Erivan Santana*
Ultimamente, tenho evitado ir ao banco, sobretudo para atendimento presencial, mas um dia desses, precisei ir. Depois de um bom tempo numa fila externa, sou conduzido ao interior do banco, e me sento em uma poltrona, imediatamente passo a observar as demarcações tão comuns, nesse tempo de Pandemia do Covid-19.
Ao lado, havia um senhor, já de idade, acompanhado do seu jovem filho. Eles começam a conversar, e eu deliberadamente, observo, atentamente.
– Pai, o senhor deveria acionar o atendimento digital do banco
– Para quê, filho, gosto do atendimento presencial, de conversar com os muitos amigos que sempre aqui encontro, e os funcionários sempre me atendem bem, e conversam comigo.
Do lado de fora, as pessoas começam a se impacientar; devido ao contexto atual, o atendimento bancário ficou muito deficiente, há um ar de medo, preocupação e ansiedade em todos, ali. Com a demora no atendimento, o filho retoma a conversa.
– Está vendo pai, como o atendimento está demorando? Poderíamos fazer tudo isso pelo digital e não haveria necessidade de virmos até aqui.
– Filho, eu venho aqui mais pela conversa e atenção dos funcionários para comigo. Eles perguntam pela minha saúde, pela família, me oferecem um café, conversamos sobre vários assuntos, política, causos e lembranças…
Diante do diálogo, ponho-me a refletir sobre a riqueza de reflexões e complexidades envolvidos nessa típica cena do cotidiano.
Ela revela a falta de afeto, de diálogo no âmbito da família, mas também em vários contextos, como ambientes de trabalho, relações pessoais, etc.
O atendimento comercial, salvo várias exceções, além de precário, é desumanizado, mal atende às necessidades do cliente.
A visão de mundo daquele senhor, em conversa com seu filho, despertou em mim diversas reflexões e sentimentos, sobre como estamos acostumados à banalização da vida, das pessoas e das relações.
Observei os seus cabelos brancos, e me lembrei da poeta Cora Coralina: “O conhecimento, nós adquirimos com os livros e a escola; o saber, aprendemos com a vida e as pessoas mais simples e humildes”.
Finalmente, sou atendido e deixo o banco, fazia muito frio e chovia em Texas, o dia estava convidativo para ler um livro, interpretar as sutilezas da vida e do mundo.
Erivan Santana: Texas, VIII, 2021
*Erivan Augusto Santana é colaborador do site, professor, escritor, poeta, graduado em letras e mestrando em Ciência da Educação e membro
Academia Teixeirense de Letras (ATL)
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