Para Velhos e Novos Fãs

A famosa frase que o beatle John Lennon disse no final dos anos 70 com a separação da maior banda de todos os tempos, The Beatles, teve o seu fim por alguns momentos em 1995. Paul MacCartney, George Harrison e Ringo Starr, juntaram-se para reviver e vivenciar essa fantástica atmosfera musical em uma troca de ideias entre os três Beatles remanescentes.

Ao perguntar Yoko Ono se haveria algum registro com músicas incompletas do beatle John Lennon que pudessem ser incorporada ao projeto que se deu o nome de ANTHOLOGY, uma forma de envolver diretamente o autor de Imagine no projeto, Yoko adorou a ideia e deu a eles uma fita com versões diferentes das músicas, Real Love e Grow Old With me, lançadas no formato demonstração nos discos Milk and Honey (84) e Imagine: John Lennon (88) e a canção Free as a Bird totalmente inédita.

Ao milagre da tecnologia, Paul, George e Ringo puderam se unir novamente ao inesquecível parceiro, retrabalhando e acrescentando novos instrumentos e vocalizações às fitas caseiras de Lennon.

No encarte que acompanha “Anthology vol.1”, Paul MacCartney explicou que ele, George e Ringo gravaram Free as a Bird com um enredo em mente. Ele diz: Construímos um cenário em nosso subconsciente, e fingimos que John havia telefonado para nós, dizendo: “Estou indo de férias para a Espanha, terminem uma canção que adoro e deixei inacabada, confio em vocês”. “Essa prova de confiança era essencial para nós”, explica o ex-beatle. E a magia dos Beatles voltou à tona, 25 anos depois da separação.

Em entrevista ao Daily Express Paul MacCartney disse: “Se John e George ainda estivessem aqui, é bem provável que nós teríamos uma reunião dos Beatles. Eu acho que a gente iria amolecer a ponto de falar ‘vamos lá'”. Na entrevista ele relembrou uma das histórias mais divertidas envolvendo ele e John Lennon. Foi no ano de 1976 o ainda novo programa Saturday Night Live levou ao ar um esquete onde o produtor do programa Lorne Michaels oferecia a quantia de U$3 mil para que os Beatles se reunissem para tocar três músicas no programa.

O que Lorne não podia imaginar é que McCartney estava vendo o programa na casa de Lennon – os dois estavam voltando a se falar após anos afastados – e que eles realmente cogitaram ir até o estúdio se apresentar. Infelizmente eles desistiram da ideia e assim a última chance do mundo ver John e Paul juntos no palco foi abortada. John Lennon foi assassinado em 1980 e George Harrison morreu em 2001 após perder luta contra um câncer.

Fontes:

 http://www.revolution9.com.br/

Marcos Marcelo

Pesquisador, Bacharel em Serviço Social, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

 

Memória estudantil – Escola Anísio Teixeira / AABB Part 03

No ano de 1992, quando iniciaram as aulas no antigo prédio da AABB, logo os alunos não perderam tempo em tirar sarro da situação precária.

O primeiro passo foi rebater a denominação dada à escola pelos alunos dos colégios vizinhos, Ângelo Magalhães e Rômulo Galvão, estes  apelidaram a escola  de AABB – Associação de Bestas e Burros.
Assim para rebater as gozações criou-se uma leitura para as siglas – CEPROG – Centro Educacional Professor Rômulo Galvão, na interpretação dos alunos se tornou Crescendo Para Roubar Galinhas. Portanto, quando um aluno do CEPROG falava “olha os bestas e burros” respondia-se “olha os ladrões de galinhas”. Além destas gozações foi criada uma para cada escola, só que me falha a memória, por isso, não relembro agora.

 

Na escola a situação seguia caótica, buracos nas salas de aula geravam quedas e risadas, hora ou outra a diretora Conceição entrava na sala para falar do absurdo em que havíamos sido colocados.

