Por Daniel Rocha
É inegável a habilidade do diretor James Gunn em criar obras inusitadas, originais e criativas como Guardiões da Galáxia vol. 3, contudo, ao analisar o filme sob uma lente mais crítica, é possível identificar a presença de elementos que reproduzem a lógica capitalista que permeia a indústria cinematográfica.
Em primeiro lugar, a trama é estruturada em torno da figura do vilão, que é apresentado como um ser completamente perverso e amoral. Esta construção reforça a ideia de que o mal está sempre localizado em um indivíduo específico e não nas estruturas sociais e econômicas que geram a desigualdade e a exploração.
Além disso, o filme não aborda diretamente as questões políticas e sociais que envolvem o universo que retrata. As diferenças entre as espécies e as relações de poder são naturalizadas, e não há um questionamento sobre a exploração e a opressão que podem estar presentes nesse contexto.
Por outro lado, é importante destacar que o filme traz elementos originais que podem ser interpretados como uma crítica ao sistema capitalista. A figura do personagem Rocket, por exemplo, representa a exploração do trabalho humano, já que é um ser criado artificialmente para realizar tarefas específicas. A apresentação do seu passado sombrio em um museu de horrores evidencia a crueldade com que as criaturas são tratadas nesse universo fictício e no real.
Além disso, a mensagem central do filme sobre o valor da família e da união pode ser interpretada como uma defesa do coletivismo em contraposição ao individualismo propagado pela cultura consumista e capitalista.
A trilha sonora da cultura pop dos anos 80 também pode ser vista como uma forma de resgate de elementos da cultura popular que foram esquecidos ou desprezados pelo mercado cultural dominante que cada dia mais trata a música como mais um novo produto a ser multiplicado e vendido.
Em suma, Guardiões da Galáxia 3 é uma obra que mescla elementos da fantasia, ficção científica, comédia, drama e terror, e que encerra a trilogia de forma admirável. Contudo, é importante reconhecer que por mais que a originalidade do diretor faz dela uma obra diferenciada porque embora reproduz elementos da lógica capitalista, em alguns aspectos, também faz ter força um suave crítica social a sociedade de consumo.
Em cartaz:
Em Teixeira de Freitas – Cine Teixeira – 17hs e 20hs*
Em Itamaraju – Cinextreme- 16:15 – 19hs- 21;45*
Em Porto Seguro – Cine Plaza Porto– 17hs – 20:15*.
*Programação sujeita a alterações
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