Os impactos da política de cortes no SUS: “Saúde não tem preço, mas tem custo”

Com experiência de mais de 12 anos como gestor de saúde pública, nas esferas federal, estadual e municipal, o ex-secretário de saúde do estado (2007-2012) e hoje Deputado Federal Jorge Solla (PT- BA), esteve na cidade para participar da abertura da 6º conferência Municipal de Saúde.  Na oportunidade, em entrevista, ele falou sobre a atual política de cortes do governo e os impactos para saúde brasileira.

 

Tem como existir uma assistência pública de saúde justa e não universal?

 

Não. Por isso que o Brasil escreveu na constituição de 1988 a  saúde como direito de todos e como dever do estado.  Avançamos muito de lá pra cá nesses 30 anos que completaremos em 2018, hoje temos a atenção básica, atenção hospitalar, implantamos o SAMU que chega a 150 milhões de brasileiros, temos o maior sistema de vacinação do mundo, o maior sistema de transplante.

O Brasil conquistou espaços importantes  com todas as dificuldades de um subfinanciamento, temos apenas 3 reais em saúde por habitantes por dia para fazer tanta coisa… É realmente uma política pública eficiente que faz muito com muito pouco e atualmente está ameaçada pelo atual governo que tem cortado recursos das políticas públicas, da saúde, da educação, da assistência social, de todas as políticas que chegam à população, portanto precisamos nos mobilizar em defesas da saúde e do sistema único de saúde e  fazer com que pressões sejam exercidas para reverter esses cortes que tem acontecido.

O senhor é um grande defensor do sistema público brasileiro de saúde, quais os próximos desafios

Eu diria que é o financiamento, que está correndo grande risco. Eu faço parte da comissão mista de orçamento e a proposta do governo para o ano que vem é um orçamento inferior o deste ano. Não só na saúde mais também nas universidades federais como a Universidade Federal do Sul da Bahia que tem campos aqui em Teixeira de Freitas. Portanto mais do que nunca é preciso que a população fique atenta e se manifeste contra essas medidas que prejudicam a saúde, a assistência social e o saneamento e tudo que conquistamos nos últimos anos e governos.

O que representou o arquivamento do processo contra Temer para o SUS?

Representou um golpe grave, porque esse governo tem entre suas prioridades reduzir os recursos das políticas sociais, inclusive da saúde, para aumentar os recursos e pagar o lucro dos banqueiros e dos rentistas. É um governo que não defende a saúde que não defende o SUS e nem a população Brasileira.

Neste contexto é correto afirmar que o sistema brasileiro de saúde pública universal está ameaçado?

Não tenha dúvida… Dizem que saúde não tem preço, mas tem custo. O sistema precisa ser financiado e os cortes que estão colocando com a PEC ,que aprovaram, reduz em 20 anos o gasto atual que representa 3,8% do produto interno bruto aplicado em gastos em saúde pública, para pouco mais de 2%. Isso vai ser um desastre para assistência em saúde da população.

Por Daniel Rocha

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