Por Erivan Augusto Santana 

O Brasil está passando por um momento histórico preocupante e delicado, em que pese o desmonte do já frágil estado social de direito, inicialmente previsto na aclamada Constituição Cidadã de 1988. Direitos trabalhistas, humanos e sociais estão sendo destituídos em nome de interesses econômicos e do grande capital, inclusive o internacional.

Enquanto os mais pobres estão sendo sacrificados, os privilégios das elites continuam intocáveis. Reportagem da revista Carta Capital de 15 de março do corrente ano, corroboram esta afirmativa, ao relatar os altíssimos salários de uma elite  privilegiada, encastelada no executivo, legislativo e judiciário. Por outro lado, faltam recursos em áreas vitais do tecido social, como saúde, educação e segurança pública.

Entretanto, diante do exposto – com exceção dos professores -, não há manifestações contestando tal situação. Por quê? Historicamente, convém lembrar, o país é fortemente influenciado pela grande mídia, especialmente a televisiva, exercendo aquilo que se convencionou chamar de “quinto poder”, e  este segmento parece não se importar muito com este cenário já citado anteriormente.

Outra questão que merece ser mencionada, se refere à educação, revelando falhas na formação acadêmica dos nossos discentes, que não tem primado pela leitura crítica de mundo, ou pela pedagogia histórico-crítica, de acordo com o pensamento do renomado educador e pensador Paulo Freire. Ou, no dizer do notável professor Ruben Alves, não se pode educar apenas para “passar no ENEM” ou ter acesso ao mercado de trabalho, pura e simplesmente.

A educação requer isso e muito mais: formar cidadãos capazes de refletir o presente e reescrever as páginas da história, ávidas por senso de igualdade, liberdade e fraternidade – os grandes lemas do iluminismo que norteiam a sociedade moderna, assim como os fundamentos da democracia, com fortes origens na Grécia antiga.

É preciso aproveitar o momento que o Brasil atravessa, para realizarmos mudanças éticas e morais que devem começar no interior de cada um, de cada brasileiro, e que devem ser cobradas diariamente da classe política, com um acompanhamento intensivo de suas atividades parlamentares, hábito ainda pouco efetivo entre os brasileiros, que no cotidiano se distraem com o carnaval, o futebol, a novela e até o big brother.

É a “Banda” de que nos fala Chico Buarque em sua famosa canção de 1966, e que continua tão atual, a reviver e a retratar a realidade brasileira, música que aliás, a maioria dos nossos jovens pouco conhecem. O passado explica o presente, e a história necessita ser continuamente revisitada, para melhor compreendermos o presente, com vistas a um futuro melhor.

 

Artigo originalmente publicado no jornal A Tarde, Salvador, 24/04/17

Erivan Augusto Santana

Professor, escritor e poeta

Compartilhar: