Por Egnaldo Oliveira Soares e Iracema Jesus do Nascimento* *

Em 1972 o artista plástico, militante ecológico e escultor Frans Krajcberg chega a Nova Viçosa, no Extremo Sul da Bahia. Ele buscava as árvores como companhia e como matéria-prima para seu trabalho, mas de forma diferente, pois ele fazia nascer de troncos e raízes queimadas suas obras de artes.

Frans Krajcberg viveu no sítio natura, localizado em Nova Viçosa próximo da praia e tendo ao seu redor uma floresta com cerca de dez mil árvores de espécies nativas, que ele mesmo comprou e plantou. Krajcberg faleceu no dia 15 de novembro de 2017, deixando um grande patrimônio cultural e histórico na nossa região do Extremo Sul da Bahia.

Muitos ainda não tiveram a oportunidade de conhecer suas obras, sua trajetória e sua importância no campo das artes. Nesse sentido temos o objetivo de aguçar a curiosidade do leitor para ir ao encontro do museu deixado por ele em Nova Viçosa.

Frans Krajcberg (1921 – 2017) foi um escultor, pintor, gravador e fotógrafo polonês, naturalizado brasileiro. Nasceu no dia 12 abril de 1921 na Kozienice, um lugarejo no interior da Polônia. Foi um homem que viveu uma história de amor e respeito pela floresta. Ele é respeitado, admirado e tem seu trabalho reconhecido nos mais diversos países. Foi um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial e um grande defensor da natureza onde há décadas protestou contra a devastação da mata atlântica. E em um tronco de um petizeiró queimado construiu sua casa.

Foto: https://espacoecologiconoar.com.br

Krajcberg nos revelou que o amor pela natureza pode produzir grandes modificações isso pode ser visto no sítio onde morava em Nova Viçosa. Em 1972 quando chegou em Nova Viçosa, o sítio natura acabara de ser desmatado e a vegetação estava morta. Krajcberg então decidiu replantar a mata, comprou dez mil mudas de espécies nativas e repôs. Quase cinquenta anos depois o que era terra devastada converteu-se em uma maravilhosa floresta consistente e abundante e no meio dessa mata que plantou e viu crescer, Krajcberg construiu quiosques que funcionava como um museu particular onde ele guardava o seu próprio acervo. Antes de falecer ele doou todo o seu patrimônio para o estado da Bahia, pois não tinha a quem deixar daí esse museu se tornou propriedade pública.

O museu possui mais de trezentas peças e todas elas foram esculpidas com pedaços de árvores, cipós apanhados nas derrubadas, nas queimadas, grandes peças que o próprio Frans dizia que dinheiro nenhum comprava, algumas delas foram apresentadas em Paris. Muito mais que arte a obra de Krasjberg é também uma marca da habilidade que a natureza tem de renascer.

Frans Krajcberg que defendia a natureza com toda a sua força era consagrado por muitos como um escultor da madeira, por realizar grandes artes nos troncos de árvores arrancadas.

E qual o significado dos museus e dos patrimônios culturais? A preservação dos patrimônios culturais e dos Museus é de grande importância para a gente saber de onde viemos e entender com o nosso passado e termos a memória disso fixada de maneira que não apenas nós, mas gerações futuras vão poder ter acesso a essa memória.

Na constituição federal de 1988 do caput do art. 215 e 216 que vai falar dos direitos culturais dos brasileiros pelo menos em teoria, todos os cidadãos brasileiros têm direito a ter acesso aos mecanismos de Cultura os monumentos, os museus e as tradições das mais diversas origens, ou seja, como produzimos as artes e as manifestações culturais. Elas devem estar à disposição dos indivíduos sem restrições e impedimento ao acesso

Foto: espacoecologiconoar.com.br

O Brasil é um país de grandes riquezas culturais e é importante que o poder público, nos seus diferentes níveis – municipal, estadual e federal – crie políticas públicas que incitem e possibilitem o conhecimento de nossas culturas e patrimônios históricos que são relacionados com a nossa identidade. No Extremo Sul, por exemplo, temos o museu muito famoso no exterior e pouco conhecido por nós baianos e teixeirenses, o museu Franz Krajcberg, situado em Nova Viçosa.

Saber da existência de um museu, que pertence ao Estado da Bahia e pouco é acessado pelas pessoas nos faz desejar que haja, no futuro próximo, ações no sentido de fazer acontecer o que está previsto nos artigos 215 e 216 anteriormente mencionados. Estamos vivendo tempos de pandemia da COVID 19 e há, nesses tempos de “desertos e madeiras queimadas” a necessidade de isolamento físico em defesa da vida.

Contudo, importante destacar, que os avanços tecnológicos têm trazido benefícios imensos para nós e para a sociedade. As experiências de visitas virtuais a diferentes museus estão aí a comprovar tal afirmação. Isso nos favorece a visitar lugares distantes através da tecnologia virtual nos aproximando de linguagens artísticas diversas e fundamentais para a vida que ainda pulsa.

Referências:

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. Disponível em: . Acesso em: 25 jun. 2021.

https://espacoecologiconoar.com.br/conheca-o-ativismo-do-artista-plastico-frans-krajcberg-em-nome-da-amazonia/. Acessado em: 23-06-2021.

KRAJCBERG, O poeta dos vestígios. Direção: Walter Salles Júnior. Produção: Carla Niemeyer. Fotografia e câmera: Walter Carvalho. Narração: Paulo José. Brasil: Vídeo Filmes – Rede Manchete, 1987 (45min.).

OLIVEIRA, Uillian Trindade. Frans Krajcberg: história de vida e processo de criação. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Educação. Espírito Santo.2015.

Imagens fontes:

Figura 01 :

Fonte:https://espacoecologiconoar.com.br/conheca-o-ativismo-do-artista-plastico-frans-krajcberg-em-nome-da-amazonia/. Acessado em: 23-06-2021

Figura 02:

Fonte:https://espacoecologiconoar.com.br/conheca-o-ativismo-do-artista-plastico-frans-krajcberg-em-nome-da-amazonia/. Acessado em: 23-06-2021.

Figura 03:

Fonte:https://espacoecologiconoar.com.br/conheca-o-ativismo-do-artista-plastico-frans-krajcberg-em-nome-da-amazonia/. Acessado em: 23-06-2021.

*EGNALDO OLIVEIRA SOARES e IRACEMA JESUS DO NASCIMENTO : Graduando do curso de história –UNEB ( universidade do Estado da Bahia – campus X).

Texto produzido no componente Estágio curricular supervisionado III do curso de licenciatura em História, sob orientação da professora Liliane Maria Fernandes Cordeiro Gomes.

** Texto produzido por Iracema Jesus do Nascimento no Componente Cultura Documental e Patrimonial II, sob orientação da professora Gislaine Romana Carvalho da Silva.

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