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O morador que esteve na festa que terminou com dois feridos em 1967

Por Daniel Rocha*

Tudo começou no salão de uma pensão onde moradores do então povoado de Teixeira de Freitas dançavam em um baile beneficente em prol da construção da igreja “São Pedro” quando um “desconhecido” provocou uma confusão que terminou com dois policiais esfaqueados. 

Quem era o desconhecido? O motivo do desentendimento? Ninguém sabia responder até o antigo morador Jair de Freitas Correia, da dupla “Primo e Sobrinho”, que esteve presente no baile, falar sobre os detalhes que não foram revelados pela notícia publicada no jornal de 1967.

Segundo Jair naquela época o povoado estava tomado por pensões e animado pelos geradores de energia que movimentavam o cinema e os bailes. A festa onde ocorreu a confusão foi organizada em um salão localizado na Praça dos Leões, onde hoje fica uma farmácia. Como foi relatado pelo jornal, o baile tinha como fins arrecadar dinheiro para construção da igreja “São Pedro”, então capela de “São Sebastião.” 

O baile reuniu moças e rapazes e casais do lugar que tinham a intenção de se divertir e namorar “com decência e respeito.” Contudo, a presença de “Sivaldo” um trabalhador do DERBAdepartamento de Infra Estrutura de Transportes da Bahia ,que não seguiu esse roteiro alterou as expectativas e a rotina do baile.

Conforme rememora Jair, alguns desses jovens trabalhadores, oriundos de Salvador, chegaram no povoado em 1964 para trabalhar na estatal baiana e trouxeram hábitos e comportamentos estranhos aos olhos e o modo local, nem todos eram queridos e bem-vindos em todos os espaços. 

“Alguns, não todos, assediavam as mulheres e gostavam de ter fama de pegadores…. Gostavam de dar uma de “macho” e andavam armados provocando brigas por onde passava como se fossem os donos do povoado” destacou Jair. 

Igreja São Pedro

No povoado já existia um certo estresse provocado pela interferência de migrantes em relação ao nome da igreja que passou de “São Sebastião” para “São Pedro.”De acordo com ele o nome foi trocado a pedido dos migrantes entrosados com o padre e envolvidos na campanha para “construção da igreja”.

A “nova igreja” de São Pedro foi inaugurada em 09 de fevereiro de 1969, durante a festa de São Sebastião. A festa popular era tradicional e realizada pelos moradores desde o surgimento do povoado no espaço da praça dos Leões. Sobre isso cita frei Elias que a capela ganhou “democraticamente, mas com alguma pressão do vigário, São Pedro como padroeiro.”

Sobre a alcunha “Arrepiado” contou Jair que o povoado nunca foi chamado pelos moradores por esse apelido: “Na verdade era “Rupiaria” e não tinha nada ver com o jeito de ser dos moradores como costumam contar. “Arrepiado” foi arranjado pelos de fora, como foi também o nome Teixeira de Freitas”.

Conforme lembra, foi nesse contexto de incômodo que a presença indesejável e o mau comportamento do Sivaldo, um capoeira soteropolitano, provocou o dono da pensão que reagiu gerando a confusão que terminou com dois policiais “furados”, Arlindo e José, e o próprio Sivaldo que foi baleado na perna por um disparo do policial. “Foi sangue para tudo que é lado.”

Assim é possível supor que a chegada de grande leva de migrantes ao pequeno povoado e o chamado “desenvolvimento ” nada tinha a ver com a visão de mundo, cotidiano e querer dos moradores motivando assim casos de violência. No presente o crescimento econômico do município que historicamente privilegia alguns e não todos, também pode ser considerado um fator gerador de confrontos. 

Fontes:

Homem quis matar soldados a facadas em Teixeira de Freitas. FN. Fevereiro de 1967.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

Conversa informal com Jair de Freitas Correia em  02 dezembro de 2019.

Foto: Festa de São Sebastião. Ano desconhecido. Fonte: Documentário Histórico da TV Sul Bahia, 1996. Print.

 Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Teixeira de Freitas 2006: Cemitério fez um puxadinho para os pobres

Por Daniel Rocha

Na morte somos todos iguais, certo? Nem sempre. O lugar do descanso eterno depende de quanto à família dispõe para pagar pela cova. Em 2006 em Teixeira de Freitas, BA, os administradores do cemitério Jardim da Saudade providenciaram um ‘puxadinho’ em uma área pública próxima para enterrar os mortos mais pobres.

Vinte anos depois da abertura, o Jardim da Saudade, ou como era conhecido “Cemitério Novo”, então o único em atividade na cidade, havia esgotado sua capacidade de sepultamento e diante disso uma área alagada de 1.100 metros quadrados, cheia de lixo que servia de pasto para cavalos,” foi transformada pela Prefeitura em um “recinto extra” para as famílias que não tinham R$ 261 para comprar uma vaga e enterrar seus parentes na área oficial.

“Só temos um cemitério na cidade, e quem não paga realmente está sendo enterrado em outro local”, disse o então secretário de Infraestrutura, Marcelo Antônio de Azevedo a reportagem do Jornal Alerta que registrou essa perspectiva sobre o fato.

A notícia também repercutiu nacionalmente através da versão virtual do paulista Folha de São Paulo, de 26 de Abril de 2006. De acordo com o jornal o “cemitério gratuito” foi criado pela prefeitura a menos de 30 metros do Jardim da Saudade, rua de trás. Na época da reportagem o “puxadinho”, hoje conhecido como Jardim da Saudade II, já tinha cerca de 150 corpos enterrados no local.

Lixo no entorno. Foto 2011

“Aqui não existe nenhuma dignidade, há cachorros e muito lixo o tempo todo. Não sei como as pessoas não que moram perto daqui não reclamam porque os urubus não saem do local”, disse o agricultor Fernando Santos Oliveira, 41, ao periódico paulista.

Sobre os responsáveis pela administração do Jardim da Saudade explicou que as famílias que não podiam comprar uma vaga na área oficial do cemitério eram enterradas no “puxadinho”ao custo de R$13 , valor referente a um “aluguel” de três anos. Depois os restos mortais seriam recolhidos a um depósito no cemitério.

“Aqui é uma área de alagamento se a gente cavar um pouco a água começa a minar”, reclamou o aposentado Carlos Albuquerque dos Santos, 70, em uma versão do texto publicado no jornal local Alerta de 23 de abril de 2006.

Ainda de acordo com o impresso local de maio do mesmo ano, a repercussão dos fatos motivou a demissão dos responsáveis pelo prefeito da cidade Apparecido Staut.

Considerando a perspectiva apresentada é possível supor que diante da falta de espaço no cemitério os responsáveis seguiram a lei de ocupação comum na área urbana da cidade para determinar o lugar que cada um deveria ocupar, a lei do mais forte e do mais influente, e a não
consciência igualitária popular existente sobre a morte.

Fontes:

FRANCISCO. Luiz. Prefeitura improvisa cemitério para famílias carentes na BA. Jornal Alerta , edição 672. 23 a 26 de abril. Teixeira de Freitas. 2006.

Matéria do cemitério derruba secretário de Infraestrutura. Jornal Alerta. Maio 2006.

Foto: Imagens 2011

Daniel Rocha da Silva*

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Trancoso e as contradições no paralelo 17°

Por Daniel Rocha

O município de Porto Seguro, Extremo sul da Bahia, é cortado pelo paralelo 17° s, uma localização geográfica que segundo uma visão mística faz aumentar o clima de sedução e desejo dos turistas que chegam para visitar suas praias e distritos como Trancoso, uma vila “paz e amor” rodeada por contradições urbanas.

Trancoso fica no exato lugar por onde passa a linha que  corta lugares  como Goa e Bali na Indonésia e países como Vanuatu e Polinésia Francesa, que em tese tem o poder místico de despertar a sexualidade e o instinto de liberdade em quem chega para visitar, como os jovens hippies da década de 1970 que ocupou a então pequena vila de Trancoso transformando seu espaço e economia potencializando contradições.


