Gilberto Gil confirma em entrevista que seus pais já moraram em Medeiros Neto – BA

Em Entrevista de Gilberto Gil para revista Bravo/dezembro/2012 o cantor confirma o que muitos medeirosnetenses já diziam a anos: Seus pais realmente já moraram em Medeiros Neto. Confira na íntegra abaixo a entrevista.

Gilberto Gil: Sonho muito, sabe? (ele se acomoda num terraço do Fasano, luxuoso hotel da Zona Sul carioca. São 17h15 de uma terça-feira, 9 de outubro. À noite, o cantor e o filho Bem irão fazer um pocket-show no bar do hotel)

Bravo!: Sonha com o que?
Com a minha terra, Itaguaçu. Com os lugares marcantes de lá: o átrio da igreja, o mercado, o correio, a rua de cima e a de baixo, as duas únicas da cidade…
No recenseamento de 1950, Itaguaçu somava uns 800 habitantes, acredita? Oitocentos! Na realidade, nasci em Salvador, mas poucas semanas depois segui para o interior da Bahia, onde meus pais moravam. Claudina e José Gil… Meus pais…. ela, mestiça de negro com índio, trabalhava como professora primária. Ainda está viva, em Salvador, e brevemente completará 99 anos. Ele, mulato, morreu com 78.

Foi um dos raros médicos de Itaguaçu – clínico geral e, depois, sanitarista. O outro médico se chamava Edson Gouveia. Também só havia dois farmacêuticos no município. Um deles, José Celestino, me batizou. Lembro-me bem de todos, né? Do doutor Edson, de meu padrinho, do seu Magalhães, do seu Osvaldo Conceição, do Juvenal Wanderley, dos fogueteiros, do pároco, do juiz de direito.

Itaguaçu se localiza entre a caatinga brava, inóspita, dura e a Chapada Diamantina. Por isso se beneficia do clima serrano, mais ameno, mais fresco. E recebe influências tanto da cultura sertaneja quanto da cultura menos rígida que caracteriza a serra.

Diz o Google que a cidade fica longe de Salvador. são quase 500 km de distância.

Não sei exatamente a quilometragem. Mas recordo que levávamos dois dias para chegar à capital. Pegávamos um trem e um navio. Entrávamos de vapor na baía de Todos os Santos. Foi em Itaguaçu que travei contato com a sonoridade e o universo disseminados pelas músicas de Luiz Gonzaga. Conheci os repentistas, os sanfoneiros, os violeiros, os cegos que cantavam enquanto esmolavam. Nas ruazinhas dali, escutei inúmeros dos gêneros que hoje agrupamos sob a designação de forró. Os músicos se encontravam, sobretudo, durante os finais de semana. Tocavam na feira, onde os negociantes vendiam laticínios, rapadura, carnes, feijão, arroz, farinha, verduras e derivados de cana. Uma feira animadíssima, que atraía muita gente da região. Devia ter uns 4 ou 5 anos quando descobri Gonzaga pelo rádio. Na mesma época, costuma ouvir Carlos Galhardo, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Bob Nelson e as irmãs Batista.

O surgimento de Gonzaga, porém, me tirou do sério. “Ele canta como o pessoal de Itaguaçu!”, notei maravilhado. “Ele é o nosso cantor!” Virei fã na hora, me identifiquei de imediato com aquela voz, aquele palavreado, aqueles ritmos. Gonzaga acabou se transformando em meu primeiro ídolo. Eu me esforçava para acompanhar a carreira dele.

O Segundo foi João Gilberto?

Não, foi Dorival Caymmi. Depois, Cauby Peixoto, Angela Maria e, aí sim, João.

Com que idade você saiu de Itaguaçu?

Com 9. Fui cursar o ginásio em Salvador. Morava na casa de tia Margarida, professora como minha mãe.

Nunca mais voltou?

Voltei somente uma vez, para filmar cenas de Tempo Rei (documentário sobre o compositor, lançado em 1996). Já não existe ninguém de minha família em Itaguaçu.
Logo após eu me estabelecer na capital, meus pais deixaram nossa cidadezinha por razões profissionais. Passaram uma temporada em Medeiros Neto, outra em Ibirataia e finalmente se instalaram em Vitória da Conquista. Tudo na Bahia né? Enquanto estive em Itaguaçu, nunca pude ver o Gonzaga pessoalmente. Só o admirava por foto. Mas um dia, já em Salvador, consegui avista-lo de perto. Eu rondava os 10 anos. E o Gonzaga se apresentou na praça Castro Alves. Não… Foi na praça da Sé. Ele fazia uma turnê, patrocinada pelo colírio Moura Brasil, que cruzava o país inteiro. Observá-lo em cena me deixou enlouquecido. Aquilo parecia uma epifania. Fiquei com a impressão de que Gonzaga descera dos céus para pousar bem ali, diante de nós. Um negócio extraordinário!

