*Por Erivan Santana

Hoje, com a votação em urnas eletrônicas e com resultados divulgados em questões de horas, muitos se esquecem de como era a política pós redemocratização, quando pudemos finalmente, votar livre e democraticamente, após o movimento vitorioso das “Diretas já”, capitaneado por Dante de Oliveira e Ulysses Guimarâes (in memoriam), que rapidamente ganharam as ruas do país. No entanto, as eleições transcorriam de modo muito diferente de hoje. Os comícios se transformavam em verdadeiros shows, estrategicamente planejados para acontecerem depois das falas do candidatos.


Aqui na Bahia, lembro-me perfeitamente dos comícios de Antônio Carlos Magalhães, que em Teixeira de Freitas aconteciam na Av. Mal. Castelo Branco, que ficava lotada. É evidente que este modelo de fazer política favoreciam candidatos com maior poder político e econômico, fato que ainda hoje influencia, embora com menor intensidade.


Ainda assim, ACM encontrou um forte oponente – Waldir Pires – político de ideias progressistas e grande orador, que venceu as eleições para governador em 1986, a primeira, pós eleições livres e democráticas, vencendo o então candidato apoiado pelo carlismo, Josaphat Marinho, quebrando a hegemonia carlista, ainda que por um curto período de tempo.


Lembro-me bem que nesta época, eu, morando em Teixeira de Freitas, não sei o porquê, meu título de eleitor indicava que eu deveria votar em Jardim Novo (popular Rancho Queimado). Pois bem, o transporte até lá era gratuito, e quando cheguei no povoado, vi que as casas dos candidatos, principalmente dos vereadores, se transformavam em verdadeiros comitês eleitorais, com café, almoço, ponto de apoio, etc.

As eleições eram muito provincianas. Os caciques políticos da cidade, nesta época, Francistônio Pinto (in memoriam) e Timóteo Brito eram procurados pelos eleitores mais necessitados para auxílio em necessidades básicas, como por exemplo, indicação de emprego, tratamento médico, conta de água e luz, etc. A casa de Francistônio, por exemplo, situada no centro de Texas, se transformava em um comitê, em época de eleições.


Após as reformas, as eleições no país se modernizaram, com as campanhas sendo feitas principalmente pela internet e mídias sociais, com votação em urnas eletrônicas, mas confesso que sinto falta dos “comícios”. Era ali que estava a parte folclórica e divertida da política, principalmente os discursos mais pitorescos, como o do saudoso candidato a vereador, Cocá, ou quando o locutor anunciava a fala do candidato Francistônio Pinto, carinhosamente chamado de “matuto”. O povo gostava. Eu vi, eu estava lá!

*Erivan Santana é professor, cronista e poeta. Titular da Cadeira 36 da ATL (Academia Teixeirense de Letras).

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