Surtos e epidemias na história de Teixeira de Freitas – Parte 01

Por Daniel Rocha

A Pandemia do Coronavírus está longe de ser a primeira doença na história que preocupou o país e os teixeirenses. Surtos e epidemias como o da paralisia infantil (1968) e do cólera (1992), marcaram a história de Teixeira de Freitas.

Em 1968 o país enfrentou um terrível surto de Poliomielite (paralisia infantil) que afetou diversas crianças e em Teixeira de Freitas. Na época o hospital mais próximo ficava em Caravelas e o acesso era difícil. No povoado Teixeirense havia apenas um consultório médico que atendia mediante pagamento e  que não disponibilizava a vacina. 

Propaganda de um consultório médico de Nanuque de 1968

A vacina de Sabin, que combate a doença, estava disponível para quem podia pagar em cidades próximas como Nanuque (MG) e Linhares (ES). ” Muitas crianças morreram por falta de dinheiro para pagar por consulta”, afirmou a moradora Antônia Silva em 2011.

Entre 1964 e 1974 cidades do interior e algumas capitais do país, apresentaram expressivo aumento na taxa de mortalidade infantil, evidenciando que naquele período as mortes estavam relacionadas a falta de um sistema público de saúde e não a quantidade de hospitais e médicos. Faltava um sistema público de saúde organizado para a execução de estratégias preventivas.

Já em Janeiro de 1992 o Jornal do Brasil noticiou que Várias equipes de sanitaristas da vigilância epidemiológica do estado, órgão do SUS, estavam espalhadas em pontos estratégicos da Bahia: “Uma delas está atuando na cidade de Teixeira de Freitas, passagem dos ônibus que vêm de São Paulo, Rio e Espírito Santos e outros entroncamentos rodoviários no estado para conter a entrada da cólera.”

Rito fúnebre. Enterro. Av Castelo Branco 1975

Já em 1993, quando a doença avançava na cidade de Salvador e em todo o estado baiano o jornal Tribuna da Bahia de 21/03/1993, destacou: “Cólera ameaça 88% da população”. Segundo o periódico a epidemia teve início em 1992 e avançou por falta de medidas para contê-la”, já que era redutível por saneamento.

Em Teixeira, alguns pais moradores de áreas mais segregadas e sem saneamento, preocupados com a notícias e confiantes na crença de que o alho afastava a doença, confeccionaram pequenos cordões contendo uma bolsinha costurada com alho para uso dos filhos na escola, o que não impediu que crianças com alguns sintomas suspeitos fossem internadas e tratadas nos hospitais conveniados aos SUS, Santa Rita, Sobrasa, além do estadual Hospital Regional que com toda dificuldade impediu um mal maior.Até 1997, o Centro de Saúde Mãe Maria era a única unidade de saúde que ofertava vacinas para imunização no município. 

A partir de julho de 1998, com a municipalização da saúde foram abertos novos postos de saúde que hoje cobrem mais de 90% do município democratizando os serviço de vacinação e assistência médica em todos os bairros da cidade que no presente se encontra assustada com o coronavírus que alastra pelo mundo.

Fontes e Referências

MAZZOLENIS, Sheila. Almanaque Abril de 1981, são Paulo: Abril, 1981.MARTINELLI, Maria Lúcia. Serviço Social: identidade e alienação: 2° ed. São Paulo: Cortez, 1991.

Dos Santos.Jonival Alves, Dos Santos. Eliomar Pires.O tratamento médico e as práticas populares em Teixeira de Freitas nas décadas de 1960 e 1970. Uneb 2011.

Motorista é o primeiro caso de cólera na Bahia. Jornal do Brasil.  28/01/92

Tribuna da Bahia 18 de junho de 1992. Anais da Câmara dos deputados – Volume 18,Edição 27 – Página 17907

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

Foto da capa: Av. Castelo Branco. Autor e ano desconhecido.

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