Por SINTREXBEM

As trabalhadoras da empresa Tecnoplanta Florestal LTDA, responsável pelo viveiro de mudas de eucalipto da Suzano S/A, localizada na comunidade de Helvécia, no município de Nova Viçosa-Bahia, estão em greve há 18 dias, desde o dia 8 de janeiro, conforme informado pelo SINTREXBEM.

Segundo Lourival Junior presidente do SINTREXBEM, embora a Suzano S/A insista em afirmar que não tem qualquer responsabilidade sobre a situação, alegando que sua relação com a empresa Tecnoplanta Florestal LTDA é restritamente comercial, o SINTREXBEM vê essa relação com estranheza. Isso porque segundo Lourival Junior, o viveiro foi construído pela própria Suzano e está localizado dentro de sua propriedade.

Além disso, as trabalhadoras da Tecnoplanta frequentemente relatam que a Suzano realiza inspeções no viveiro. Essa situação nos remete à expressão popular: “tem pé de porco, orelha de porco, focinho de porco e rabo de porco”. Ou seja, das duas, uma: ou é porco ou é feijoada. No entanto, neste caso, a Suzano quer nos fazer acreditar que se trata de uma raposa, enfatiza Lourival Junior.

A paralisação teve início devido à intransigência da empresa em apresentar uma proposta justa para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. Na última proposta apresentada, a empresa incluiu um mecanismo punitivo que prejudicaria as trabalhadoras. Caso a proposta fosse aprovada, uma das punições seria a perda do direito ao vale-alimentação para as trabalhadoras que apresentassem atestado médico de comparecimento, relata Antônio Marques diretor do SINTREXBEM.

As trabalhadoras, temendo represálias, pediram para não se identificarem, mas relatam que o ambiente de trabalho é extremamente hostil. Um exemplo disso, são as cobranças feitas de maneira pública, expondo as empregadas a situações vexatórias diante de todos. Outro ponto preocupante segundo as trabalhadoras é a alimentação fornecida pela empresa, na qual já foram encontradas desde insetos cozidos até pedaços de vidro.

Além disso, a gestão pede para as trabalhadoras usarem o banheiro em horários de intervalo, o que gera desconforto e constrangimento. Nem mesmo as gestantes são poupadas da pressão. A gestão adota frequentemente uma postura insensível, dizendo que “elas não estão em um clube” e exigindo produtividade, mesmo em situações que exigem cuidados especiais. Em alguns casos, as gestantes são impedidas de descansar ou mesmo sentar-se, mesmo quando apresentam sinais claros de desconforto, como inchaço dos pés, relata uma trabalhadora.

Outro relato gravíssimo informado pelas trabalhadoras referem-se ao uniforme. Segundo os relatos, as calças oferecidas pela empresa costumam rasgar entre as pernas devido ao atrito. Para realizar a troca dessas calças, as trabalhadoras precisam mostrar o rasgo. Como as calças se rasgam na região entre as pernas, as mulheres precisam se expor para mostrar o defeito, e a pessoa que geralmente realiza essa verificação é um homem.

Silvânio Oliveira, diretor do SINTREXBEM, relata que, dentro da cadeia produtiva da celulose, o viveiro é um dos setores com maior representação feminina. No entanto, é também o setor que, dentro da cadeia de produção, apresenta o menor salário, que atualmente não ultrapassa um salário mínimo. O mais triste é que a Suzano S/A realiza uma forte propaganda sobre igualdade de gênero, mas, na prática, isso não passa de um discurso para impressionar as pessoas. A realidade vivenciada por essas mulheres é totalmente diferente daquela propagada pela Suzano S/A.

Silvânio Oliveira também ressalta que conforme informado em seu site, a Suzano, em parceria com o Pacto Global da ONU – Rede Brasil e com o apoio da OIT, lançou uma iniciativa para promover os direitos humanos e o trabalho decente no setor florestal.

O objetivo é implementar ações devidas, conscientizar sobre condições adequadas de trabalho e melhorar a assistência aos trabalhadores. A iniciativa foi oficializada durante o evento “ODS no Brasil 2024”, realizado na sede da ONU, em Nova York, considerado o maior encontro global de sustentabilidade corporativa.

O vice-presidente de Sustentabilidade, Tecnologia e Inovação da Suzano, Fernando Bertolucci, afirmou: “A Suzano, que já possui uma forte atuação em sustentabilidade de direitos humanos, tem trabalhado para potencializar condições de trabalho seguras e justas, garantindo o cumprimento e a devida diligência dos direitos humanos não somente dentro da companhia, mas também na cadeia de valor florestal. Para entendermos que esses direitos são, além de uma responsabilidade, um elemento essencial para o futuro da nossa sociedade, estamos empenhados em envolver mais atores nessa agenda.”

No entanto, segundo Silvânio Oliveira, esse tipo de ação serve apenas para os diretores da Suzano posarem para fotos, se apresentarem como defensores de uma causa justa e para a empresa vender a imagem de uma organização preocupada e comprometida com uma sociedade mais justa e igualitária. Na prática, o que se observa é a perpetuação da injustiça e das condições precárias de trabalho para os trabalhadores, sendo tudo isso nada mais do que a pura hipocrisia de um empresariado cujos negócios se sustentam em um capitalismo primitivo e predatório.

-floresta Fonte:https://www.suzano.com.br/noticia/suzano-e-pacto-global-com-apoio-da-oit-lancam-iniciativa-para-promover-a-garantia-dos-direitos-humano-no-setor
Fonte: Acervo SINTREXBEM

Por fim, Silvânio Oliveira destaca que as trabalhadoras do viveiro pertencem, principalmente, a três comunidades quilombolas: Helvécia, Juerana e Cândido Mariano. Historicamente, os habitantes dessas comunidades foram explorados, inicialmente, durante o período escravagista pelos suíços e alemães proprietários das terras.

Atualmente, as terras pertencentes à Suzano, e as pessoas que nelas vivem ainda enfrentam condições indignas. Lutamos para que essa realidade mude e que essas pessoas possam ter trabalhos dignos e apropriados e que a terra que outrora foi produtiva pelo trabalho escravo possa hoje ser produtiva com justiça e igualdade.

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