Filmes que marcaram época em Teixeira de Freitas: Titanic

Por (Daniel Rocha)
Em Dezembro, de 1996, depois de cinco anos sem uma sala de cinema na cidade, os moradores de Teixeira de Freitas voltavam a desfrutar da magia da sétima arte com a inauguração do Cine Teixeira, no Shopping Teixeira Mall, que conquistou definitivamente o público com a exibição do filme Titanic, fenômeno de bilheteria e de repercussão em todo país e na cidade.

Durante os anos da década anterior a inauguração da sala, 1980, a cidade de Teixeira de Freitas chegou a contar com o funcionamento de três cinemas de rua, o Cine Brasil, Cine Horizonte e o Elisabete, que reinou da década de 1960 ao início dos anos 80.

Os cinemas de rua, diferentes dos cinemas dos Shopping Center, estabelecia conexões com o espaço da cidade e pontos populares próximos, com os bares, lanchonetes, feiras, calçadas e praças, locais de itinerâncias de gente popular.

O mesmo ocorre com os cinemas de shopping, de modo que o espaço onde se localiza é movido pela lógica do consumir para estar lá e isso, a princípio, pode ter contribuído para afastar ,num primeiro momento, os frequentadores habituados ao outro estilo de sala de exibição, principalmente os mais pobres.

Mas todo esse estranhamento chegaria ao fim com a estreia do filme Titanic no segundo semestre de 1998 ao atrair um público e variado formado por pessoas de todas as idades, classes e credos.

Produzido e dirigido pelo diretor canadense James Cameron, o filme bateu todos os recordes de arrecadação no país e na cidade ao narrar o romance proibido entre dois jovens (Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) em meio a fatídica viagem do transatlântico em 1912.

Premiado com 12 Oscar, a produção entrou em circuito comercial de exibição em janeiro de 1998 no Brasil e ficou por quase um ano em cartaz nas principais salas de cinema das capitais. Por essa razão, a fita demorou a chegar nos cinemas do interior, como o Cine Teixeira, já habituado a ver filmes fora do circuito comercial.

Tal fato levou a população local a aguardar ansiosamente para ver o filme e comprar  todo tipo de produto ligado aos astros principais, Leonardo DiCarprio e Kate Winslet.

Alguns fiéis ligados a religiões protestantes, com base na frase dita pelo capitão do navio “Nem Deus afunda o Titanic”, distribuíram antes e durante a chegada do filme, pequenas filipetas com fotos impressa do navio e com os seguintes dizeres escritos.

“NÃO SE ZOMBA DE DEUS! Na Bíblia está escrito: “Não vos enganeis, de Deus não se zomba, pois tudo o que o homem semear, isto também ceifará”. (Gálatas 6:7)

Toda essa exposição fez com que durante a estreia do filme se formassem filas quilométricas no corredor defronte ao cinema até a entrada no shopping.

Segundo José Raimundo Santana Fontes o “Raimundinho”, gerente do cinema, devido a procura inédita a direção do Cine Teixeira teve que disponibilizar diversos horários, principalmente pela manhã, coisa que raramente aconteceu nos primeiros anos de funcionamento da sala.

Tanto que o filme ficou quatro meses em cartaz, um recorde ainda não superado, e atraiu mais de 16 mil pessoas. Ainda de acordo com o gerente, a procura pelo filme era tanta que ao esgotar as entradas ele era obrigado a se esquivar do eufórico público, muitos vindos de cidades e estados vizinhos que chegavam em excursões organizadas.

Lembra também que apesar da grande procura, o filme não trouxe lucro nenhum porque na época o ingresso era vendido por um preço muito baixo, ao ponto de ter sido o Cine Teixeira considerado pelo jornal A tarde, em 2002, o cinema com a entrada mais barata do Brasil. Não teria sido  esse o motivo da aproximação da massa?

Mas porque esse filme fez tanto sucesso no país e na cidade? Difícil entender?  Na ocasião da exibição do filme  na TV em 2014 o crítico de cinema Ignácio Araujo arriscou um palpite  sobre o sucesso no mundo.

“É fantástico o que ocorre com o filme de James Cameron. Foi feito em 1997. Trata, de certo modo, da arrogância do homem, da crença de que pode criar “o indestrutível “. O mundo , em 1997, vivia em euforia. Mais ou menos como na época do naufrágio. Porque, então, multidões acorreram para ver essa história? talvez porque pudéssemos adivinhar que depois da bonança vem a tempestade. Ela viria, na forma de crise gigantesca, em 2008”.

Fontes:

ARAUJO. Ignácio. Historia de amor de “Titanic” é  uma desgraça, como o naufrágio. Disponível
em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/04/1440484-critica-historia-de-amor-de-titanic-e-uma-desgraca-como-o-naufragio.shtml . Acessado em Agosto  de 2015.

Conversa informal com José Raimundo Santana Fontes o ” Raimundinho”. Agosto de 2015.

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

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