“Poti Loiro” um capoeirista teixeirense

Por Daniel Rocha

Na década de 1970 com a chegada da superintendência da polícia militar no então povoado de Teixeira de Freitas, BA, a violência passou a ser contida através de constantes rondas policiais. Segundo um causo rememorado por moradores essa insistente vigilância provocou a ira dos boêmios e do capoeirista “Poti Loiro”, lembrado como um herói às avessas e popular.

Segundo alguns relatos, até a década de 1960 não havia policiamento intensivo em Teixeira de Freitas e por isso a população convivia com os boatos sobre a ação de pistoleiros, brigas e assassinatos ocorridos em meio a escuridão de um lugar abastecido por geradores elétricos,  ativos apenas até às dez horas da noite.

Essa rotina, perceptível para quem visitava o povoado, e bem visível para quem morava nele, só foi modificada com a chegada da rede elétrica e da superintendência da polícia militar, que prontamente instituiu a vigilância e rondas policiais em uma época marcada pela expansão urbana e demográfica e constantes exibições de filmes do Bruce Lee na tela do primeiro cinema da cidade, o Cine Elisabete.

Embora essas transformações possam ter sido recebidas com euforia pelos moradores locais, a constante vigilância policial em certas ocasiões provocou também a insatisfação de grupos e pessoas habituadas a circular livremente pelo lugar, revelam os causos da época.

Conforme um dos causos ouvidos pelo  capoeirista Sebastião Sérgio, filho de migrantes mineiros,  em uma das rodas de capoeira que frequentou quando criança, realizada na casa de migrantes soteropolitanos  na década de 1970, alguns praticantes da arte marcial como “Poti Loiro” tiveram problemas com recrutas, policiais, responsáveis pelo policiamento local.

Na narrativa ouvida e rememorada por ele, no início da década  de 1970 quando estava a passar pela praça, hoje chamada de Praça da Bíblia, o jovem “Poti” um magro, alto, branco, cabeludo, vestido a maneira hippie, que gostava de fumar livremente “peitou” oito policiais armados nas imediações da  antiga Praça em demonstração de força, valentia e contestação.

Segundo ouviu dizer  toda essa reação foi porque o rebelde “Poti Loiro” teve a infelicidade de cruzar o seu caminho com nada mais, nada menos  que oito recrutas armados que ordenados por superiores, o repreendeu com violência e brutalidade diante de diversos moradores e passageiros que aguardavam o ônibus na  Rodoviária , hoje conhecida como “Rodoviária Velha”.

Ainda de acordo com a narrativa do capoeirista  “Já havia entre eles uma rixa”e por esse motivo foi convidado a se retirar do lugar  de modo que ao ser tocado com força “Poti” teria reagido em fúria dando mostra de grande habilidade , golpes rápidos como saltos, parafusos mortais e meia-lua que levou ao chão os “repressores” que na sequência o conduziu até a delegacia, solto horas depois do ocorrido.

Segundo um morador, que preferiu contribuir para essa construção de forma anônima, ao ser perguntado se conhecia o causo “Poti Loiro” e as razões da confusão, respondeu que sim ressaltando que naqueles tempos a falta de iluminação pública favoreceu muito para que houvesse embates e confrontos dos responsáveis pelo policiamento com os boêmios e outros moradores.

“Só existia iluminação via gerador elétrico que funcionava até às dez horas da noite. Por essa razão recrutas percorriam as ruas do então povoado repreendendo às pessoas, sobretudo os boêmios na Rua do Brega com certa dose de exageros… Acontece que Poti era contra esse tipo de repreensão e quando presenciava ou era repreendido de alguma forma reagia com força… Eu não me lembro dessa história da Praça da Bíblia, mas  pode ter acontecido. Sei de uma que ele afrontou os recrutas que repreendia um grupo de estudantes que namoravam na rua durante a noite (…). Poti era muito querido por todos e às vezes temido”.

Ainda de acordo com o morador que gosta de lembrar-se de sua vida “pregressa” como boêmio contumaz na Rua do Brega, rua boêmia, “Poti” era de família rica e os policiais “considerava isso” antes de fazer qualquer coisa com ele. “Daí também sua coragem e valentia”.