Igreja de São João Batista

Hippies oriundos de todas as partes do Brasil e do mundo, Alemanha, Suíça, Canadá, que sem querer querendo, foram transformando o lugar em um conhecido destino turístico mundial intervindo fortemente na conservação das casas coloniais e de monumentos como a igreja de São João Batista, de 1656, restaurada na década de 70 pelos jovens imbuídos de autoeficácia e liberdade.

Nesse espaço de tempo outros migrantes, vindos de todos os lados do Brasil, também foram ocupando o espaço do distrito e adquirindo terrenos localizados à beira-mar e  também as residências do entorno da Praça do Quadrado, lugar onde até 1975 residia famílias nativas que sobrevivia de pequenos cultivos, pesca e exploração da madeira.

De modo que, com o passar das décadas, a ocupação foi empurrando aos poucos a população nativa para áreas mais distantes das praias como a dos atuais bairros Trancosinho, Maria Viúva e Vila Xando, comunidades que no presente sofrem, como todo lugar que nasce em meio a contradições urbanas, com problemas estruturais e tráfico de drogas.

Dessa forma, o distrito de Trancoso combina no presente o seu passado de aldeia colonial historicamente constituída e mesclada pela cultura nativa, católica e africana com o clima e discurso místico dos ideais hippie do “Paz e amor” em meio às contradições das divisões urbanas e suposta energia do paralelo 17°s que segundo a lenda faz aflorar uma aura mística nos milhares de turistas de todo o mundo que visita o lugar todos os anos em meio às contradições e contrastes ocultos nas propagandas turísticas.

Daniel Rocha da Silva*

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Teixeira de Freitas antes do SUS: rezadores, macumbeiros e garrafadas

Por Daniel Rocha*

Anterior a democratização de acesso aos médicos e hospitais proporcionado pela criação do SUS em 1988, os curandeiros, rezadores, “macumbeiros” atendiam prontamente alguns moradores de Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia, fazendo uso de rituais, remédios e práticas das religiões Afro-brasileiras.

Diante disso, os “Centros de macumba”  atuavam no tratamento dos interessados e necessitados e alguns moradores procuravam os “terreiros ” e suas garrafadas, medicamentos caseiro feito com raízes e folhas, misturados ao álcool, para cura de diversos males.

Segundo Lima Santos, na década de 1960, por exemplo,  existia um terreiro que ficava no bairro Nova América que era conhecido por tratar pessoas com “o Juízo perturbado” que quando necessário internava para a realização de acompanhamento e tratamento espiritual.  

“O Pai de santo do lugar trabalhava mais de graça do que por dinheiro. Ajudava muita gente…. Não tinha jeito, não tinha outro lugar na doença.”

Contudo, um levantamento informal do memorialista Domingos Cajueiro Correia, importante colaborador deste site, aponta que o trabalho dos curandeiros e as garrafadas não deixaram de ser procurados depois da inauguração do Hospital Sobrasa em 1971, convém lembrar que o mesmo só atendia conveniados.

Conforme tomou nota a busca por esse tipo de tratamento não estava a associado apenas a falta de acesso a medicamentos farmacêuticos ou médicos, pois, lembra, que na década de 1970  doenças venéreas eram tratados com Benzetacil injetável no hospital e depois com garrafadas das rezadeiras. “O uso de um não excluía o outro.”

Bairro Mirante do Rio. Mediações do Batalhão. Década de 1970.

Já o sexagenário Pedro de Ferreira lembra dos “macumbeiros Gui e Pó de Pemba”que atendiam nas mediações do trevo da cidade, bairro Mirante do Rio, na década de 1970. De acordo com ele o mais procurado era o “Seu Gui” que realizava atendimento em domicílio, “fechando corpos e fazendo rezas”, conforme a solicitação do cliente.

