Por Daniel Rocha
No último fim de semana, o filme brasileiro Ainda Estou Aqui, dirigido pelo renomado Walter Salles, estreou em Teixeira de Freitas, Bahia, com sessões lotadas no Cine Teixeira. A exibição se tornou um dos maiores sucessos da temporada, evidenciando o poder da união de diversos grupos da comunidade.
A história que levou o filme à cidade começou na segunda-feira, 11 de novembro, quando membros do grupo de WhatsApp Cinema, TV e Série foram informados de que o filme não entraria em cartaz. A notícia causou indignação, uma vez que o longa não estava sendo exibido em nenhuma das seis salas locais, somando as do Cine Teixeira e dos shoppings Teixeira Mall e Pátio Mix.

“Raimundinho”, gerente do Cine Teixeira e membro do grupo, explicou que a única sala disponível estava reservada para o blockbuster americano Gladiador II. No entanto, a mobilização em apoio ao filme brasileiro foi imediata.
Comentários como “apertar o dono aí que a gente dá conta da divulgação” tomaram conta do grupo, que também recebeu apoio de outros grupos nas redes sociais, além de professores de escolas e universidades locais.
Na terça-feira, 12 de novembro, a tão aguardada notícia chegou: Ainda Estou Aqui estrearia na quinta-feira, 14 de novembro, às 18h. A divulgação rapidamente se espalhou por grupos de WhatsApp, escolas, universidades, páginas no Facebook e até de boca a boca nas praças e esquinas.

O resultado foi impressionante: Ainda Estou Aqui deu sinais de que seria um sucesso de público logo no primeiro dia, com uma história envolvente e impactante, e manteve a boa resposta do público em todas as sessões subsequentes que registraram lotação máxima com uma história envolvente se tornando o mais visto da semana no Cine Teixeira.
O filme, estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello, narra a história da família Paiva durante a fase de chumbo da ditadura militar brasileira, em 1971. Rubens Paiva, o pai e figura central da trama, é sequestrado e desaparece sob o regime autoritário, explorando a angústia da família e os desafios da busca por justiça, memória em tempos de repressão e o luto por um corpo ausente. Elementos que capturam a atenção do público do início ao fim.

No domingo, após a sessão lotada, parte do público, visivelmente impactado, discutiu a experiência nos corredores do cinema. Adriel Santos, estudante de História na UNEB-X, destacou a autenticidade do filme: “É uma arte que não romantiza o período e nem distorce os fatos, por isso é confiável. A angústia que provoca é um dos aspectos mais marcantes.”
Emanuelle Brizon, cinéfila, elogiou a força emocional do filme: “O silêncio do público durante toda a sessão foi impactante. É uma obra que une história e emoção de forma simples e tocante. O filme deixa todos paralisados e sem reação, é incrível o poder que essa história tem.”
A professora Liliane Fernandes, do curso de História da UNEB-X, visivelmente emocionada, refletiu: “O cinema estava cheio de gente. Os nossos corpos assistiram ao filme e foram atravessados por nossa História. Ainda estamos aqui na luta pela justiça, pelo direito à memória. E somos muitos!”

Nas redes sociais, o professor e cinéfilo Rafael Storto escreveu: “Sabe aquela sensação que doí? Foi o que senti ao fim desse filme. Ele terminou e ninguém saiu do lugar…esperando a dor passar. Há muito tempo que não vejo tanto respeito durante o filme (…) Estou feliz principalmente por saber que minha luta está no lugar certo! Se render nunca, retroceder Jamais! Democracia sempre!”
Para Raimundinho, o gerente do cinema, o maior sucesso do filme foi a interação ea conexão entre os grupos. “É uma combinação forte que faz bem ao cinema e garante que bons filmes, que não tem o poder do marketing, não passem despercebidos.”

E assim, “Ainda Estou Aqui” não foi apenas um filme exibido, mas uma conexão criada. A parceria entre a comunidade e os cinéfilos não só levou o filme às telas, que sem embargo também uniu diferentes grupos em torno da cultura e da história, provando que, quando esses elementos sociais se encontram, o resultado é um sucesso capaz de mobilizar diversos grupos na cidade e ter como resultado a eseprada e merecida lotação máxima para o filme.
Ainda vivendo cada cena desse filme,Ainda estou aqui!!!!
Muita emoção!