Tocha olímpica em Teixeira de Freitas II : Teixeirense pretende levar o Rugby para todas as escolas do município

Em breve todos os estudantes do município de Teixeira de Freitas e da Costa das Baleias vão poder jogar Rugby, esporte de origem inglesa, na própria escola. É o que promete o teixeirense Diego Hamilton Reis, 30 anos, fundador do primeiro time de Rugby de Porto Seguro -BA, em entrevista exclusiva para o site tirabanha.com. Confira!

 

Morou em Teixeira por quantos anos antes de migrar para Porto Seguro? Morei até o final de 2002, quando me mudei para Porto Seguro para fazer faculdade de Administração. Estudei no IFA (Colégio das Irmãs) do maternal até o 3º ano do Ensino Médio. Foi lá que através do Professor de Educação Física, Luíz (conhecido como Luizão, hoje é árbitro de Tênis) que entrei na equipe de Handebol da escola. Participei de diversos jogos inter-colegiais, onde a rivalidade entre as escolas era real e nos levava a competir de uma maneira mais intensa.

Em Teixeira de Freitas que esporte praticou e que time jogou?

Em Teixeira de Freitas fui atleta do Jacarandá Country Club na Natação, onde representei de 1997 a 2002 a equipe principal da cidade. Em 1999 entrei para seleção de Handebol de Teixeira de Freitas, onde fui treinado pelo Professor Cláudio (já falecido) e por Marco Antônio. Joguei pela seleção de Teixeira até 2002, pois a partir daí passei a jogar pela seleção de Porto Seguro. Também joguei na seleção juvenil de Basquete entre 2000 e 2001. Mas foi no Handedol que mais me dediquei e me destaquei.

Alguma conquista em especial?

Na natação sempre cheguei às finais ou às semifinais e conquistei muitas medalhas. Já no Handebol, naquela época as equipes eram muito equilibradas, fizemos verdadeiros clássicos contra as equipes de Prado, Itamaraju, Eunápolis, Guaratinga, Ibirapuã, Itabuna, Ilhéus, Feira de Santana… Contra esse último é que conquistamos nossa maior glória. Foi no JAMA (Jogos Abertos da Mata Atlântica) em Ilhéus ano 2000. Estávamos na chave mais difícil do torneio e logo de cara pegaríamos uma das equipes mais fortes da Bahia. Nosso treinador não pode ir e no lugar foi o Gleydson (Iceberg) jogador veterano que apostou no time e em mim também, ao me colocar de titular, eu com apenas 15 anos. Ganhamos o jogo no final e foi a surpresa do torneio. Acabamos ficando na semifinal, mas aquele jogo foi inesquecível!

 

Como e quando conheceu o Rugby? O Rugby entrou na minha vida em 2007 quando eu assisti pela televisão à Copa do Mundo de Rugby. Mas só em 2012 que resolvi criar uma equipe de Rugby aqui em Porto Seguro e me aposentar do Handebol.

 

Como surgiu a ideia de montar um time de Rugby em Porto Seguro?

Eu já estava triste e desanimado com o rumo do Handebol aqui em Porto Seguro e em toda a Bahia. Não havia (e ainda não há) organização. Então o Rugby veio aparecendo, fui acompanhando e estudando, até que um dia vi que o Brasil havia marcado contra uma seleção de alto nível e que vencera a Argentina (uma das potências do esporte) numa das maiores zebras do esporte, quebrando um tabu de 72 anos.

Fui entendendo um pouco do esporte e percebi que era tudo o que eu queria, pois tudo no Rugby é baseado nos seus 5 Valores: Respeito, Disciplina, Integridade, Solidariedade e Paixão.

Sempre gostei das coisas certas, sempre fui muito sério e é assim no Rugby. Então foi como se eu já estivesse pronto para o Rugby, só faltava começar. Aí surgiu a ideia de montar um time, pois em Porto Seguro não havia treinador, jogador, nada… comecei tudo do zero.

Comprei 3 bolas e comecei a estudar. Entrei em contato com treinadores e dirigentes de vários clubes do Brasil, e todos eles dedicaram seu tempo em me ajudar. Na Bahia a Federação e seu presidente à época me deram total apoio. Aí eu só me certificava que tinha feito a escolha correta.

 

Quais dificuldades tiveram que superar?

No início foi a falta de praticantes, de locais adequados para treino, recursos para logística de competições… mas estamos superando tudo isso. A vida nos ensina a persistir no sonho, e estamos em busca do sucesso. Levar o Rugby e seus valores para o máximo de pessoas, promover a saúde através do esporte e gerar atividades sócio-educativas para a sociedade, são nossos objetivos.