Você já tocava?

Estava aprendendo acordeão, justamente por causa do Lua. Com 2 anos e meio, disse para minha mãe: “Quando crescer, vou ser ‘musgueiro'”. Inventei um neologismo, né? “Musgueiro”, uma corruptela de músico. Na ocasião, além de me interessar por programas das rádios Tupi e Nacional, ouvia minha mãe e minha avó Lídia cantarolarem em casa. Minha mãe, aliás, cantarola até hoje. Em Vitória da Conquista, integrava o coro da igreja. Talvez por viver tão rodeado de canções é que decidi me tornar “musgueiro”. Mas em Itaguaçu não aprendi nenhum instrumento, embora venerasse as cornetas e os tambores de brinquedo. Um pouquinho antes de me mudar para a capital, minha mãe se lembrou de meu antigo desejo e perguntou: “você ainda quer virar ‘musgueiro’? Respondi que sim. Ela, então, me matriculou numa escola de música em Salvador. “Você não gosta do Gonzaga? Não é louco por baião? Pois vá estudar sanfona!” Eu obedeci né? (risos) E me formei acordeonista. Pratiquei o instrumento entre os 10 e os 16,17 anos – um acordeão da marca Veronese, com 80 baixos. Minha mãe resolveu comprá-lo do professor espanhol que me dava aulas.

Gil com o acordeão que ganhou da mãe quando menino. Foi o primeiro instrumento que aprendeu a tocar

Você o guardou?
Sim, mas raramente toco. Perdi o jeito. No final da adolescência, ganhei um violão Di Giorgio, também de minha mãe, e abandonei gradativamente o acordeão. Só o peguei de novo com seriedade em 2000, quando lancei o disco Gil & Milton.

No álbum, há duas sanfonas, uma das canções que escrevemos juntos. Nós a apresentamos em shows tocando o instrumento. À semelhança do Wagner Tiso, do João Donato e de outros músicos da minha geração, o Milton Nascimento começou como acordeonista. Por isso, compusemos Duas Sanfonas. Peraí… Agora está me ocorrendo que toquei um pouco de acordeão em outro disco de 2000, As Canções de eu tu eles.

Observar Gonzaga em cena me deixou enlouquecido. Aquilo parecia UMA EPIFANIA

“GONZAGÃO ERA COMO UMA PLANTA. ERA AGRESTE, NÉ? INCULTO E BELO…UMA FORÇA BRUTA”

Nos dois trabalhos, você usou o mesmo instrumento que ganhou de sua mãe?

O mesmíssimo! Com aquele acordeão, montei meu primeiro conjunto musical, Os Desafinados. O nome do grupo, claro, surgiu em decorrência da bossa nova. Éramos um baterista, um violonista e dois acordeonistas. A gente tocava para a elite, em aniversários e bailes

Tocavam forró?

Muito de vez em quando. Àquela altura, as classes mais abastadas já não apreciavam os ritmos nordestinos. Então tocávamos standards norte-americanos e cubanos.

Você compunha no acordeão?

Improvisava uns temas, umas bobagenzinhas, mas compor realmente só depois de aprender violão. Se bem que, no tempo dos Desafinados, criei diversos jingles para um publicitário e radialista da Bahia, o Jorge Santos.

Recorda-se de algum?

Deixe-me pensar… Sim! Do jingle que anunciava os produtos da Milisam, loja de um sujeito chamado Milton Sampaio: “Milisam tem crediário popular/Milisam tem roupa feita pra você comprar/Sem sentir/Compre de tudo pra vestir/No crediário popular/No plano espetacular da sua Milisam”. (risos)

Quando você e Luiz Gonzaga se conheceram?