Ainda de acordo com o senhor Ferreira, na década de 1980 “Dona Mocinha”, uma parteira e rezadeira do Caxangá, povoado de Alcobaça, costumava orientar e “receitar” garrafadas para mulheres com idade vencida para gravidez”, a mesma tinha casa onde hoje fica o bairro Recanto do Lago.

Assim, diante destas narrativas é possível afirmar que no passado, em Teixeira de Freitas, os rezadores e rezadeiras e os macumbeiros foram também “os médicos do lugar” atendendo a população que os procuravam devido a falta de acesso a médicos e hospitais como também  por fé, necessidade, crença e costume.

Daniel Rocha da Silva*

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Fontes:

Dos Santos.Jonival Alves, Dos Santos. Eliomar Pires.O tratamento médico e as práticas populares em Teixeira de Freitas nas décadas de 1960 e 1970. Uneb 2011.

Anotações do memorialista Domingos Cajueiro Correia

Conversa informal com Pedro de Ferreira

Foto: AV Getúlio Vargas 1985. Revista Teixeira de Freitas Origens. Banco do Nordeste.

Uma história da “Praça do Shopping”

Por Daniel Rocha

A praça Hilton Chicon, conhecida popularmente como “ Praça do shopping, foi construída no período de 1995 e 1996, e é uma das maiores atrações da cidade, Este nome teve origem devido a sua proximidade com o Shopping Teixeira Mall. A praça possui  espaço amplo e é cercada por inúmeras memórias, observações e lembranças.

Domingos Viana, que mora  próximo a praça, relata que antes da sua construção aquela área era uma grande lagoa natural. Nas mediações existia uma serraria por nome “Divilan” que tal como outras jogava  detritos da madeira naquela área da lagoa até então coberta por uma vegetação chamada “taboa”. 

A vegetação alta por sua vez era usada por alguns casais de namorados para encontros amorosos escondidos. Em algumas ocasiões a lagoa também servia como esconderijo para “pivetes” e “assaltantes” que praticavam assaltos no centro da cidade.

Praça do Shopping: ano desconhecido

Neste cenário, preocupado com o grande número de crianças na rua o Sr. Domingos resolveu aproveitar um campinho de pó de serra popularmente chamado de “Fofão” para desenvolver um trabalho com as crianças do bairro formando então uma “escolinha de futebol. O trabalho que teve continuidade na “Praça da Rinha” evoluiu em outros espaços, como o Ginásio de Esportes, onde ficou até 2006.

Além disso, segundo a perspectiva do senhor Domingos, a lagoa era lugar de vida abundante, cobras, insetos e rãs tomavam conta da área quando chovia demasiadamente. Na época, a era uma iguaria apreciada por alguns moradores e por essa razão ele e alguns adolescentes entravam na lagoa durante a noite para capturar o anfíbio para vender aos interessados, (bares e hotéis).

“Íamos durante a noite com um saco de plástico desses de arroz para colocar as rãs e uma lata de óleo com uma vela dentro, uma lanterna improvisada, catando as maiores para vender, tinha boa saída… Perto da praça era a parte mais funda da lagoa, onde se encontrava mais rãs, até hoje a chuva vem, só que não acha a lagoa….. Só o Shopping.”

Domingos, primeiro da direita para esquerda. Escolinha de Futebol

Já sua esposa, Doracy Pereira, trabalhadora como todos os moradores do lugar, lembra se das dificuldades vividas em períodos de chuva e das antigas valas de drenagem e esgoto que cortava o Bairro da Lagoa e suas mediações. De acordo  com as suas lembranças durante os episódios de alagamento as águas das valas empurrava para dentro das casas insetos, cobras, lagartos e até preás. O mau cheiro do esgoto doméstico jogado na via era tanto que incomodava os moradores da Rua Tomé de Souza.

“Para atravessar a vala tinha que passar por uma “pinguela” de madeira”, improvisada como ponte. “Cansei de tirar gente de dentro que caiu após se desequilibrar, era comuns bêbados, crianças…. Isso tudo aqui na porta de casa, a poucos metros da Praça”.