Já Mário Santos Almeida, natural de Medeiros Neto, quarenta anos morador na cidade, afirma ter tido a oportunidade de “conhecer de vista” Poti Loiro era “uma figura conhecida e popular que não passava despercebido em Teixeira”.

Em conformidade com essa perspectiva, Mário Santos o descreveu como um Bruce Lee local, um rapaz forte, rebelde que  era compreendido como um “brigão e valente”, mas que na realidade raramente se envolvia em confusões.

Contudo, lembra, que quando “Poti” era de alguma forma repreendido reagiam com ânimo, vigor e com a  boa capoeira que lhe conferiu a fama, por isso acredita que o causo do enfrentamento dado na Praça da Bíblia é verdadeiro.

Mário também ratifica que naqueles tempos os recrutas  reagiram de forma ríspida, “tinham suas razões.” Porém acredita que o confronto não tem nada a ver com o fato de Poti ser um capoeira ou qualquer outra coisa.

“Na verdade ninguém gostava da vigilância desses agentes (…). Todos tinham vontade de partir pra cima, porém só “Poti” tinha o tamanho, a força, a coragem e o status para isso”.

Ao ser informado desses novos detalhes Sebastião Sérgio “o mestre Pinote” afirmou apenas que na versão que conhece, a que ouviu quando criança, “Poti Loiro” enfrentou e derrotou com golpes de capoeira policiais armados no centro do povoado, não sendo possível discordar ou concordar com outras perspectivas.

Fontes

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA. Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

Fontes Orais:

Sebastião Sérgio, conversa informal realizada em  novembro de 2016.

Mário Santos , conversa informal em março de 2017.

Morador anônimo,  conversa informal em  agosto de 2017.

Diversos moradores contribuíram com informações sobre que certificaram os fatos expressos, a todos  o nosso agradecimento.

Foto: Capoeiristas desfilam no sete de setembro de 1975 na avenida Getúlio Vargas.  Acervo do Departamento de cultura de Teixeira de Freitas. Pesquisada e cedido em 2016.

Veja também:

Teixeira de Freitas Secreta : A igreja subterrânea

Memória Estudantil

Se você chegou até aqui parabéns! Tens o hábito da leitura.

 

 

 

O causo da Marrom Glacê e a copa de 1986

Por (Daniel Rocha)

Teixeira de Freitas 1985, faltando menos de um ano para a Copa do Mundo do México a expectativa dos brasileiros era grande. No bairro Recanto do Lago funcionava o badalado Bar Boate e Boliche Marrom Glacê. Como era de costume todas as noites diversas pessoas procuravam o local para se divertir e paquerar ao som das músicas do momento, recorda um ex-funcionário e antigos frequentadores.

Em meados da década de 1980 estudar durante  a noite estava em alta e diferente de hoje, a faixa etária que cursava o segundo grau era na maioria formada por pessoas com idade acima de 20 anos, homens e mulheres, trabalhadores, que só tinham tempo para estudar durante a noite e a gíria da moda era dizer “qual é a transa” e com ela se conseguia “muitas”, diga-se de passagem.

Por essas e outras razões no período noturno, ao final da aula, rapazes com os carros estacionados na Avenida Getúlio Vargas, aguardavam próximos a escola Rômulo Galvão, as estudantes afins de convidá-las” para um trago” em uma boate/bar ou danceteria mais próxima, segundo contou Maria Mariana (em memória) em uma conversa informal.

Ainda de acordo com a versão dela, alunas “desavisadas” acabavam conhecendo alguém por acaso. Acontecia de confundir o carro do namorado com o de qualquer outro parado em frente à escola e esticar a confusão até um bar próximo. Nesta condição, como aluna e trabalhadora do comércio, revelou, também frequentou o bar boate Marrom Glacê.

Endereço da moda entre estudantes a boate usava a estratégia da boa música e do som alto para atrair a clientela. As longas filas na entrada e o auto volume do som fazia parte da rotina do espaço, acontece que o movimento e barulho incomodavam os vizinhos.

Narram alguns moradores do bairro Recanto do Lago que em um dia de um mês desconhecido do ano de 1985 a reação de um morador migrante capixaba pôs fim às atividades da próspera boate.

