A Praça da Bíblia

Por Daniel Rocha

A Praça da Bíblia, antes denominada Independência, foi urbanizada e inaugurada em abril de 1995. Na década de 1980 serviu de lugar para comícios, gincanas e eventos populares e  desde sempre foi um espaço de convivência e recreação para os moradores e visitantes.

O local também foi lugar de comércio devido à proximidade com o terminal rodoviário, hoje conhecida como “Rodoviária Velha”, onde diversos camelôs vendiam suas mercadorias. O serviço de frete era prestado por caminhões e carros pequenos, por isso era uma presença constante na paisagem. Durante meados da década de 1980 e início da década de 1990, a praça foi palco para as gincanas realizadas durante a  festa de aniversário da cidade onde diversas tarefas eram realizadas ao ar livre durante o dia e a noite

Segundo Tomires Monteiro, em entrevista a TV Sul Bahia  em maio 2013, as gincanas eram significativas porque buscava através de atividades culturais e esportivas valorizar aspectos da história e cultura do município.

Durante a festa as equipes, Equipicaço, Makakreó, Equipiraça, Equipapel, Junso, Furacão 2000, Ekipe gol  e outras, enfrentavam os desafios das tarefas relâmpago de curta duração e os tarefões de longa duração. As equipes contavam com 300 a 400 membros aproximadamente. De acordo o informativo sobre a festa do ano de 1990, Shopping News, havia também a eleição da Garota Gincareta e a entrega da chave da cidade.

Outro evento permanece vivo na memória de alguns moradores, trata se de estudo Bíblico regional. De acordo com Nilda Oliveira, Osvaldo Souza e Natalino Almeida, em uma conversa informal em 2012, o nome Praça da Bíblia  e uma homenagem prestada aos dias 11 e 13 dezembro 1986, quando foi realizado um encontro de igrejas evangélicas do extremo sul da Bahia na cidade para uma maratona de  72 hs de estudo bíblico.

A senhora Nilda Oliveira, por exemplo, lembra que no dia do evento foi montado um grande palco para receber os líderes regionais, houve apresentações diversas como bandas e corais dos jovens evangélicos e cantoras de diversas partes da região.

No entanto não tive acesso a nenhum registro escrito ou fotográfico sobre o evento. Para afirmar com maior propriedade se o nome foi ou não escolhido em homenagem o evento e necessário uma pesquisa melhor sobre este assunto. Aqui faço apenas uma suposição tendo como base conversas informais sobre  a praça.

Depois da urbanização em 1994 a população recebeu a praça com alegria e a transformou de acordo seus anseios. Por exemplo, o corredor onde fica hoje a praça de alimentação era um passeio aberto que depois a pedido dos patinadores foi transformada em pista  de patinação, febre no ano de 1995 e 1996. No início da década de 2000  a área  foi transformada em praça de alimentação.

Como mostra uma das fotos que ilustra o texto, era comum a criançada brincando na praça e no parquinho que contava com, escorregadores e balanços.   No palco da praça, que hoje serve a apresentações culturais e manifestações populares,  há uma placa destacando amplamente a forte pasceria do governo municipal e estadual com uma empresa de celulose “em homenagem e gratidão ao povo de Teixeira”.

A coparticipação da empresa na construção do espaço público faz lembrar a denúncia feita por Koopmans no Livro, Muito além do Eucalipto, de que na primeira metade do século passado as prefeituras da região, desassistidas pelo poder público, quando precisavam de apoio encontravam facilmente nos braços do empresariado local:

“A ausência e a omissão do estado nos setores públicos, como saúde, educação, etc., faz com que as pessoas comecem a sentir falto dos direitos constitucionalmente garantidos e transfere esse seu sonho justo, para aquele que, não somente captou este sonho do povo, mas também fomenta o mesmo através de sua propaganda. A propaganda das empresas e o sonho justo de um povo esquecido e roubado dos seus direitos principais de ter uma vida digna”. (Koopmans, 2005 p. 65).

Segundo  Maria Dercilia , sobrinha do pioneiro Manoel de Etelvina, que ficou conhecido como o Tira-Banha, o local na década de 1950, servia de passagem para as roças de mandioca de seu tio. É  de se estranhar que na praça nenhuma placa lembre os pioneiros, as gincanas, festas da cidade e o evento Bíblico de 1986.

 Referencias.

LEMBRANÇAS DE TEIXEIRA .SBN Meio Dia. Teixeira de Freitas: TV Sul Bahia. 13 de Agosto de 2013. Telejornal.

Shopping News. Aniversario da cidade 1985-1990.Teixeira de Freitas BA.

KOOPMANS. Padre JoséAlém do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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