do terminal também guardam encontros inesperados. Carlos Wilson recorda que, entre 1994 e 1996, estava em uma das lanchonetes quando algumas turistas argentinas desceram de um ônibus enquanto aguardavam conexão para Porto Seguro.
Entre cafés, sucos e conversas rápidas, trocaram impressões sobre a cidade, a região e o Brasil até a chegada do próximo ônibus. Pequenas cenas como essa ajudaram a transformar a rodoviária em um espaço de convivência multicultural.
Hoje, embora tenha perdido a função de principal terminal rodoviário da cidade, a antiga rodoviária permanece viva no cotidiano urbano de Teixeira de Freitas. Entre ônibus urbanos, pequenos comércios e memórias espalhadas pelos corredores, o espaço segue como testemunha silenciosa da transformação de um pequeno povoado em uma das maiores cidades do interior baiano.
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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