 

Quantos anos de fundação têm o time Toruks ?

Em agosto de 2012 iniciei o planejamento, para só em março de 2013 começar com o primeiro treino. Temos 3 anos do primeiro treino.

 

Em 2015  Toruks se tornou campeão baiano ao vencer o Orixás por 44 a 12. Foi a primeira grande conquista do time?

Foi a grande conquista com certeza. Haja vista que o Orixás de Salvador nunca havia perdido uma partida sequer para um time baiano. Mas tudo foi fruto de muito trabalho e muita dedicação. O Rugby é um estilo de vida ao qual eu vivo diariamente. O ano de 2015 foi realmente especial, fomos campeões baianos de Rugby de Praia (Beach Rugby), campeões baianos de Rugby XV (modalidade do Rugby jogada com 15 atletas em cada time e a mais praticada no mundo todo), fomos vice-campeões Capixaba em Vitória-ES no Rugby Sevens (modalidade olímpica e jogada com 7 jogadores em cada time), e ficamos em 3º lugar no Torneio Internacional de Beach Rugby, onde ganhamos o troféu de Destaque da Competição, pois vencemos duas equipes estrangeiras que eram candidatas ao título. Além de iniciarmos a equipe feminina que já está nos dando muitos títulos e alegrias. Sim, as mulheres jogam Rugby e jogam muito bem.

 

O que esse título significou para o time?

Significou a maturidade e superação de cada um, foram grandes batalhas que os atletas passaram para conquistar de forma categórica aquele título. O Toruks Rugby entrou para o cenário do Rugby nacional ao se tornar campeão baiano em cima do poderoso Orixás de Salvador.

Pretendes voltar para Teixeira de Freitas e montar um time aqui?

Não só pretendo como já temos um projeto em andamento junto com a FRB (Federação de Rugby da Bahia – www.bahiarugby.com.br) que levará o Rugby para as escolas de Teixeira de Freitas e de toda a Costa das Baleias e Extremo Sul baiano. Ainda no 1º semestre faremos capacitações com os professores de Educação Física das escolas para ensinarmos à eles como eles podem ensinar Rugby nas escolas. Eu inclusive faço parte do grupo de facilitadores da Federação (TreinaBahia) que aplica e ministra os cursos de Rugby para iniciantes e professores de Educação Física interessados em levar o Rugby para sua escola. Esse é o primeiro passo. Logo em seguida vem a criação de clube de Rugby em Teixeira de Freitas. Estou ansioso para este dia chegar e podem contar que será uma equipe vitoriosa e que dará muitas alegrias ao Teixeirense.

 

Para você a realização das olimpíadas no Brasil tende a despertar o interesse pelo esporte? Sim, a entrada do Rugby Sevens nas Olimpíadas só fez crescer o Rugby no Brasil e na Bahia também. Muitas pessoas já querem jogar Rugby ao invés dos esportes tradicionais no Brasil e isso é muito bom. Já pensou todos eles com os valores do Rugby em suas vidas? A sociedade ficaria mais justa e mais respeitada.

 

Para um atleta como você, qual o significado da passagem da tocha olímpica pela região onde o Brasil começou? Será algo grandioso no qual o Rugby irá participar. A Prefeitura,Porto Seguro, já nos contatou e deveremos participar de algum evento público em relação à Tocha. Isso é muito importante, pois daremos a chance de muitas pessoas conhecerem nosso esporte e saber que não é só de futebol que vive o brasileiro.

 

Você gostaria de participar do revezamento ? Sinceramente gostaria, pois seria uma oportunidade ímpar em representar o esporte que escolhi, não apenas para ser jogador, mas sim para seguir um estilo de vida.

Qual a mensagem deixa para os jovens atletas da cidade de Teixeira de Freitas?

Jovens e adultos, homens e mulheres, estejam prontos e fiquem ligados, em breve o Rugby chegará com tudo em Teixeira de Freitas e faremos história. O Rugby ensinará muitas lições de vida e será um desafio importante na vida de cada um participante. É um esporte de muita disciplina e muito respeito, e se é isso que você busca para sua vida e para a vida dos seus filhos, venha para o Rugby, faça parte dessa Irmandade!

Algum outro comentário?

Sim, quero dar os parabéns ao seu trabalho Daniel, é algo louvável e fico muito feliz em saber que ainda existem ótimas pessoas como você, uma pessoa que se preocupa com a história das suas raízes e da nossa trajetória. Continue com esse belo trabalho e tenha certeza que o Rugby será parte dessa linda história de Teixeira de Freitas!

 

Diego  Hamilton Reis  foto : 3º agachado  direita p esquerda

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