Segundo o garçom e gerente de confiança do estabelecimento, Francisco Ferreira, uma família de capixabas, moradores das proximidades da boate, reclamavam constantemente do alto som durante a noite.

Narra que de tanto reclamar o vizinho perdeu a paciência, pegou a arma que tinha disponível em casa, e disparou diversos tiros no Toca Discos. “Quando o dono chegou falei que os caras apareceram dizendo que iriam baixar o som… Desceram a bala eu que não podia fazer nada, fiquei quieto!”

Segundo o narrador do causo o fato foi registrado na polícia, porém não foi necessário ir além do Boletim de Ocorrência (BO) porque no outro dia eles pagaram o prejuízo esclarecendo ao proprietário e os desavisados a razão da atitude tomada.

A família tinha um filho doente que não dormia com o som naquele volume, incentivado pela situação e os vizinhos o pai da criança depois de pedir por diversas vezes para diminuírem o som tomou, dominado pelo desespero, aquela atitude drástica.

Ainda de acordo com o antigo funcionário ouvido depois do incidente o bar não demorou baixar para sempre as portas. “Porque sem o som o público jovem perdeu o interesse. A moçada gostava era de música alta sem ela o bar ficou sem o atrativo”.

Sobre o fim da Marrom Glacê lamenta Francisco. “Estávamos esperando com ansiedade a copa do mundo de 1986 começar para fazer uma grande festa, pena que não alcançou.”

 

Daniel Rocha

Historiador, Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Fontes Orais:

Francisco Ferreira

Edivaldo “sombra”

Maria Mariana Esteves.

 

A canção não oficial da Copa de 1998 em Teixeira de Freitas

 

Por Daniel Rocha

Quando procuramos ou compramos um Game Play esportivo para jogar a última coisa que pensamos é na trilha sonora, afinal queremos apenas nos divertir. Porém em alguns momentos o tema principal e a trilha ,como o todo, roubam a cena e marca para sempre uma geração, como por exemplo marcou a música Song 02 da banda Blur, do Game Play FIFA Soccer 1998, uma das músicas não oficiais de maior sucesso da história do evento esportivo.

 

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A música é uma das mais lembradas em época de Copa do Mundo pela geração do final dos anos 1990 que perdia tardes inteiras nas badaladas games. Em Teixeira de Freitas a Sport Games que ficava na Av. Getúlio Vargas e que atendia os jovens dos Bairros Bela Vista e Recanto do Lago, chegou a organizar torneios de Winning Eleven 03 em 1998, Copa na França, o mais popular da época, ao som do tema principal da FIFA Soccer a pedido dos jogadores e espectadores hoje saudosos da época e ligados na copa da Rússia 2018 . Nunca ouviu? Confira!

 

Foto: Imagem ilustrativa

 

 

 

A segregação das identidades em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha

Tem crescido na cidade de Teixeira de Freitas um sentimento de segregação que se expressa na construção de fronteiras invisíveis evidentes através  da adoção de um modelo de sociedade que possibilita a lógica da “guetização” da  identidade local.

É importante salientar que não existe uma situação de segregação, mas a meu ver pode se dizer que há um sentimento parecido em vigor que ganha força com o avanço de um modelo de sociedade que tem valorizado, de forma intensa, a formação de grupos e guetos sociais em um processo de  “guetização” das identidades culturais.

Atualmente, percebe-se que, o discurso de que a “localização define seu status social” já pode ser compreendido como um sintoma desse sentimento crescente na cidade quando, por exemplo,  se analisa, informalmente, o modo que lidamos com as classificações dos espaços de residências como bairros para os ricos e bairros para os pobres, condomínios do governo, condomínios de luxo etc.

Categorização que evidencia uma lógica da guetização dos locais de convivência e  também dos cidadãos que acabam rotulados por denominações ligadas a essas separações.

É válido ressaltar que outros fatores arrojaram esse sentimento nas últimas décadas na cidade e no país como o avanço do individualismo, o crescimento desordenado da cidade, as redes sociais e disseminação pela mídia de costumes estranhos à cultura, memória  e identidade local.

