Por Daniel Rocha

O bicentenário do 02 de julho na Bahia é um marco importante a ser comemorado este ano quando se completará exatos 200 anos da independência do estado, que foi o último a expulsar as tropas portuguesas do território nacional, um evento de extrema relevância na história dos baianos e baianas.

No entanto, é necessário ressaltar que, muitas vezes, o processo ocorrido no extremo sul da Bahia é pouco lembrado pelas escolas da região e pelos livros didáticos. Nesse sentido, é fundamental relembrar os acontecimentos que levaram à expulsão dos invasores portugueses e como isso afetou essa região específica.

A Bahia foi tanto a porta de entrada quanto a de saída dos invasores portugueses, que colonizaram o território brasileiro. Isso se deve ao fato de que as tropas lusitanas, que resistiram ao grito de Dom Pedro I proclamando a independência do país em 7 de setembro de 1822, foram completamente expulsas do território baiano no dia 2 de julho de 1823. Esse evento consolidou um processo de intensas lutas no estado, marcando a luta pela independência.

Mas como esse processo foi sentido no extremo sul da Bahia, região considerada conhecida como a terra do descobrimento? O que dizem os livros, estudos e documentos oficiais sobre esse contexto? Além dos conflitos entre brasileiros e portugueses, quem mais se envolveu nesse confronto?

Uma carta enviada ao então Imperador D. Pedro I, datada de outubro de 1823, revela um fato ocorrido na Vila de Caravelas, BA, relacionado ao movimento de expulsão dos portugueses contrários à independência do país no extremo sul da Bahia.

Essa vila era uma das mais importantes portuárias do sul baiano e sofreu uma tentativa de invasão e tomada por uma embarcação portuguesa durante o período em que representantes dos colonizadores ainda resistiam no estado.

Documento Oficial

Em uma correspondência oficial de efeito jurídico, datada de outubro de 1823, o integrante do Governo Provisório da Província da Bahia, Manoel F. de Paiva, informou ao Imperador que nada relevante havia ocorrido na região, exceto a apreensão de uma suspeita escuna marítima:

“Em observância do respectivo ofício de 1º de setembro passado e da portaria de J. M I de 30 de julho do corrente ano de 1823, informamos que nesta vila, com exceção da tomada da Escuna Mariana, não houve outros combates a favor da sagrada causa da independência, e que os habitantes não estiveram sempre prontos para qualquer luta a favor do imperador e da pátria.”

No entanto, contrariando essa versão oficial, o depoimento do português Tenente-coronel Antônio José Gomes Loureiro, tripulante da escuna apreendida em Caravelas, prestado em juízo durante o julgamento do caso em 1825, apresentou uma outra versão dos eventos ocorridos, revelando detalhes que desmontam a versão oficial informada na carta….(Continua no próximo Texto)

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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