Depois desta etapa houve a construção da praça, onde no final dos anos 90 e toda década de 2000,  um coreto que existia na paragem se tornou o palco preferido dos apaixonados estudantes que usavam aquele lugar para antecipar seus primeiros beijos e amassos, atitude comum entre os jovens que também ocupavam o lugar para fazer música, praticar esportes e fumar, rotina prejudicada pelo abandono e desleixo que tomou conta do lugar com o tempo.

Tanto que em 2009 o poeta e cronista Zarfeg escreveu na sua coluna no site de notícias Teixeira News um texto que no presente se mostra mais atual do que nunca, como pode ser observado no trecho:

“Me permitam narrar as tristes impressões que me causou a recente visita que fiz à Praça Hilton Chicon, situada no coração de Teixeira de Freitas. (…) À primeira vista, a impressão que se tem é que o shopping vai afundar a qualquer momento no meio de tanto abandono político-administrativo. E chegamos ao xis da questão: a drenagem do shopping foi sempre tratada com descaso pelas últimas administrações, mas é, reconhecidamente, a única forma de transformar aquele espaço público decadente em motivo de orgulho para os teixeirenses. A verdade é que chegamos ao ponto em que adiamentos e promessas não bastam. É preciso compromisso, ação, mãos à obra, que a cidade tem pressa”.

Fontes

A. Zarfeg. A praça é ou não é do povo? Teixeira News. 31/01/2009. Acessado Março de 2009. Acervo site Tirabanha.com.br.

Conversa informal com Domingos Viana. Maio de 2016. Março de 2019.

Daniel Rocha da Silva*

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Fotos: Ano desconhecido. 

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Em Teixeira de Freitas monumento lembra o filme O Rei Leão

Por Daniel Rocha 

Pouca gente sabe ou já observou que na Praça dos Leões, localizado no centro da cidade de Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia, há um monumento que faz referência ao filme de animação tradicional “O Rei Leão” (1994) que, como a versão lançada esse ano de 2019, reinou absoluto entre as crianças.  

Construída no final da década de 1960 e reformada no final de 1970, durante a administração do prefeito alcobacense Gerson de Oliveira Costa, o “Caboclinho,” a Praça Castro Alves é popularmente conhecida como a “Praça dos Leões” devido às diversas esculturas decorativas colocadas em seu entorno. 

Já escultura  em questão, que tem semelhança a “A pedra do Rei”,  foi montada no início da década passada, 2000, durante a reforma feita pelo então prefeito Wagner Mendonça que revitalizou a abandonada praça pública que nos primórdios da cidade foi ponto de encontro de caçadores e lugar da realização da primeira feira do então povoado. 

Mas qual o sentido da colocação dessa escultura que faz referência ao filme na Praça dos Leões?  Não foi possível apurar de quem partiu a ideia ou quem montou, mas é possível supor que a intenção foi fazer um paralelo entre as esculturas dos leões da praça com o filme americano. 

Visando, por assim dizer, na melhor das hipóteses,criar uma atração turística ligada ao entretenimento, consumo e diversão. Uma perigosa padronização cultural que não possibilita, sem provocações, reflexão.

Vale ressaltar que na praça, junto ao monumento, apenas uma placa, com menos destaque, lembra a importância do local como um lugar de memória, história e marco zero da cidade.  

Fonte:

História de Teixeira de Freitas – Praça dos leões: Parte final

Daniel Rocha da Silva*

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Registros do “Dia D” contra o Aedes Aegypti em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Os agentes de combate às endemias do município de Teixeira de Freitas participaram na manhã da sexta-feira (30/11/18) da Semana Nacional de Mobilização dos setores de Educação, Assistência social e Saúde para o combate ao Aedes Aegypti, Dia D.

A mobilização é realizada todos os anos como objetivo alertar a população sobre a importância de combater o mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya antes do verão , época de maior incidência e reprodução do mosquito.

Na ocasião os servidores públicos ,agentes de endemias, distribuíram panfletos e chamaram a atenção de quem passava pelas avenidas próximas a praça da prefeitura.

