Em 1983 Teixeira de Freitas teve todos os telefones bloqueados

Por Daniel Rocha*

O privilégio de poder comunicar através do próprio telefone é uma conquista recente para maioria  da população, uma vez que até o final da década de 1980, os telefones fixos eram restritos a poucos e a telefonia móvel, celular, não existia.

Ter um telefone fixo em casa era um luxo caro e difícil. Os interessados em ter uma linha fixa no domicílio, por exemplo, precisavam se cadastrar junto à estatal e esperar entre dois e três anos para obter a linha e pagar uma taxa mensal de aproximadamente mil reais. 


Por essas e outras, na década de 1970 havia no então povoado de Teixeira de Freitas somente alguns telefones a bateria restrito a alguns comerciantes e um Posto Telefônico ,localizado nas imediações do Bairro Novo Horizonte,  para atender a população.

Em meados da década de 1980, esse cenário mudou a partir da expansão dos serviços e a instalação de telefones públicos, orelhões, de discagem direta à distância (DDD) que permitia qualquer pessoa, munida de uma “fichinha”, fazer uma ligação de três minutos.


EPropaganda da TeleBahia década de 1980

Na época uma propaganda da estatal foi lançada na TV com o intuito de convencer os usuários que era possível ,em tal tempo, falar à vontade com quem desejasse, como é possível ver no vídeo abaixo. 

Como a demanda  pelo serviço telefônico era maior do que a oferta e alguns nem sempre funcionavam satisfatoriamente, eram comuns longas filas e esperas que, suponho, alterava a calma de alguns dos usuários levando a prática do vandalismo. Para se ter uma ideia, em 1991, na cidade de Salvador, dos 1.135 dos 4.608 telefones públicos da capital eram danificados a cada mês.

Para driblar essas e outras dificuldades, alguns moradores também costumavam indicar o número do telefone de um vizinho como referência para contatos, recados e informações urgentes. 

Apesar disso, a solidariedade também tinha seu preço, segredos se tornavam públicos e no fim do mês o custo  era repassado ao emissor ou receptor da ligação. Mágoas e desentendimentos também nasciam dessa relação.

Tal quais as empresas privadas são hoje, a estatal também era bastante criticada pelos serviços ofertados, mas isso não mudava em nada a postura da empresa na hora de cobrar ou negociar dívidas dos usuários e dos municípios. 

Prova disso é que em 1983 o então povoado de Teixeira de Freitas sofreu um apagão telefônico total devido à falta de pagamento de dividas contraídas pelos município de Alcobaça. A TeleBahia bloqueou linhas e ligações telefônicas do povoado e de outras 38 cidades do estado como Itanhém e Ibirapuã.

Na época, a direção da empresa estadual informou que a decisão de emudecer os telefones das cidades devedoras somente foi adotada como medida extrema depois de várias tentativas de resolver a situação através do diálogo. 

Segundo informações da fonte, Jornal do Brasil, a empresa só liberou as ligações depois que todos os débitos foram pagos. “Uma vez que a TeleBahia não pode prestar serviços gratuitamente, pois necessita de recursos para ampliação e manutenção dos mesmos”, expressou a empresa em nota. 

No entanto, para além do fato, esse relato nos ajuda entender que a precariedade de acesso aos serviços públicos básicos, como o de comunicação, evidencia que na década de 1980, à população trabalhadora vivenciava uma realidade de exclusão social ocasionada por um processo de desenvolvimento ruim e uma situação econômica precária, em um período em que ter um telefone em casa era um luxo caro e difícil. 

Fontes:

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. Janeiro 1986.

Anais do Senado Federal – Volume 15,Edição 9 – Página 3820

Bahia corta telefone de cidades. Jornal do Brasil. Fevereiro de 1983. Acervo Tirabanha.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Foto: Google Imagens.

Veja também: RELATOS SOBRE OS ANOS 80 EM TEIXEIRA DE FREITAS: O REISADO DE DONA BOLÓ

Rio de Janeiro 1930: Em Madureira mulher enfrentou difamador

Por Daniel Rocha

O que sabemos sobre a década de 1930 no Brasil? Como viviam os homens e as mulheres? Como eram resolvidos os desentendimentos e as tensões cotidianas em uma sociedade sexista? Naturalmente que não como imaginamos. 