A professora de mesmo nome era muito alegre e sorridente ria de tudo, principalmente, das brincadeiras dos alunos, uma em especial, o medo que as crianças tinham de ir ao banheiro e deparar com a lendária mulher do algodão. No recreio quem entrava ficava preso, porque sempre tinha alguém para segurar a porta.

 

O fato sobrenatural havia ganhado verossimilhança depois que o Jornal do Meio Dia da rádio local tinha noticiado o caso que assombrava as escolas da cidade. O Jornal do Meio Dia da  Caraípe FM (100.5)  alcançava uma audiência espantosa. Mesmo quem não possuía rádio ouvia o do vizinho tamanho era o volume que se usava na época.

 

Já as meninas não ficavam apenas envolvidas com os fenômenos sobrenaturais muitas  se dedicavam a expressar sua admiração pelos  meninos da 5ª série, algumas mais assanhadas  entregavam declarações feitas em papéis de carta para os amados de 15 anos de idade completos.

 

Ruínas da escola, parede lateralNa sala de aula alguns apelidos geravam brigas no recreio ou na saída, mas no final das contas todo o mundo tinha um, então, não passava de  motivos de risadas constantes.

 

A ofensa maior, recordo, era ter o nome da mãe sendo caluniado ou algum apelido referente a ela, então quando se queria ofender verdadeiramente alguém bastava dizer algo do tipo ”a sua mãe aquela  alguma coisa….” ou apontava se algum defeito na fisionomia, era porrada na certa.

 

No banheiro a literatura registrada nas paredes era os palavrões, dentre os mais citados, fulano é viado ou  etc… Diante deste perturbador fenômeno uma professora (sei que deveria citar o nome mais neste caso prefiro não) resolveu liberar o linguajar buceta, pois, segundo ela não havia mal nenhum em falar este nome porque o órgão sexual feminino tinha outro, foi uma graça chamar os alunos de outra sala e mostra que na 3º terceira série era permitido falar aquele nome em frente à a professora, claro que não demorou ela rever a permissão.

 

Politicamente o Brasil estava mal e economicamente também, não era difícil um aluno passar mal na escola e sair o comentário que tinha saído de casa sem comer, o caso dele relatava a realidade de muitos alunos da época.
As manifestações pedindo a  saída do presidente Collor do poder foi o assunto do dia na escola, alguns usavam uma camisas com o desenho do Baby do seriado do momento, Família Dinossauro, com os dizeres “não quero Collor” um trocadilho bem engraçado.
Em 1992, ano olímpico o chicle da moda era o das Olimpíadas do Pateta que disputava a tapa com o Ping Pong a atenção da molecada. As figurinhas numeradas funcionavam como moeda de troca por lanches ou qualquer outra coisa, como por exemplo, beijinhos no rosto quando o interesse era das meninas.

 

O filme  mais comentado sem dúvida foi  Batman, o retorno. A criançada ficava a catar nos trailers da cidade as tampinhas do refrigerante Pepsi para trocar por um pôster do filme na distribuidora Brahma,  que ficava onde hoje funciona a secretaria municipal de Assistência Social da cidade.
Além da ampla divulgação da mídia (com direito a uma reportagem longa sobre a produção do filme no programa dominical Fantástico, um carro de som rodava as ruas anunciando que já estava em exibição no Cine Brasil, o filme mais esperado do ano, quem se dirigia ao cinema noticiava as filas e a disputa ferrenha por bilhetes nas matinês.
Com toda dificuldade estudar na escola Anísio Teixeira era muito bom, pois, o espaço da antiga AABB improvisado não tinha muros e isso fazia da escola um lugar diferente de qualquer outro. Hoje, quando ando pelas ruas da cidade ou procuro um serviço de alguma instituição pública ou privada, encontro os antigos  colegas, que fazem questão de recordar os bons momentos vividos na escola improvisada.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

 

História, Recordações, Relatos, Causos e Memória