A atividade realizada no centro da cidade “no modelo blitz”, busca alcançar os moradores que geralmente não são encontrados em casa para receber a visita e orientação dos agentes de endemias que além da vistoriar os terrenos e quintais também fazem orientação educativa.

“Infelizmente tanto durante a blitz tal como ocorre em algumas visitas domiciliar dos profissionais das endemias nos deparamos com pessoas que ignoram a importância do trabalho preventivo. Precisamos ter consciência que a dengue, zika, febre amarela e chikungunya matam e quando não o fazem deixa sequela”. Enfatizou Rutiléia Pinho Paixão Coimbra, coordenadora do núcleo permanente do Programa Nacional de Controle da Dengue.

Na ocasião os agentes de endemias, Jefferson e Jucélio Pessoa Cunha ,que realizam visitas a cada dois meses nas residências, reforçaram durante a panfletagem que é preciso que a população também faça sua parte vistoriando seus quintais e recebendo devidamente o profissional.

“É importante que o morador busque conhecer melhor a equipe que trabalha no combate ao mosquito, pois são profissionais treinados para enxergar os riscos, algo que uma pessoa comum não consegue”. Frisou Jefferson.

“Fakes News” dificulta o trabalho dos agentes de endemias em Teixeira de Freitas

Notícias de que criminosos estão se passando por agentes de combate à dengue ou que houve roubos de coletes, crachás e bolsas dos profissionais, compartilhado de forma irresponsável via aplicativo Whatsapp, são fakes news ,falsas, e tem gerado medo nos moradores e atrapalhado a recepção dos servidores quando visitam as casas, garante Juscelio Pessoa que trabalha a 16 anos como agente de combate às endemias.

“Tudo isso é mentira porque não tenho conhecimento que de fato ocorreu na cidade algum assalto do tipo. Algumas pessoas que tem demonstrado resistência às visitas domiciliar alegando medo de assaltos (…) Eu mesmo já passei por essa situação e ouvi dizer que alguns colegas também”.

A coordenadora Rutiléia Pinho Paixão lembra que não há nenhum registro policial de que alguma pessoa assalta residências se passando por agente de endemias na cidade ou que tenha ocorrido algum roubo de crachá ou uniformes.

“Quero deixar claro para a população que caso algum dia isso vier acontecer vamos divulgar de forma oficial em canais confiáveis e abrir um boletim de ocorrência para investigação policial. Existe o número do programa que é o 3011- 2763 onde o morador que tiver sisma pode ligar e averiguar junto a coordenação do programa se há profissionais atuando no bairro e o nome do mesmo. Infelizmente tem quem compartilha nas redes este tipo de notícia falsa”.

Sobre a atividade e os riscos do fake news assim se manifestou José Felix, presidente do conselho municipal de saúde e Sindicato dos agentes comunitários de saúde e endemias do extremo sul da Bahia (SINDACESB).

“Esta atividade é de suma importância, para prevenção e conscientização da nossa população. Também, serve como alerta, pois a comunidade ainda não percebeu sua importância, para que tenhamos sucesso no combate a essa tríplice epidemia. E agora temos contra nós, essa ameaça real e que contamina a muitos, com uma velocidade assustadora, que são os FAKE NEWS. Confesso que muito me assusta é que estamos impotentes, diante dessa real ameaça. Só nos resta trabalhar e disseminar a verdade, combatendo também os fake news. Parabenizo os colegas, não só por esta ação, mas também pelo belo trabalho que prestam o ano todo. Juntos somos mais fortes!”

 

O ESTADO DAS COISAS

Erivan Santana*

Este é o título de um filme de produção americana, de 2017, e em que pese o fato de a maioria dos filmes produzidos pelo cinema americano seguirem a linha “blackbusters”, de grande apelo comercial, este se difere, ao procurar analisar a ordem social, poltítica e econômica em que vivemos, através dos conflitos existenciais vividos pelo personagem Brad Sloan, interpretado por Ben Stiller.