O resultado desse enquadramento é a crescente mutação e empatia de alguns quanto a diversidade social existente na cidade e o abandono  de eventos tradicionais de vivência e manifestações populares,por exemplo, como as festas juninas que a cada ano têm  sido levadas para espaços privados e fechados onde prevalece o viés da capitalização da tradição.

Tendo em vista esses pressupostos, compreendo que há em Teixeira de Freitas a manutenção e o fortalecimento das fronteiras invisíveis que vem se consolidando através de um modelo de sociedade que possibilita a lógica da “guetização” que também influencia o modo como o cidadão vem interpretando o conceito de igualdade, cidadania, cultura e identidade nos últimos anos.

A multirreferência em Deadpool 2

Por Daniel Rocha

Tão eficiente como o primeiro filme da franquia lançado em 2016, Deadpool 2 (Em cartaz) traz durante duas horas de filme diálogos recheados de divagações com citações a personagens e filmes, séries, música e desenhos animados da cultura pop, que evidencia a tendência multirreferencial das recentes produções americanas.

Essa nova investida de Hollywood é certeira, pois, muni os nerds, eternos consumidores, de status por ter visto os filmes referenciados e atiça a curiosidade dos que não conhecem para os produtos citados.

A multirreferência ajuda o expectador a vivenciar experiencias novas e a indústria lucrar ainda mais para além da quebra da 4º parede, tão bem explorada pelo personagem do filme, que não economizam em citações e piadas, por exemplo, feitas com produções da DC e personagens do  universo dos X- Men.

Porém o filme não se resume apenas nisso, Ryan Reynolds entrega um Deadpool fiel aos quadrinhos e a si mesmo, Josh Brolin um Cable de motivações convincentes e Zazie Beets uma simpática Dominó e seus poderes de sorte.

A sequência é bem divertida e mais uma vez rompe com o velho clichê “herói com poderes especiais salva o mundo da destruição” e diverte com doses cavalares de ação, humor escatológico e referência a cultura pop.

DEADPOOL   02

CINESERCLA PÁTIOMIX TEIXEIRA DE FREITAS

Sessões:

18:30H / 20:50H / 21:00H

CINE TEIXEIRA

Sessões:

18:00H / 20:30H

 

 

Informações Adicionais:

Classificação: 18 ANOS

Gênero: AÇÃO / COMÉDIA

Duração: 2H00MIN

Dublado

*Programação sujeita a alterações.

MAIO DE 68

Na Champs-Élysées, uma multidão

Empunha a liberdade guiando o povo,

Ao som de canções a iluminar a noite.

O delírio é palpável,

Como a utopia tomando o poder.

Um século de história

Revividos na intensidade

Daquele instante: éramos Maio de 68.

Onde está tudo isso agora?

Erivan Santana

 

Veja também: 

Revolução dos cravos

A estrela d’alva e o sol

Juízo final

A carta

Fim de tarde

O ensaio de Maitê

Sindicato avança em negociação em Mucuri

O SINDACESB -Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias do Extremo Sul da Bahia.  através de seus representantes: o coordenador geral José Félix, o segundo coordenador Cristiano Correia Alves, a secretária geral Cleide Cristina, a Delegada sindical do município de Mucuri Conceição Silva e o delegado sindical Paulo Alves e o Assessor Jurídico da entidade Dr. Nelson Quadros, estiveram no último dia 07 de Maio reunidos a Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Mucuri, presidida pelo vereador Dr. Hélio da Fisioterapia e o secretário da Comissão, o vereador Xandão. Ainda contamos com as importantes presença dos vereadores Isaías Ferreira e Beto Borges.
Também estiveram presentes o secretário de Finanças do município o Senhor  Carlos André Medeiros Kock, o procurador geral do município Dartaian Chaves Menezes, o secretário de Saúde de Mucuri Ronaldo Simões do Nascimento, coordenadora da Atenção Básica Jirlian Pereira Souza Lima, o procurador da secretaria de saúde Dr. Juscelino e representantes do sindicato dos servidores do município (SINDSERVIM), e o assessor jurídico Flávio Vieira.
Tendo como pauta única apresentação da proposta para pagamento do PMAQ (Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade) Dr. Hélio presidente da Comissão de Saúde, abriu a reunião Dando boas vindas aos presentes, ressaltou da importância de estarmos novamente reunidos na Casa do Cidadão.
Após intenso debate a cerca da forma de pagamento ficou definido que a administração irá  pagar  o dinheiro referente a premiação  da seguinte forma; 12(doze) meses de 2017 e os 4 (quatro) meses de 2018, totalizando 16 meses em 5 parcelas, sendo a primeira logo após a homologação da juíza. Proposta aceita pela gestão e também com o apoio dos vereadores presentes.
Ficou acordado que os valores serão divididos em partes iguais, mediante as notas de cada Equipe de Saúde da Família na última Certificação (Segundo Ciclo). Assim, ficando eliminadas atas emitidas pelas unidades, definindo meritocracias quanto ao recebimentos dos valores. O que contraria o artigo 4° da Lei Municipal 633/13.
 Criada uma  Comissão para a elaboração das novas planilhas de pagamento
Também foi criada uma  Comissão para acompanhar a elaboração das novas planilhas de pagamento, sendo: dois membros de cada Sindicato, do SINDACESB (Cristiano Correia Alves e Conceição Silva), do SINDSERVIM (Alessandra Mirandola e Rielma), dois membros a serem indicados pelo Conselho Municipal de Saúde e dois membros da Gestão.
Foi decidido que todos que trabalharam nesse período irão receber proporcional aos meses que tenha prestado os serviços. Caso não se encontrem mais no município depositar os valores em conta indicada pelo servidor ou servidora, após contato com os mesmos. Em caso de morte do servidor ou servidora, os valores serão repassados para seus familiares.
Sobre mais esta conquista dos servidores, em especial o ACS e ACE representados pelo SINSACESB, falou o coordenador geral José Félix: “Damos graças a Deus por mais esta conquista” onde devemos atribuir os  méritos a TODOS os servidores dos PSF’S, que acreditaram e confiaram em nossa entidade, na habilidade em negociar, na certeza que procuramos sempre dentro das condições, proporcionar o que for melhor para nossos servidores (ACS e ACE) e demais servidores das referidas Unidades (PSF’S). Pois o direito assiste a todos e TODOS saímos ganhando com esta negociação”.  A LUTA COM CERTEZA É QUEM FAZ VALER A LEI.  Juntos somos mais fortes!

Copa do Mundo 2018 – A febre da troca de figurinhas em Teixeira de Freitas

 

Por Daniel Rocha

Para alguns teixeirenses a Copa do Mundo da Rússia 2018 já começou com o lançamento do álbum de figurinhas da Panini, febre entre algumas crianças, dispostas a fazer de tudo para conseguir os  cromos dos jogadores faltantes, e alguns adultos, colecionadores que, dentre outras coisas,  cobram a tradição da solidariedade na troca para fechar o álbum antes do início oficial do campeonato mundial no dia 14 junho.

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A febre das figurinhas da copa vem se espalhando por algumas escolas e locais de trabalho pela cidade e pode ser melhor sentida nas Bancas de Revistas que aproveitando a procura pelo álbum, que custa em média oito reais, e pelo pacotinho de cromos, que custa dois reais, promovem os encontros de trocas que tem atraído um número expressivo de colecionadores.

Na Banca Visão, por exemplo, que fica na praça da Bíblia, a troca é organizada todo domingo pela manhã (a partir das 8hs, até o final da copa do mundo) se tornou um dos locais preferidos dos aficionados de todas as idades.

Para Otávio Mello, 10 anos os encontros são divertidos e possibilita a interação e a amizade entre os colecionadores. “Se você não participa da troca não passa as repetidas e gasta mais dinheiro …. Não tem a mesma graça colecionar sozinho.”

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No entanto durante as trocas é possível perceber um embate de postura entre os colecionadores mais experientes, adultos e idosos, e os mais jovens, crianças adolescentes, garotos e garotas que não hesitam meios para alcançar seus fins de completar o álbum.

Os adultos reclamam que os mais jovens não estão comparecendo a troca com o espírito de solidariedade que deve haver entre os colecionadores. “ Tem meninos que pede pacotinhos em troca de uma figurinha e até mesmo dinheiro quando percebe que se trata de uma mais difícil de ser encontrada, isso desvirtua a ideia de troca.” Desabafa João W. Mendes ,43 anos, que reluta em usar aplicativos  para pedir as poucas figurinhas faltantes pela internet.

