Por Daniel Rocha
Era 2010, e o centro de Teixeira de Freitas insistia em contar uma história curiosa — daquelas que parecem exagero, mas não são. Bem ali, Rua Rondônia, nas proximidades do Shopping Teixeira Mall, onde se espera ver movimento, vitrines e pressa, havia também… um curral.
Sim, um curral. Com direito a animais, cercas improvisadas e aquele cheiro que não combina muito com a ideia de “mall”. A cena parecia brincar com a lógica: de um lado, o símbolo da modernidade e consumo; do outro, um pedaço do interior resistindo, firme, no meio do centro.

E quando chovia, a situação ganhava novos contornos. O terreno virava um lago de lama, daqueles difíceis de atravessar e impossíveis de ignorar em um bairro ainda hoje conhecido como “Lagoa”. Era como se a cidade, por alguns dias, recuasse no tempo — ou simplesmente revelasse que nunca tinha saído completamente dele. Foi observando esse cenário que o jornalista Ramiro Guedes escreveu críticando a gestão municipal, sem rodeios:
“Perto do shopping… Mais precisamente em frente ao laboratório Santa Amélia, depois das últimas chuvas em Teixeira de Freitas, um lago de lama tomou conta de um grande terreno. Pior: o terreno é cercado por três ridículos fios de arame farpado. Pior ainda: o dono da indigitada propriedade cria, no interior dela, cinco animais (jumentos, parece). Tudo, praticamente, no centro da cidade. O serviço de fiscalização da Prefeitura não tresanda nem trescalda.”

O relato deixa claro não só o problema físico — como a lama, a falta de estrutura e os animais no local, mas também a sensação de abandono e falta de ação por parte do poder público local naquela parte da cidade, hoje tomada por diversos novos pontos de comércio.
Assim, o episódio do “curral no centro” acabou se tornando um retrato de um momento da história de Teixeira de Freitas, revelando os desafios de uma cidade em crescimento no início deste século de XXI, onde o urbano e o rural ainda conviviam de forma desorganizada no mesmo espaço.

Porque, no fim das contas, Teixeira de Freitas seguia assim: meio shopping, meio curral. E inteira, como sempre, cheia de histórias para contar.
Fonte:
GUEDES, Ramiro. O fim do túnel. Perto do shopping… Jornal O Sollo, 25 mar. 2010.
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato: WhatsApp (73) 99811-8769 | E-mail: samuithi@hotmail.com. Acesse nossa Comunidade no Facebook
O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes, ou convertido em áudio ou vídeo sem autorização expressa do autor.
Deixe um comentário