O filme mostra um personagem plenamente inserido nos dilemas da era moderna, sempre preocupado em se comparar aos amigos e antigos colegas de faculdade, numa perspectiva de poder, fama e dinheiro. Apesar do filme se ambientar nos EUA, em tempos de capitalismo globalizado, a relação com outros contextos é imediata, incluindo a brasileira.

Nos tempos atuais, não há na verdade, a preocupação em ser feliz, mas uma atenção voltada sobretudo para o sucesso econômico, status social e posses materiais, daí a surgir sempre esta tendência de estar se comparando ao próximo.

Outra tendência, esta amplamente estudada e percebida pelo filósofo francês Michel Foucault em obras como “Vigiar e Punir” e “Microfísica do Poder” é a constante vigilância que ocorre na sociedade moderna, feita pelos indivíduos, uns aos outros, sempre afeitos ao julgamento, sendo que o desenvolvimento tecnológico tem muito a contribuir.

É importante observar que diante de tais realidades, instala-se na sociedade uma espécie de controle, dos corpos e das mentes das pessoas, vivendo em sociedade, sempre visando a interesses de ordem econômica, social e política.

Neste particular, conforme salienta o filósofo francês, até mesmo a educação – que em tese, deveria ser crítica e independente – atua sempre voltada para o “controle disciplinar”, muitas vezes impedindo o desenvolvimento da leitura crítica de mundo pelos discentes.

Portanto, as engrenagens do sistema capitalista globalizado atuam em conjunto, envolvendo, segundo Foucault, grandes empresas, meios de comunicação, instituições religiosas e jurídicas, entre outras.

Desta forma, este é o grande mérito do filme “O estado das coisas”, ao colocar na tela do cinema um personagem confuso e angustiado, refletindo os grandes dilemas da era moderna, uma realidade facilmente percebida na vida de muitas pessoas e nas nossas, o que é pertubador.

Nunca se pergunta: você é feliz? Pergunta-se sempre se a pessoa estuda em uma escola ou universidade de renome, se formou em uma profissão (normalmente aquelas reconhecidas como de status social) ou se adquiriu o mais novo carro do ano ou o último modelo de celular.

Assim caminha a humanidade, esperamos que a arte também continue a caminhar, como testemunha do nosso tempo, numa perspectiva humana e crítica.

Erivan Santana (professor, escritor e poeta)
Crônica publicada no jornal A Tarde, Salvador, 21/11/2018

Veja também:

TEMPO É DINHEIRO

TEMPOS SOMBRIOS: INSTANTÂNEOS DA REALIDADE

 

Teixeira de Freitas – Manifestações na cidade

Por Daniel Rocha

Centenas de mulheres tomaram a principal avenida da cidade de Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia, na manhã do último sábado, 29/09, para protestar contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL). A caminhada findou às 10 horas no lugar de onde partiu, Praça da Prefeitura, às 08hs. 

O movimento “Ele não” começou com um grupo no Facebook e mobilizou diversas mulheres de várias cidades do país que atenderam o chamado e tomaram as ruas de cidades como Teixeira de Freitas onde a passeata organizada pelo Coletivo Feminista das Margaridas ocupou uma das principais avenidas do centro comercial, Avenida Marechal Castelo Branco.

Durante a passagem as palavras “Ele Não” eram vistas em faixas e entoadas pela multidão formada por mulheres e homens de diversos movimentos sociais e estudantes de escolas regulares e das universidades, UFSB e UNEB, que repudiavam,como todos, o candidato pedindo respeito aos direitos das mulheres e das minorias.

Ainda na cidade um grupo de apoiadores ao candidato Jair Bolsonaro ligados ao movimento “Ele sim” realizaram panfletagem em frente ao antigo fórum no mesmo período da manifestação do grupo contrário. O manifesto a favor, “Ele Sim”, também foi convocado pelas redes sociais e reuniu dezenas de militantes e simpatizantes.  Não  há relatos de incidentes registrados.