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Mesmo assim o clima do lugar é animado e repleto de momentos divertidos proporcionado pela interação dos jovens e adultos em meio aos interesses comuns, evidenciando aspectos atuais do velho e bom embate entre as gerações.

A lenda “Caboco da água”

Por Daniel Rocha

“Existe mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia, como também muitos entre as florestas e os rios do extremo sul da Bahia. Conta seu Natalino A. Santos que gosta de lembrar que no prelúdio da década de 1960, quando morava na Vila Marinha, hoje povoado do município de Teixeira de Freitas, ele e o irmão vinham diariamente ao povoado teixeirense, através do rio Itanhém, para vender na feira do próspero povoado produtos agrícolas produzidos na roça do pai, como farinha e mandioca.

Para chegar até o povoado tinha que navegar por horas em canoas guiadas por canoeiros até onde hoje se localiza a ponte sobre o rio na BR-101, a viagem por dentro da mata fechada oferecia perigos comuns na época como o risco de ataque de animais selvagens e aparições de seres sobrenaturais.

Para piorar a situação “os espíritos da selva” atacavam os mais desinformados, por isso desde criança se aprendia com os adultos que ao vê um homem no meio das águas, sentado ou a chamar para o centro do rio, todos deveriam fugir imediatamente do local pois se tratava do temido Caboclo-d’Água . Sobre essa lenda destaca o senhor Natalino:

“Caboco d’Água é igual o Caboco da mata, acontecia do inocente entrar na água ,no raso, e do nada aparecia um homem em pé no meio do rio, ele achava que o desconhecido estava no raso então ia atraído, chegando lá morria afogado ou sugado pelas correntezas do escaldante Itanhém.”

Ainda de acordo com o narrador deste causo o elevado índice de afogamento que vem sendo registrados na cidade nos últimos anos,2012 e 2013, sobretudo de crianças, está relacionado à falta de malícia e conhecimento da lenda por parte dos pais e das crianças, destacando.

“Quando eu era criança na Vila Marinha, meu pai já contava pra gente tomar cuidado, não ficar muito no rio devido estas aparições. Ele também contava que ao navegar pelo Itanhém durante a noite se deparava com vozes e batuques de origem desconhecida dentre as matas.”

Ainda de acordo com o contador de causos, outro morador da cidade que tem o apelido de ”Cheirinho”, costuma contar que certa vez, enquanto pescava no rio Itanhém em Teixeira de Freitas, viu o lendário sentado sobre as águas deslizando sobre as correntes do rio “como se fosse uma folha… Só de calça de tecido comum, sem camisa e com um chapéu de palha”.

Diante da aparição do Caboclo-D’água, um de seus amigos de pescaria, encantado pelo lendário aquático, quase foi levado para o fundo do rio, pois mesmo alertado para não seguir o chamado, ficou hipnotizado e sem ação diante da epifania.

Livre do encantamento “Cheirinho” conseguiu acordar o amigo a tempo. “Se ele tivesse sido encantado também o caboclo levaria mais um. É assim único jeito da pessoa se salvar, os medrosos acordando os corajosos.”

Nomes que a cidade de Teixeira de Freitas já teve

Por Daniel Rocha*

No romance Tieta do Agreste (1977), de Jorge Amado, o narrador faz muitas observações acerca da cultura popular, como:  “os nomes dados por autoridades , escritos em placas de metal confeccionadas em oficinas especializadas na cidade, não resistem às placas de madeira confeccionadas por mãos artesanais e anônimas. Mão do povo”.

De acordo o IBGE, em 14 de fevereiro de 1957, o povoado de São José do Rio Itanhém foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira, através do Ofício de nº 91, de 14 de fevereiro de 1957.

O documento oficial e o único até então conhecido que prova que existiu outra denominação antes do oficial no povoado que mais tarde, ao emancipar, manteve a homenagem ao ilustre baiano Teixeira de Freitas. Destacou José Esteves Ribeiro Neto:

“Em 1957, o então chefe da agência de estatística de Alcobaça, oficialmente solicitou a prefeitura e a câmara daquele município uma homenagem póstuma ao imortal baiano Teixeira de Freitas, dando-lhe o seu nome ao povoado de São José de Itanhém, o que foi bem aceito pelo, então, prefeito municipal”.