Vejamos o caso de uma senhora que acabou presa por supostamente “agredir” um açougueiro no Rio de Janeiro, de acordo a narrativa publicada pelo jornal carioca O Paiz, de janeiro de 1934. 

Segundo noticiou o periódico, a senhora Carmem Dias, casada com o dono de um açougue que ficava localizada em Madureira, na rua D. Clara, ficou a saber que o empregado do estabelecimento, Annibal Ribeiro, de 23 anos de idade, vivia, pelas cercanias a difamando. 

Conta o jornal que certo dia estava o Aníbal à porta de um botequim, próximo ao açougue, quando a senhora o chamou e o interpelou cobrando satisfações sobre o que vinha dizendo aos quatro cantos. 

Repreendido o rapaz quis agredi-la a socos, mas D. Carmem, apanhando um saco de vidros o atacou primeiro fazendo um ferimento no rosto do açougueiro. Por essa razão, logo após o ato, um popular a conduziu à delegacia do 23º distrito, onde foi autuada por agressão”.

O ferido que teve os cuidados médicos no Posto de Assistência do Meyer, recolheu-se depois à sua residência, na casa localizada na rua da estação. Para além dos fatos, o que nos revela a narrativa?

Nas entrelinhas é possível perceber os valores presentes nas correlações cotidianas e as tensões nas relações entre os sexos em uma época onde a mulher começava se destacar e conquistar alguns direitos historicamente negados e questionar tabus.

Por exemplo, o direito ao voto em 1932 e uma participação maior  na vida cívica garantido pela nova constituição eleitoral. Na época  as mulheres do movimento modernista como Patrícia Galvão, Pagu, também começavam a provocar discussões sobre o papel da mulher na sociedade. 

Contudo, segundo a historiadora  Mary Del Priore, escrevendo sobre a mulher operária desse período, as mulheres ainda eram tidas como perigosas e indesejáveis para os patrões, perdidas e “degeneradas” para os médicos e juristas e frágeis e infelizes para os jornalistas, embora, como evidencia a narrativa, fora  das fábricas eram também ativas e resistentes a toda tentativa de violência e abusos. 

Fontes:

O açougueiro foi agredido por uma senhora. O Paiz 24 de janeiro de 1934

DEL PRIORE, Mary (Org.). História das mulheres no Brasil. Coordenação de textos de Carla Bassanesi.

Costumes, ídolos e desafios da mulher de 1930. Por Verônica Mambrini, iG São Paulo | 13/09/2010 Fonte: Último Segundo – iG. https://ultimosegundo.ig.com.br/revolucao1930/costumes-idolos-e-desafios-da-mulher-de-1930/n1237772885629.html

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

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Foto: Bairro de Madureira década de 1950

Fonte: mariosergiohistoria.blogspot.com

Na década de 1980 a juventude de Itamaraju reivindicou espaços

Por Daniel Rocha

Na década de 1980 tudo era diferente, havia outros modos de viver, vestir, dançar e especialmente pensar! Ser jovem era antes de tudo ter que vivenciar e enfrentar as dificuldades sociais de uma época em que não havia políticas públicas destinadas à juventude.  

Com o fim da Ditadura Militar e com a redemocratização em 1985, a sociedade civil ganhou mais liberdade e passou a organizar ações, de todo tipo, para reivindicar um conjunto de sucessivas iniciativas visando a solução de problemas ligados a falta de leis voltadas para os mais excluídos da sociedade.

No extremo sul da Bahia, por exemplo, mostra notícias publicadas no jornal A Tarde, que a juventude da cidade de Itamaraju, então carente de espaços de lazer, esportivos e culturais, se organizaram para reivindicar a construção de um ginásio de esportes e um centro de cultura.

“A verdade é que os jovens fazem um apelo ao governo do estado e a todas as autoridades, que estão voltadas para o papel do jovem dentro da sociedade, para que sejam atendidos por um local, onde possam desenvolver os seus esportes com segurança e tranquilidade. (…) Os que existem na cidade são privilégios para poucos, pois pertence a clubes fechados, quando tem acesso, é coisa rara”, observou o jornal A Tarde de setembro de 1985.

Em outra edição do jornal de 29 de novembro de 1986, que não cita o contexto nacional, ficou registrado que as autoridades não haviam respondido o clamor da juventude que já tomava para si o espaço da Praça Castelo Branco, cidade alta, para a prática de todo tipo de esportes, futebol, vôlei e ciclismo. Provocando dessa forma a comunidade, também, a solicitar soluções.

“Os jovens se queixam que procuram aquele lugar, pela falta de uma quadra para a prática das diversas modalidades esportivas e, por ser ali um local onde todos se encontram aos domingos (…). Comunidade pede providências às autoridades para uma solução dos problemas que estão sendo causados por ali”.  

Antes, em abril de 1986, outra iniciativa da juventude já tinha sido noticiada com destaque, a criação da “Associação Cultural da Juventude de Itamaraju” que dentre outras coisas tinha por finalidade organizar o museu de arte da cidade, promover palestras e seminários, concurso e banda de fanfarras.  

Diante dos fatos apresentados é possível considerar que os jovens itamarajuenses conseguiram chamar a atenção dos governantes e da sociedade, como todo, para o problema da falta de espaços de cultura e lazer na cidade e a necessidade da construção de políticas públicas e leis direcionados aos adolescentes das classes menos favorecidas.

Jovens que só tornaram possuidores de direitos específicos com a promulgação do ECA – Estatuto da criança e do adolescente no início da década de 1990 e o estatuto da juventude em 2013, quando outros modos de viver e pensar começaram ser proporcionados por ações públicas.  

Fontes:

O jovem sob três perspectivas: acadêmica, política e cultural. Silvia Helena Simões Borelli, Rita de Cássia Alves Oliveira, Ana Carolina Viestel, Laguna, Ariane Aboboreira e Maria Carolina Silva Fernandes dos Santos. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP. 2008

Jovens querem áreas de lazer. Evandro Lima. A Tarde, 18/09/1985. Acervo do site tirabanha.

Jovens criam museu de Itamaraju. Evandro Lima. A Tarde, 18/04/1986. Acervo do site tirabanha.

Associação de Jovens de itamaraju. Evandro Lima. Jornal A Tarde, 29/02/1986. Acervo do site tirabanha.

Foto: Praça de Itamaraju. Ano e autor desconhecido. Fonte: Site IBGE.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X. Latees.

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Veja também: ANOS 1990 EM TEIXEIRA DE FREITAS: A GAROTA MAIS BONITA DA CIDADE

Teixeira de Freitas: Greve Geral 2019

Por Daniel Rocha

Contra a reforma da previdência e os cortes na educação foi realizada na sexta-feira 14 de junho, uma greve geral que parou as principais cidades do país.

Em Teixeira de Freitas, BA, houve manifestações na BR-101 e centro da cidade, organizada pelas centrais sindicais, movimento estudantil e sociais, que fizeram lembrar a causa da greve geral por meio da mobilização das ruas. Professores da Uneb também protestaram contra medidas do governo Rui Costa (PT).

As mobilizações foram mais expressivas na parte da tarde e início da noite em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, entre outras . A repercussão maior na impressa foi o impacto da greve no setor de transportes.

Dessa forma, estima-se que as manifestações e a greve desempenharam um papel importante e deve influenciar os rumos e fortalecer a oposição a proposta  de austeridade do governo Bolsonaro (PSL).

A crônica de Drummond de Andrade em defesa do povo Pataxó

Por Daniel Rocha

Na década de 1980 a violenta expulsão do povo Pataxó hã- hã -hãe da reserva nativa Caramuru-Paraguaçu, localizada no município de Itaju do Colônia, Camacan e Pau Brasil, chamou a atenção do escritor Carlos Drummond de Andrade que escreveu uma crônica pedindo paz para os  nativos ameaçados e escorraçados da reserva localizada no sul da Bahia.

Segundo o jornal o Estado de São Paulo ,de junho de 1982, representantes da FUNAI e da Associação Nacional de apoio ao índio- ANAI – seguiram na data para o sul da Bahia depois de serem notificados que fazendeiros tentavam tomar a força de parte do que restou das terras da reserva Caramuru-Paraguaçu, há pouco tempo demarcadas pelo governo Federal.

As notícias também davam conta que na ocasião a Polícia Federal havia abandonado a aldeia dos índios Pataxó, onde faziam a segurança da tribo, descumprindo com termos do Estatuto do índio, em vigor na época, que obrigava o Estado realizar a segurança dos nativos em casos de ameaça deste tipo.

Conforme denúncia da Associação Nacional de Apoio ao índio da Bahia, ANAI-BA, publicada no jornal paulista, os nativos que há 52 anos possuíam 50 mil hectares de terras na região naquele momento ocupavam apenas 12 mil hectares e a diminuição estava relacionada à distribuição ilegal de títulos de propriedade aos fazendeiros pelo governo do estado na década de 1970.

Nativos expulsos da reserva em 1982. Jornal Estado de Minas

Ainda de acordo com a nota divulgada à imprensa pela associação o Estado, através de políticos ligados ao governador Antônio Carlos Magalhães, agia em comum acordo e além de pressionar em favor dos fazendeiros e “grileiros” também tentavam caracterizar o povo Pataxó como invasores e não proprietários das terras da reserva.

Diante das notícias sobre as tensões entre os nativos e os grileiros no sul da Bahia, o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu na “Coluna Itinerante” no Jornal do Brasil, uma crônica intitulada “Pataxós” onde critica ,a partir de uma visão social comum, a expulsão dos nativos da reserva e a reação dos mesmos. Um retrato comentado do tempo e da época captado por ele. Assim escreveu o poeta:

Por favor, deixem os pataxós em paz, no chão que é deles, e que estão querendo tomar. Dizem que em benefício de um partido político interessado em agradar fazendeiros. Não faz sentido mudar quem mora no que é seu e está garantido legalmente pelo estatuto do Índio.

Os pataxós que resistem à remoção absurda não são agitadores políticos. Fazem apenas aquilo que todo sujeito morador na sua casa deve fazer se um intruso tenta invadir – lhe o domicílio. A propriedade existe também para os índios – ou há quem ainda não sabe disto?

Abandonados pelo IBAMA e a FUNAI o povo Pataxó resistiu até o ano seguinte, 1983, quando a questão foi parar na justiça. As tensões entre os fazendeiros ,grileiros, e os nativos persistiram durante toda a década de 1980, 1990 e 2000.

Nesse período inúmeros confrontos foram registrados enquanto a questão sobre a posse ficou por anos aguardando a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF) que, somente em 2012, decidiu pela manutenção dos nativos pataxós nas terras das fazendas localizadas dentro da reserva natural.

Veja também: A atuação do grileiros no extremo sul da Bahia durante a ditadura.

FONTES:

Pataxó vão às Justiça. O estado de São Paulo, 25 de novembro de 1982.

Pataxó. ANDRADE. Carlos Drummond. Jornal do Brasil, caderno B, edição de 09 de outubro de 1982. página 08. Acervo site tirabanha. com.br

Comissão vai à BA para recuperar terra indígena. O estado de S. Paulo. Pg de 06 junho de 1982.

Índios denuncia violação do estatuto pelo DPF. Jornal de Brasília 10 junho de  1982

A remoção forçada do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe. Disponivel em: https://terrasindigenas.org.br/pt-br/noticia/179974

Terra indígena Caramuru-Paraguaçu. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra_ind%C3%ADgena_Caramuru-Paragua%C3%A7u

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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A carta

A carta se perdeu

nas areias do tempo…

De Bandeira a Drummond,

Rimbaud a Verlaine,

Cecília a Clarice,

registros, letras e

marcas atemporais…

Ontem, a grafia,

a página escrita

com devoção;

hoje, a fria letra impessoal

na tela digital,

a refletir o inadmirável

mundo novo!

