Uma história da “Praça do Shopping”

Por Daniel Rocha

A praça Hilton Chicon, conhecida popularmente como “ Praça do shopping, foi construída no período de 1995 e 1996, e é uma das maiores atrações da cidade, Este nome teve origem devido a sua proximidade com o Shopping Teixeira Mall. A praça possui  espaço amplo e é cercada por inúmeras memórias, observações e lembranças.

Domingos Viana, que mora  próximo a praça, relata que antes da sua construção aquela área era uma grande lagoa natural. Nas mediações existia uma serraria por nome “Divilan” que tal como outras jogava  detritos da madeira naquela área da lagoa até então coberta por uma vegetação chamada “taboa”. 

A vegetação alta por sua vez era usada por alguns casais de namorados para encontros amorosos escondidos. Em algumas ocasiões a lagoa também servia como esconderijo para “pivetes” e “assaltantes” que praticavam assaltos no centro da cidade.

Praça do Shopping: ano desconhecido

Neste cenário, preocupado com o grande número de crianças na rua o Sr. Domingos resolveu aproveitar um campinho de pó de serra popularmente chamado de “Fofão” para desenvolver um trabalho com as crianças do bairro formando então uma “escolinha de futebol. O trabalho que teve continuidade na “Praça da Rinha” evoluiu em outros espaços, como o Ginásio de Esportes, onde ficou até 2006.

Além disso, segundo a perspectiva do senhor Domingos, a lagoa era lugar de vida abundante, cobras, insetos e rãs tomavam conta da área quando chovia demasiadamente. Na época, a era uma iguaria apreciada por alguns moradores e por essa razão ele e alguns adolescentes entravam na lagoa durante a noite para capturar o anfíbio para vender aos interessados, (bares e hotéis).

“Íamos durante a noite com um saco de plástico desses de arroz para colocar as rãs e uma lata de óleo com uma vela dentro, uma lanterna improvisada, catando as maiores para vender, tinha boa saída… Perto da praça era a parte mais funda da lagoa, onde se encontrava mais rãs, até hoje a chuva vem, só que não acha a lagoa….. Só o Shopping.”

Domingos, primeiro da direita para esquerda. Escolinha de Futebol

Já sua esposa, Doracy Pereira, trabalhadora como todos os moradores do lugar, lembra se das dificuldades vividas em períodos de chuva e das antigas valas de drenagem e esgoto que cortava o Bairro da Lagoa e suas mediações. De acordo  com as suas lembranças durante os episódios de alagamento as águas das valas empurrava para dentro das casas insetos, cobras, lagartos e até preás. O mau cheiro do esgoto doméstico jogado na via era tanto que incomodava os moradores da Rua Tomé de Souza.

“Para atravessar a vala tinha que passar por uma “pinguela” de madeira”, improvisada como ponte. “Cansei de tirar gente de dentro que caiu após se desequilibrar, era comuns bêbados, crianças…. Isso tudo aqui na porta de casa, a poucos metros da Praça”.

Depois desta etapa houve a construção da praça, onde no final dos anos 90 e toda década de 2000,  um coreto que existia na paragem se tornou o palco preferido dos apaixonados estudantes que usavam aquele lugar para antecipar seus primeiros beijos e amassos, atitude comum entre os jovens que também ocupavam o lugar para fazer música, praticar esportes e fumar, rotina prejudicada pelo abandono e desleixo que tomou conta do lugar com o tempo.

Tanto que em 2009 o poeta e cronista Zarfeg escreveu na sua coluna no site de notícias Teixeira News um texto que no presente se mostra mais atual do que nunca, como pode ser observado no trecho:

“Me permitam narrar as tristes impressões que me causou a recente visita que fiz à Praça Hilton Chicon, situada no coração de Teixeira de Freitas. (…) À primeira vista, a impressão que se tem é que o shopping vai afundar a qualquer momento no meio de tanto abandono político-administrativo. E chegamos ao xis da questão: a drenagem do shopping foi sempre tratada com descaso pelas últimas administrações, mas é, reconhecidamente, a única forma de transformar aquele espaço público decadente em motivo de orgulho para os teixeirenses. A verdade é que chegamos ao ponto em que adiamentos e promessas não bastam. É preciso compromisso, ação, mãos à obra, que a cidade tem pressa”.

Fontes

A. Zarfeg. A praça é ou não é do povo? Teixeira News. 31/01/2009. Acessado Março de 2009. Acervo site Tirabanha.com.br.

Conversa informal com Domingos Viana. Maio de 2016. Março de 2019.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Fotos: Ano desconhecido. 

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