Na época do tropicalismo. Alguém me levou até o apartamento dele. Esqueci quem exatamente. Foi à tarde, na Ilha do Governador. Lembro que Gonzaga elogiou um de meus primeiros sucessos, Procissão, que gravei em 1968 (a música, de cunho político, critica os que prometem “tanta coisa pro sertão”). Ele comentou: “Vocês, jovens que frequentam a universidade, podem questionar a igreja e os coronéis. Eu, não. Sou um homem simples. Preciso agradar todo mundo”. Justificava, assim, as relações mais amenas que certos artistas do Nordeste estabeleciam com os poderosos. Pouco depois, ficou amigo de meus pais. Sempre que passava por Vitória da Consquista, ia visitá-los, tomar um café, comer um bolo.

Gonzagão não fazia ideia da própria importância?

Não, não fazia. Era como uma planta, Era agreste, né? Inculto e belo… Uma força bruta. Misturava-se naturalmente à terra. Pertencia de maneira orgânica àquele universo árido que retratou. Não dispunha do afastamento crítico que os novos cantores preconizavam.

Ele compreendeu o tropicalismo?

Não sei… Nunca conversamos sobre o assunto. De qualquer modo, dá para afirmar que Gonzagão revelou-se tropicalista antes do tropicalismo. (risos) Por um lado, se inseria profundamente na cultura brasileira, negro-mestiça, afro-armonial, afro-mediterrânea. E, por outro lado, dialogava com os gêneros estrangeiros que aprendeu quando trabalhava em inferninhos. Era completamente antropofágico, percebe? O nosso Elvis Presley! (risos) Um artista on the road, que abriu caminho, que pavimentou a estrada para uma porção de gente. Não à toa, o som do acordeão aparece em vários dos hits atuais – o forró universitário, o forró sacana, a trilha da novela Avenida Brasil, as canções do Michel Teló…

Michel Teló não existiria sem Gonzaga?

Oxente! Eu não existiria sem Gonzaga! imagine o Michel Teló, que pintou bem depois. (risos)!

Fonte: Marcos Marcelo/ Patrick Brito http://www.medeirosneto.com// Revista Bravo

Yesterday – A canção mais popular do planeta

Há quase 50 anos atrás, Paul MacCartney teve uma grande inspiração sobre uma canção que lhe veio em mente após uma noite de sono, como ele conta: “Para mim parecia uma canção que já existia, e a letra veio no início como: Scrambled Egg, oh my baby how l Love your leg. Então, percebi que a canção era mesmo minha e que ficava melhor uma frase de três sílabas como ‘yesterday’ ou ‘Sunddenly’ ( John Lennon também influiu na mudança da letra). E ficou então ‘’YESTERDAY’.”

Estamos falando de “YESTERDAY”, a canção que durante todos esses anos recebeu nada mais nada menos que mais de três mil versões de intérpretes como: Chris Montez, Cilla Black, Frank Sinatra, Dianna Ross e Supremes, Willie Nelson, Elvis Presley, James Brown, Nat “King” Cole, Plácido Domingo, José Feliciano, Ray Charles, e tantos outros, além é claro, dos próprios The Beatles e de Paul MacCartney. Uma grande curiosidade de toda essa lista imensa de intérpretes, Marianne Faithfull foi a primeira a interpretar a canção, depois dos The Beatles.

Paul conta que John o encorajou a gravar a canção solo, e que George Martin um produtor musical, arranjador, compositor, engenheiro sonoro, músico e maestro e considerado o quinto beatle, sugeriu o quarteto de cordas, mas no princípio Paul relutou para aceitar a proposta, pois imagina que não pegaria bem fazer um mix de música de câmara com rock. Mas o bom é que Paul acabou cedendo ao texte e que no final de tudo amou o resultado.

Paul começou a gravação de “Yesterday” no estúdio 2 da EMI, em Abbey Road, no dia 14 de junho de 1965, um pouco antes de seu 23° aniversário, mas o interesssante e até mesmo irônico disso tudo é que “Yesterday” nunca recebeu um Grammy.

 

Marcos Marcelo

Pesquisador, Bacharel em Serviço Social, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

 

 

Teixeira de Freitas e Lençóis recebem encontro para Salões de Artes Visuais

A equipe da Coordenação de Artes Visuais da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), entidade vinculada à Secretaria de Cultura (Secult), continua o trabalho de mobilização de artistas visuais para a participação na edição 2013 do edital Salões de Artes Visuais da Bahia, visitando as cinco cidades onde as exposições do projeto serão realizadas este ano.