O batismo oficial não impediu que a cidade recebesse  alcunhas e apelidos dados pelos populares, falo isso com base nas falas de antigos moradores descritas em documentos e publicações  que serão citados a seguir.

Miguel Geraldo Farias Pires  em um compilação  histórica feita  por ele no ano  1986,  publicada na edição especial do jornal Alerta  de  maio de 2013 diz que:

“Devido a bifurcação das estradas de rodagem de Alcobaça e Água Fria, atualmente Medeiros Neto, e do povoado de São José de Itanhém até o porto de Santa Luzia, no município de Nova Viçosa – sendo esta última de propriedade da firma de madeira “Eleozibio Cunha” , o povoado de São José do Itanhém era conhecido como Perna Aberta”.

Em entrevista a revista  Origens, Teixeira de Freitas, em 1985, o senhor Servídio do Nascimento ( em  memória) recordou que além de tantos outros o município também foi  por muito tempo chamado  de   “Arripiado” ,  assim chamado por haver muita discussão e bate boca no pequeno comércio.

Recorda também o senhor Nascimento que  o primeiro comerciante do povoado, Chico D´água, ao construir  no lugar uma barraca para vender aos motoristas que passavam pela estrada da “Eliosippio Cunha”, plantou uma grande roça de  mandioca onde hoje está o centro da cidade, por isso o lugar foi apelidado  pelos madeireiros e passantes de Mandiocal.

No trabalho monográfico, A vida privada dos Negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas, na década de 1960,  Susana Ferreira evidencia que o povoado foi por um período conhecido como o Comércio dos Pretos:

“Tão logo foi aberto o caminho de terra pela empresa mineira “Elecunha”, de “Eleosippo Cunha”, mudaram se para o lugar, chamado na época de Mandiocal, os negros Francisco Silva e Manoel de Etelvina – este abriria um boteco, tornando o comerciante pioneiro. Assim iniciava o “comércio” mais tarde denominado de “Comércio dos Pretos”.

Recordou Isael de Freitas Correa (em memória) em entrevista no ano de 2009, que  “o povoado mudou de “Ripiado”, Arrepiado, para Tira-Banha, porque deram uma facada em Manoel de Etelvina, comerciante pioneiro, gordo e barrigudo”. Reza a lenda que a facada tirou a banha do pioneiro.

Como Teixeira cresceu na divisa dos municípios de Alcobaça e Caravelas, não se pode deixar de falar da parte Caravelense do povoado  a Vila Vargas, que surge com a exploração da madeira ao sul das primeiras estradas de rodagem, hoje conhecida como AV. Marachal Castelo Branco.

Benedito Ralile revela que  “a formação do povoado se deu na era Vargas, (ditadura por isso esta homenagem em detrimento ao presidente Getúlio Vargas, década de 1950)”.

E importante ressaltar que os nomes oficiais não são escolhidos pelos moradores, a denominação popular sim, tem um sentido, informa e caracteriza o lugar de acordo a sua identidade e cultura,

a  oficial não tem outra função a não ser homenagear uma figura importante da história do país e do estado.

Ao batizar o povoado com o nome de Teixeira de Freitas, as autoridades tiraram da cidade um nome coerente com sua história e cultura, como expressava o significado  dos apelidos , Comércio dos Pretos, Mandiocal, São José do Rio Itanhém.

Ainda hoje se escuta por aí alguns toponímicos como Teixeira das Tretas, Texas City,  Praças dos Leões, que oficialmente e a Castro Alves, o Bairro Wilson Brito, popularmente Buraquinho. Nomes ditos e escritos pela mão do povo.

Referencias.

RALILLE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de.; SOUZA, Scheila Franca de.

Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor  Benedito Ralille, 2006.

JORNAL ALERTA. Teixeira de Freitas: (Gráfica Jornal Alerta, Ano XII N° 779ª,

maio, 2007). Edição especial de aniversário de 22 anos de Teixeira de Freitas.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus- x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Foto: Lateral da prefeitura municipal 1985.Jornal Alerta 2013.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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