O conjunto Penal de Teixeira de Freitas – Parte 01

 Por Daniel Rocha

Como reagiu a população de Teixeira de Freitas ao anúncio da construção do presídio estadual na cidade? Este trabalho tem por finalidade informar e apresentar minha versão sobre a resistência da população teixeirense a construção do presídio. Analisar os números dos primeiros anos de funcionamento do lugar e os trabalhos prestados pelas instituições sociais no conjunto penal.

 Primeira Parte

 Março de 2000, vestidos de preto usando cartazes e palavras de ordens os alunos da Escola estadual Ruy Barbosa (foto) saíram rumo à Praça da Bíblia para protestar contra a violência crescente na cidade de Teixeira de Freitas.

Repetiam o ato que havia sido organizado um ano antes, 1999, quando diversos setores da sociedade como; associações de moradores, movimentos estudantis, CDL, OAB, Maçonaria, Sindicato dos Bancários e comerciários, C.D.D.H, UNEB – Universidade do Estado da Bahia, Pastoral da Juventude, Pastoral da Família, protestaram contra a implantação do presídio de segurança máxima na cidade.

Segundo o panfleto distribuído no dia da passeata em 1999 a imprensa do estado havia divulgado que a câmara municipal tinha aprovado a construção do presídio na área que de fato hoje ocupa, próxima Universidade Estadual da Bahia, UNEB e da EMARC – Escola Média de Agropecuária Regional da CEPLAC, hoje IFBA – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia. 

Panfleto

Em tom de alerta o panfleto distribuído entre os manifestantes apontava as possíveis consequências e os riscos que estariam expostos à cidade se o projeto de construção fosse de fato executado.

“Trata-se de um projeto de grande porte que trará bandidos altamente perigosos, não só da nossa região, mas até de outros estados. Portanto passaria a residir em nosso município além dos detentos, seus comparsas aumentando a criminalidade, a insegurança, o pânico com consequências graves a população em geral. A implantação do dito presídio afastará a possibilidade de novos investimentos.” 

Convém dizer que população também já havia se manifestado em outras ocasiões exigindo uma nova cadeia pública, por isso uma frase se destaca no panfleto “presídio de segurança máxima, não é cadeia pública”.

Curioso observar que neste mesmo ano,1999, no mês de maio havia sido inaugurado  novo complexo policial de Teixeira de Freitas a 8º coordenadoria de polícia do Interior (Corpim). 

Ocorre que diante da  pressão popular pela construção de uma nova cadeia pública  levou  o prefeito da época, Wagner Mendonça, aceitar também a construção do presidio que já havia sido recusado pela cidade de Eunápolis, assim dava conta os ditos populares da época.

Pressão que levou um ano antes, 2000, alunos da escola Ruy Barbosa vestidos de preto, usando cartazes e palavras de ordens ocuparem à Praça da Bíblia para protestar contra a violência crescente na cidade de Teixeira de Freitas que piorar com a instalação do presidio.

Três anos depois do anúncio da construção, em 30 de Março de 2001, o CPTF – complexo penitenciário de Teixeira de Freitas foi inaugurado com capacidade para abrigar 268 presidiários das 21 cidades que compõem o extremo sul da Bahia.

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