Nesta quinta-feira (18), às 18h, o encontro acontece em Teixeira de Freitas, no extremo sul, no Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal, que é parceira da ação. No sábado (20), na cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, às 10h, na Casa Afrânio Peixoto, numa parceria com a Fundação Pedro Calmon (FPC) e prefeitura local. Nestes eventos, gratuitos, o público interessado receberá orientações sobre como participar do edital.

As inscrições podem ser feitas até 8 de maio próximo. Nesta edição, o projeto foi ampliado e vai realizar exposições e atividades de formação em cinco cidades baianas de diferentes regiões, reforçando sua relevância no incentivo à criação e difusão de produção artística e à dinamização dos espaços expositivos do interior do estado. A minuta do edital e seus anexos estão disponíveis no site da Funceb.

Oficinas

Até 2012, as exposições dos salões eram montadas em três cidades. Com o aumento do número de territórios alcançados, além de fortalecer a abrangência do projeto, mais artistas serão contemplados e vistos pelo público. No total, até 125 obras (50 a mais do que o ano passado) poderão ser selecionadas para compor as exposições, que têm visitação gratuita e são acompanhadas de oficinas para a qualificação de artistas das localidades.

Podem ser inscritos trabalhos de livre temática, de artistas ou coletivos, nas modalidades de arte e tecnologia, assemblage, cerâmica, colagem, desenho, design gráfico (ilustração, humor gráfico e quadrinhos), escultura, fotografia, grafitti, gravura, instalação, intervenção urbana, objeto, performance, pintura, tapeçaria e videoarte.

As propostas serão avaliadas quanto à qualidade artística e ao currículo do proponente, e o número de selecionados dependerá das características físicas das obras inscritas, e também os espaços expositivos em questão, podendo chegar a 25 por mostra.

Espaços

Desde o ano passado, os Salões ocupam espaços culturais não-vinculados ao Estado, findando a restrição de sua circulação apenas em municípios que possuem centros geridos pela Secult. Neste ano, participam o Centro de Cultura Amélio Amorim (Feira de Santana), o Centro de Cultura Teixeira de Freitas, a Casa Afrânio Peixoto (Lençóis), o Palácio das Artes (Barreiras) e o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima (Vitória da Conquista). As exposições se iniciam em julho e seguem até dezembro deste ano.

Premiação

Na abertura de cada salão, uma comissão de premiação específica anunciará três obras premiadas entre as expostas, que receberão prêmios de R$ 7 mil cada. Serão investidos, um total de R$ 105 mil em premiações para 15 artistas (66% a mais que em 2012). Além disso, cada expositor receberá um auxílio para o custeio da sua participação no valor de R$ 800. Há também os prêmios simbólicos – as menções especiais, indicadas pela comissão de premiação, e o Prêmio do Público, pela escolha dos visitantes.

Inscrições

Podem participar pessoas físicas, maiores de 18 anos, brasileiros natos ou naturalizados, além de estrangeiros com situação de permanência legalizada, domiciliados na Bahia. O edital apenas se restringe àqueles que fizerem parte das suas comissões, além de seus parentes até 2º grau e cônjuges ou aos servidores da Secult e suas vinculadas. A novidade deste ano é que funcionários públicos de outros órgãos do Estado estão habilitados à concorrência.

Eles Estão de Volta, Trio Xodó – Natural de Medeiros Neto

Aos que se recordam de uma época em que a música ainda era música, dos bailes, e aquela espera de chegar o são João pra curtir a tradição da fogueira, fogos, o Trio Xodó da cidade de Medeiros Neto, fez história nos anos 80 e começo dos anos 90. Eles não só embalaram o são João da região, mas também em muitos eventos particulares aqui na cidade de Teixeira de Freitas.

Tocaram por muitos anos no parque de exposição, na antiga Pizzaria Reuter e em outras casas de shows que já não existem mais. Teixeira de Freitas teve o prazer de acompanhar esse grupo que em tantos anos fizeram a alegrias dos teixeirenses e região, com o carisma de seus fundadores Almiro e Tonho de Bela e outros músicos que passaram e também tem os seus méritos. Sucessos emplacados, discos gravados, estradas e a música “Natural de Medeiros Neto” que hoje em dia é ensinada para as crianças nas escolas da cidade.