Erivan Augusto Santana

Veja também:

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

O saxofonista no telhado

Em busca do tempo perdido

Procurando Marília


Professores e alunos protestam em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Milhares de  estudantes, professores e profissionais da Educação  e manifestantes marcharam em todo o país na ultima quinta-feira (30/05), contra os cortes na educação. Em Teixeira de Freitas, diversas pessoas ocuparam por cerca de três horas a praça da prefeitura e uma das principais avenidas da cidade, Avenida Marechal Castelo Branco, de onde partiram em caminhada pacífica até à Praça da Bíblia. O ato foi encerrado por volta das 19h.

Formado principalmente por professores e alunos das universidades públicas, do município e do estado, a grande massa com cartazes, palavras de ordem e discursos inflamados, expressou na praça preocupação “com os rumos tomados pelo atual presidente Jair Bolsonaro” que através da sua política de cortes vem causando preocupação a professores e estudantes.

“Estamos na rua para mostrar o descontentamento da juventude com as declarações recentes do governo, não vamos aceitar retrocesso, a educação deve continuar para todos”, declarou a universitária Adriana.

Não é a primeira vez que os estudantes se posicionam contra medidas de corte de um governo, em outubro de 2016, por exemplo, alunos da UFSB ocuparam a universidade contra a PEC 241, também chamada de “lei do teto”, “PEC da morte”, entre outras nomeações, apresentada pela equipe econômica do então governo Michel Temer.

A PEC ,que foi aprovada no mesmo ano, limitou despesas com saúde, educação e assistência social e previdência pelos próximos 20 anos. Alunos da UNEB-X, e do instituto federal também realizaram ocupação de seus respectivos endereços.

Para além da pauta nacional, também expressaram os manifestantes descontentamento com a postura do governador Rui Costa e o prefeito da cidade Timóteo Brito que ainda devem ser lembrados nos próximos atos.

Alunos e professores de todo Brasil e de Teixeira de Freitas, prometem retornar às ruas no dia 16 de junho próximo, dessa vez para participar da “Greve Geral contra reforma da previdência” que deve unir diversas categorias contra a proposta apresentada.

Sertanejo Gustavo Lima publicou vídeo ouvindo Robério e seus teclados

Por Daniel Rocha e Marcos Marcelo

No final dos anos de 1990 e início dos anos 2000, um furacão regional conquistou o gosto e os corações do povo  do extremo sul da Bahia e do Brasil. Estamos falando de Robério Lacerda Cabral ou como é popularmente conhecido Robério e seus teclados, que ao que parece recentemente agradou em cheio o cantor sertanejo Gustavo Lima.

Natural do Distrito de Massaranduba, Vereda,BA, o cantor que iniciou sua carreira aqui na cidade de Teixeira de Freitas e região, a 20 anos atrás se tornou um fenômeno do forró nacional com o CD, Robério Vol. 01,  na época facilmente encontrado em feiras e camelôs, logo caiu no gosto popular dos baianos, capixabas, mineiros e toda massa nordestina residente na cidade de São Paulo.

No presente, as músicas do primeiro CD do cantor ainda seguem conquistando novos fãs ,anônimos e famosos, tanto que recentemente o cantor Gustavo Lima publicou uma série de vídeos no Instagram, onde aparece escutando fascinado algumas músicas do cantor como “Volta Amor,” “Namoro Novo” e “Zé do Rock”.

“O vídeo mostra que o sertanejo Gustavo Lima continua de olho nas produções de talentos populares do país procurando sempre inovações em seus trabalhos, e quem sabe, possa nascer uma parceria entre os artistas. Para os músicos locais o reconhecimento do trabalho de um artista da região motiva ainda mais a continuar trabalhando focando na carreira e nos projeto,” destacou músico Marcos Marcelo, especialista em música regional. Confira os vídeos no link:

https://www.instagram.com/p/Bx1zR8rnG5v/?igshid=1guqpi4f53p7o

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Ofícios dos trabalhadores e trabalhadoras na história de Teixeira de Freitas II

Continuação do texto anterior….

