Tocha olímpica em Teixeira de Freitas III A luta para manter o futebol nos bairros

 

Por (Daniel Rocha)

Por muitos anos o futebol de campinho foi o esporte preferido da criançada teixeirense. Fácil de jogar não exigia mais que um campo de terra, geralmente terrenos baldios e uma bola Dente de Leite, toda criança tinha.

Foi neste contexto que chegou a cidade, no ano de 1980, o senhor Domingos Viana, até hoje morador do centro da cidade, que é conhecido popularmente como Lagoa, proximidades do Shopping Teixeira Mall.

Domingos conta que naquela época não havia o shopping, no lugar, uma grande lagoa, nas proximidades uma serraria que jogava todo pó produzido no local.

Preocupado com o grande número de crianças na rua, ele resolveu aproveitar um campinho de pó de serra existente no bairro para desenvolver um trabalho com as crianças tendo  como objetivo  tirar a meninada da rua transmitir valores e formar “homens de valor”.

Anos depois, em 1991, foi convidado pelo professor Ataleia, da prefeitura, para dar continuidade ao trabalho no campo de futebol da Praça da Rinha, onde também tinha como público alvo crianças de rua, carentes, desocupadas ou que geravam dor de cabeça para os pais.

O trabalho foi batizado de Escolinha do Vasco Contra as Drogas e assistia crianças com idades entre 06 e 14 anos. Da Praça da Rinha a escolinha foi transferida para o ginásio de esporte, no ano 2000, onde esteve até o ano de 2006.

Com a ausência de patrocínio da prefeitura municipal o projeto começou a agonizar por falta de espaço e já não é realizado desde o ano passado. Tanto que nos últimos meses, tem se dedicado a procurar apoio do poder público, a fim de voltar a desenvolver o trabalho com as crianças do “Bairro da Lagoa” que na sua opinião precisam ocupar o tempo com a prática de esporte.

Aproveitando o momento festivo da passagem da tocha olímpica pela cidade e a realização dos jogos olímpicos  no país, procurei o senhor Domingos para um bate-papo sobre sua situação e saber o que pensa a respeito da realização do evento no Brasil.

Ele afirma que não está encontrado apoio nem mesmo das escolas públicas do município mesmo quando informa que é para trabalhar com as crianças do bairro. Perguntado sobre o tipo de apoio que  espera do poder público, Domingos respondeu que no mínimo contavas com um espaço para realizar o trabalho voluntário, algumas chuteiras e uniformes, disse ainda que seu maior desejo é tirar crianças da marginalidade, do caminho das drogas é do trafico.

 Segundo domingos, seu projeto é treinar os filhos dos seus alunos que pedem para que repita o trabalho que fez com eles. Lamentou ainda, que não encontra mais espaço para realizar seu projeto, pois a cidade cresceu e engoliu os campinhos. É não há interesse por parte de secretário de esporte, prefeito ou vereador em ver o trabalho ser realizado.  

Quando perguntado a sua opinião sobre a passagem da Tocha Olímpica pela cidade e a realização dos jogos no país, Domingos disse que vê como algo muito bom para o país e para cidade, ressaltou, que um evento mundial grandioso como esse, vai mostra que somos um povo capaz.

Aproveitou a oportunidade também para dizer que aguarda que  a prefeitura não se esqueça de convidar para o evento da passagem da tocha as representações de bairros, times de futebol, o pessoal da capoeira e outros amadores, uma vez que, os jogos oficiais  são mesmo só para os mais ricos, que tem condições de assistir nos estádios.

Não faz sentido! Há uma incoerência entre o discurso da Administração Municipal e realidade vivida, principalmente pela juventude teixeirense? Sem apoio e incentivo à pratica de esporte e sem educação de qualidade ,resta aos nossos jovens o largo e atrativo caminho do crime? Qual sua opinião sobre o assunto? Comente

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