Tonho de Bela (Sanfoneiro) e Almiro (Vocalista)
Tonho de Bela (Sanfoneiro) e Almiro (Vocalista)

Com certeza ficou na memória de todos que acompanharam essa trajetória, mas agora o Trio Xodó está de volta com todo gás e toda garra, depois de longos anos fora do cenário musical Almiro e Tonho de Bela se reuniram em um show nostálgico no ultimo dia 04 de maio no ACREM protagonizado “Ensaio do São João” e já estão preparando uma grande surpresa para os foliões da região nesse festivo junino.

No projeto teve a participação de músicos que passaram pela banda durante algum tempo como Moises nos teclados, Jailson na guitarra e no Vocal Carica. A participação desses músicos tem uma contribuição muito importante no projeto, “são pessoas que não só vivenciaram, mas contém a essência e o brilho musical” diz Almiro vocalista e um dos fundadores do grupo.

Também fizeram parte do projeto os experientes músicos, o baterista Dudú e o contrabaixista Marcos Marcelo (Marcelinho) ambos de Teixeira de Freitas. O grupo era patrocinado pelo saudoso Gil Campista empresário e proprietário da Brahma distribuidora, onde os fundadores relatam a sua eterna gratidão para com eles.

Marcos Marcelo

Pesquisador, Bacharel em Serviço Social, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

Para Velhos e Novos Fãs

A famosa frase que o beatle John Lennon disse no final dos anos 70 com a separação da maior banda de todos os tempos, The Beatles, teve o seu fim por alguns momentos em 1995. Paul MacCartney, George Harrison e Ringo Starr, juntaram-se para reviver e vivenciar essa fantástica atmosfera musical em uma troca de ideias entre os três Beatles remanescentes.

Ao perguntar Yoko Ono se haveria algum registro com músicas incompletas do beatle John Lennon que pudessem ser incorporada ao projeto que se deu o nome de ANTHOLOGY, uma forma de envolver diretamente o autor de Imagine no projeto, Yoko adorou a ideia e deu a eles uma fita com versões diferentes das músicas, Real Love e Grow Old With me, lançadas no formato demonstração nos discos Milk and Honey (84) e Imagine: John Lennon (88) e a canção Free as a Bird totalmente inédita.

Ao milagre da tecnologia, Paul, George e Ringo puderam se unir novamente ao inesquecível parceiro, retrabalhando e acrescentando novos instrumentos e vocalizações às fitas caseiras de Lennon.

No encarte que acompanha “Anthology vol.1”, Paul MacCartney explicou que ele, George e Ringo gravaram Free as a Bird com um enredo em mente. Ele diz: Construímos um cenário em nosso subconsciente, e fingimos que John havia telefonado para nós, dizendo: “Estou indo de férias para a Espanha, terminem uma canção que adoro e deixei inacabada, confio em vocês”. “Essa prova de confiança era essencial para nós”, explica o ex-beatle. E a magia dos Beatles voltou à tona, 25 anos depois da separação.

Em entrevista ao Daily Express Paul MacCartney disse: “Se John e George ainda estivessem aqui, é bem provável que nós teríamos uma reunião dos Beatles. Eu acho que a gente iria amolecer a ponto de falar ‘vamos lá'”. Na entrevista ele relembrou uma das histórias mais divertidas envolvendo ele e John Lennon. Foi no ano de 1976 o ainda novo programa Saturday Night Live levou ao ar um esquete onde o produtor do programa Lorne Michaels oferecia a quantia de U$3 mil para que os Beatles se reunissem para tocar três músicas no programa.

O que Lorne não podia imaginar é que McCartney estava vendo o programa na casa de Lennon – os dois estavam voltando a se falar após anos afastados – e que eles realmente cogitaram ir até o estúdio se apresentar. Infelizmente eles desistiram da ideia e assim a última chance do mundo ver John e Paul juntos no palco foi abortada. John Lennon foi assassinado em 1980 e George Harrison morreu em 2001 após perder luta contra um câncer.

Fontes:

 http://www.revolution9.com.br/

Marcos Marcelo

Pesquisador, Bacharel em Serviço Social, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

 

Memória estudantil – Escola Anísio Teixeira / AABB Part 03

No ano de 1992, quando iniciaram as aulas no antigo prédio da AABB, logo os alunos não perderam tempo em tirar sarro da situação precária.

