Teixeira de Freitas 34 anos: fatos incomuns

Por Daniel Rocha

Já pensou: em um hospital funcionando em um mercado municipal? Aulas ministradas em um cinema? Pegar o CEP do povoado vizinho emprestado? Essas foram uma das soluções encontrada pelos teixeirenses da década de 1970 para superar algumas dificuldades estruturais de um passado nada comum.

Por exemplo, no  início da década de 1970 quando a prefeitura de Alcobaça transferiu os feirantes e a feira que era realizada aos domingos na Praça dos Leões para um pequeno Mercado Municipal construído na Praça da Bíblia pela administração alcobacense.

No lugar os feirantes incomodados com a localização e as taxas  cobradas optaram por ocupar a área onde hoje fica o Mercado municipal, mais conhecido como “Mercadão” e no mercado abandonado na praça da Bíblia ,de forma atípica, foi improvisado um hospital que atendeu durante sete meses até que as obras do SOBRASA, não público, fossem concluídas.

Outro fato excepcional foi o início das atividades de uma das primeiras escolas da cidade, o CEPROG. Fundada pela sociedade teixeirense e pelo Bispo D. Filipe “a Escola Cruzeiro do Sul,” batizada politicamente de Escola Estadual Professor Rômulo Galvão, foi inaugurada oficialmente em 01/03/1973.

Ocorre que enquanto a escola era erguida as primeiras aulas do ano letivo foram realizadas no “Cine Elizabeth” de Militão Guerra. O local que serviu de escola por um período  além de exibição de filmes era também o salão de festas do então povoado, na época dividido entre dois municípios, Caravelas e Alcobaça.

Essa divisão oficial trazia alguns desafios e transtornos  para os moradores, como o fato de haver coleta de lixo em um lado e no outro não é a existência de apenas um código postal para ambos.

Contudo essa divisão oficial não funcionava na prática, informação do Guia postal brasileiro de CEP de 1979, dos Correios, permite deduzir que o povoado de Teixeira de Freitas embora dividido compartilhava o mesmo CEP (45990) que era também o da cidade de Alcobaça, ou seja, em Teixeira no território caravelenses usavam o do vizinho. Isso mostra que os habitantes interagiam como um só povo.

Os fatos incomuns apresentados revelam algumas ausências e ações do estado na década de 1970 e o modo como a sociedade e as instituições se organizou para atender suas necessidades e burlar  a falta do poder público local. Convém dizer que essas “ausências” e “providências” também fizeram emergir “lideranças políticas” que extraíram das situações, possibilidades, posições políticas e poder… Fato nada incomum nos dias atuais.

Fontes:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

HOOIJ, Frei EliasOs desbravadores do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região – raízes e frutos

Guia postal brasileiro de CEP de 1979, Correios Brasileiro.

Foto: Praça dos Leões década 1980. Whatzaap

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769  e-mail: samuithi@hotmail.com

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