06 – MODISTA: Modista era o nome que se dava aos alfaiates que trabalhava com  a encomenda de roupas, calça, ternos, vestidos e roupas para festas. Geralmente trabalhavam em casa e com máquinas movida por força humana. Atendia todos os tipos de classe. Também atendia encomendas de roupas fúnebres, mortalhas, e religiosas, casamentos e batizados. Em Teixeira de Freitas vários exerceram e exercem esse ofício, aqui vamos lembrar  do Cabo Marques e Dona Guiomar que atuaram nas décadas de 1950 e 1960 no centro do povoado de Teixeira de Freitas em uma época que havia pouca ou quase nenhuma loja de roupa. O tecido para confecção eram adquiridos nos armazéns nas cidades de Alcobaça, Caravelas, Nanuque, Medeiros Neto e Teófilo Otoni ou nas miscelâneas da fazenda Nova América e Cascata.

08 – FABRICANTE DE REDES E TARRAFAS: As redes e tarrafas geralmente era feito por trabalhadores ligados ao ramo da pesca que além da venda de peixes dedicavam à fabricação dos instrumentos necessários. No povoado de Teixeira de Freitas nas décadas de 1950 e 1960, Antônio de Roxa e João Serafim são os mais lembrados pelos moradores que viveram essa época como Ivo Nascimento Correia, anda hoje residente da histórica fazenda Nova  America.

09 –  PADEIRO –   Um dos padeiros mais lembrados da cidade é o João Palmeira Guerra ao qual é atribuído o título de pioneiro do ramo, tendo instalado sua padaria nas mediações da Praça dos Leões onde atuou aproximadamente até a década de 1970. Além dos tradicionais pães de sal e doce, também comercializa biscoitos de goma e chimango.

10 – FAZEDOR DE CAIXÕES FUNERÁRIOS: Nas décadas de 1950 até as décadas de 1960,1970 não havia casas que comercializavam caixões funerários por perto. Diante dessa realidade entrava em cena os fazedores de caixões, pessoas da comunidade que dominavam a arte da carpintaria, talhar madeira e construção do utensílio mortuário. Na construção era considerado alguns aspectos como distância a ser percorrida até o cemitério, geralmente era levado apenas por homens, e a madeira adequado, leve e resistente. Nesse parte da antiga delimitação dos municípios de Alcobaça e Caravelas de onde se originou o povoado e mais tarde cidade de Teixeira de Freitas, o sanfoneiro Pedro Lopes, o especialista em cortes “Baduca” e embaixador da festa de São Sebastião “Chicão” eram os mais requisitados da região.

10 – CURTIDOR – e o profissional perito na arte de curtir, converter peles de animais em couros. Na década de 1960 a atividade foi praticada de forma intensa na Fazenda Nova América, onde hoje é possível ver  ruínas do antigo curtume de Clodoaldo Freitas Correia. A pele curtida era adquirida dos caçadores locais depois couro de gado do matadouro da Fazenda Cascata. Os trabalhadores eram em sua maioria homens que aproveitavam as correntes do Rio Itanhém para limpar e curtir o produto que era exportado  pelo Isael de Freitas Correia para Caravelas, ou vendido para os artesãos de Juerana “Cajá” especialista em calçados e bolsas femininas e o artesão “Cadete” especialista em arreios para animais.

Daniel Rocha da Silva*

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Foto: Praça da Prefeitura inicio da década de 1970. Dias produções.

VIDAS CRUZADAS

Amanhece na Princesa do Extremo Sul,

Os estudantes vão para a escola

Despertos com a luz dos

Primeiros raios de sol.

Nas fronteiras destinos que se cruzam,

Se identificam, se realizam

Em Vereda, Nova Viçosa,

Itanhém e Alcobaça.

No centro, o comércio fervilha,

Em incomensuráveis trocas

E a agricultura floresce

Na semeadura do progresso.

Na Academia os confrades

Celebram a vida

E cantam o seu hino

Em brados e célebres versos.

Nas colunas da colina

Ana, Clara, Carolina desfilam

Seus colares de coral,

Fazendo reais suas rimas.

Na catedral de São Pedro

Badalam os sinos

Da Ave Maria, louvando

O crepúsculo de mais um dia!

ERIVAN SANTANA

Veja também: 

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

A ESTRELA D’ALVA E O SOL

JUÍZO FINAL

A CARTA

FIM DE TARDE

O ENSAIO DE MAITÊ

O SAXOFONISTA NO TELHADO

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

PROCURANDO MARÍLIA