O primeiro passo foi rebater a denominação dada à escola pelos alunos dos colégios vizinhos, Ângelo Magalhães e Rômulo Galvão, estes  apelidaram a escola  de AABB – Associação de Bestas e Burros.
Assim para rebater as gozações criou-se uma leitura para as siglas – CEPROG – Centro Educacional Professor Rômulo Galvão, na interpretação dos alunos se tornou Crescendo Para Roubar Galinhas. Portanto, quando um aluno do CEPROG falava “olha os bestas e burros” respondia-se “olha os ladrões de galinhas”. Além destas gozações foi criada uma para cada escola, só que me falha a memória, por isso, não relembro agora.

 

Na escola a situação seguia caótica, buracos nas salas de aula geravam quedas e risadas, hora ou outra a diretora Conceição entrava na sala para falar do absurdo em que havíamos sido colocados.

A professora de mesmo nome era muito alegre e sorridente ria de tudo, principalmente, das brincadeiras dos alunos, uma em especial, o medo que as crianças tinham de ir ao banheiro e deparar com a lendária mulher do algodão. No recreio quem entrava ficava preso, porque sempre tinha alguém para segurar a porta.

 

O fato sobrenatural havia ganhado verossimilhança depois que o Jornal do Meio Dia da rádio local tinha noticiado o caso que assombrava as escolas da cidade. O Jornal do Meio Dia da  Caraípe FM (100.5)  alcançava uma audiência espantosa. Mesmo quem não possuía rádio ouvia o do vizinho tamanho era o volume que se usava na época.

 

Já as meninas não ficavam apenas envolvidas com os fenômenos sobrenaturais muitas  se dedicavam a expressar sua admiração pelos  meninos da 5ª série, algumas mais assanhadas  entregavam declarações feitas em papéis de carta para os amados de 15 anos de idade completos.

 

Ruínas da escola, parede lateralNa sala de aula alguns apelidos geravam brigas no recreio ou na saída, mas no final das contas todo o mundo tinha um, então, não passava de  motivos de risadas constantes.

 

A ofensa maior, recordo, era ter o nome da mãe sendo caluniado ou algum apelido referente a ela, então quando se queria ofender verdadeiramente alguém bastava dizer algo do tipo ”a sua mãe aquela  alguma coisa….” ou apontava se algum defeito na fisionomia, era porrada na certa.

 

No banheiro a literatura registrada nas paredes era os palavrões, dentre os mais citados, fulano é viado ou  etc… Diante deste perturbador fenômeno uma professora (sei que deveria citar o nome mais neste caso prefiro não) resolveu liberar o linguajar buceta, pois, segundo ela não havia mal nenhum em falar este nome porque o órgão sexual feminino tinha outro, foi uma graça chamar os alunos de outra sala e mostra que na 3º terceira série era permitido falar aquele nome em frente à a professora, claro que não demorou ela rever a permissão.

 

Politicamente o Brasil estava mal e economicamente também, não era difícil um aluno passar mal na escola e sair o comentário que tinha saído de casa sem comer, o caso dele relatava a realidade de muitos alunos da época.
As manifestações pedindo a  saída do presidente Collor do poder foi o assunto do dia na escola, alguns usavam uma camisas com o desenho do Baby do seriado do momento, Família Dinossauro, com os dizeres “não quero Collor” um trocadilho bem engraçado.
Em 1992, ano olímpico o chicle da moda era o das Olimpíadas do Pateta que disputava a tapa com o Ping Pong a atenção da molecada. As figurinhas numeradas funcionavam como moeda de troca por lanches ou qualquer outra coisa, como por exemplo, beijinhos no rosto quando o interesse era das meninas.

 

O filme  mais comentado sem dúvida foi  Batman, o retorno. A criançada ficava a catar nos trailers da cidade as tampinhas do refrigerante Pepsi para trocar por um pôster do filme na distribuidora Brahma,  que ficava onde hoje funciona a secretaria municipal de Assistência Social da cidade.
Além da ampla divulgação da mídia (com direito a uma reportagem longa sobre a produção do filme no programa dominical Fantástico, um carro de som rodava as ruas anunciando que já estava em exibição no Cine Brasil, o filme mais esperado do ano, quem se dirigia ao cinema noticiava as filas e a disputa ferrenha por bilhetes nas matinês.
Com toda dificuldade estudar na escola Anísio Teixeira era muito bom, pois, o espaço da antiga AABB improvisado não tinha muros e isso fazia da escola um lugar diferente de qualquer outro. Hoje, quando ando pelas ruas da cidade ou procuro um serviço de alguma instituição pública ou privada, encontro os antigos  colegas, que fazem questão de recordar os bons momentos vividos na escola improvisada.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

 

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