Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha*

Este texto e a primeira parte de uma série de três, que foi escrito a partir de pesquisa em revistas, livros, arquivos pessoais e relatos orais. Tem por finalidade informar e apresentar minha versão sobre a assistência hospitalar e o trabalho das parteiras na Teixeira de Freitas das décadas de 1960 e 1970.

Para entender a atuação das parteiras no povoado de Teixeira de Freitas, e preciso conhecer um pouco do contexto da região e do país nas décadas focada por este trabalho.

O historiador Cláudio Bertolli Filho, escreveu que em 1920, cerca de 90% dos brasileiros habitavam a zona rural ,“ex- escravos e seus descendentes” eram considerados pelos fazendeiros “preguiçosos, bêbados e doentes”.

A maioria vivia do cultivo de pequenas roças, tinham pouco contato com as cidades e vilas próximas. Nessa situação ficavam expostos  a política dos coronéis. A agricultura constituía a base da economia.

Na década de 1950 a 1980, este senário mudou com   as transformações  trazidas  pela migração urbana. Milhares de famílias deixaram o campo para viver em cidades. Para os historiadores João Manoel Cardoso de Mello e Fernando  Novais:

“O estado foi construindo estradas de rodagem e criando alguma infraestrutura econômica e social (eletricidade, polícia e justiça, escolas, postos de saúde etc.) as cidades que foram nascendo ou revivendo na ‘marcha para o interior do Brasil’”.

Os autores destacam que neste período o Brasil podia ser dividido em dois, um moderno e urbanizado, outro agrícola e rural.

Nesse aspecto a Bahia se assemelhava a situação do país, a capital desenvolvia se livremente, em enquanto em regiões mais distantes, como extremo sul não recebia investimentos na mesma proporção.

Em 1967 a revista brasileira de estatística publicou o artigo, Panorama econômico – social da Bahia, de autoria do geógrafo Milton Santos, com uma análise detalhada da situação econômica e social do estado.

Neste Artigo destacou o autor que 1962, havia na Bahia apenas 7 960 leitos hospitalares, sendo que 4 679 estavam em Salvador.

Durante os primeiros anos da década de 1960, a capital contava com 1 163 médicos para um grupo de 551 moradores, no extremo sul a média era de 01 para 38 394.

Nesse panorama de precariedade, os leitos hospitalares eram inexistentes, enquanto no estado a proporção era de 1,32 por 1000 habitantes, no extremo sul não havia um sequer.

Neste contexto as prefeituras locais pouco podiam fazer. Isso fica evidente no discurso de encerramento dos trabalhos legislativos da câmara de Alcobaça em 1955.

O vereador Dr. José Nunes, presidente da Câmara Municipal resumiu os trabalhos da casa durante o pleito do prefeito Deolisano Rodrigues de Souza, destaco as ações sanitárias descritas.

Dentre as ações no campo da saúde, fala sobre a construção de um posto médico com a assistência diária de um enfermeiro e Dr. Almiro Cerqueira uma vez por semana.

Outro trecho do documento destaca a ação na vila de Medeiros Neto, criou o prefeito um posto médico que “que depois de funcionar durante dois anos a política diversa conseguiu mandar fechar”.

Se no município de Alcobaça a situação era difícil a das vizinhas Caravelas  não parecia melhor. Em 1965, graças a doações da ordem holandesa, CERIS, foi possível a construção do hospital em Caravelas.

Segundo Frei Elias “sobre as bases abandonadas de uma velha construção que ninguém sabia se era do governo municipal, estadual ou federal”.

Em 1966, o governo cria Instituto Nacional de previdência Social (INPS) que se responsabilizou assistência médica dos trabalhadores segurados e de seus familiares em nível nacional. (SAITO 2008)

Em Porto Seguro e Eunápolis a situação era semelhante, pelo menos para os nativos de Coroa Vermelha. De acordo denúncia dos jornalistas Anamaria e Evandro Teixeira, enviados especiais do Jornal do Brasil, para cerimônia de inauguração do trecho Vitoria – Bahia da BR- 101, em 22/04/1973,  faltava médicos no posto de saúde  da FUNAI , para  assistência aos nativos.

Em Teixeira de Freitas,BA, o primeiro o hospital construído foi o Sobrasa no ano de 1971, oferecia 200 leitos para internação dos conveniados ao seguro social. Quem não tinha carteira assinada, recorria à caridade, os farmacêuticos e curandeiros.

No caso de estarem gestantes as mulheres sem vinculo empregatício recorria às parteiras. Em meados da década de 1970, as irmãs Viane e Georgette começaram a atuar no povoado de Teixeira de Freitas.

Prestavam serviços de assistência básica como, pré- natal acompanhamento de crianças e triagem médica no único posto médico da cidade. Inaugurado em 1972 o posto funcionava na casa do conhecido morado Alcenor Barbosa.

A irmã de caridade, Georgete, também promoviam cursos de formação e supervisão das parteiras e realizavam partos.
Diante do exposto , concluir que a maioria das mulheres do interior do município de Alcobaça e de Caravelas BA, da qual Teixeira de Freitas era parte, não tinham fácil acesso a acompanhamento médicos nas décadas de 1960 e 1970.
Isso porque não havia médicos e nem hospitais suficientes para atender a população, também não havia atendimento público organizado pelo estado para os não conveniados ao INAPS. 

No próximo texto vamos conhecer alguns relatos sobre o trabalho das parteiras no povoado de Teixeira de Freitas.

Fontes:

DE PAULA, Margarete Inês Portela. Gestão de Saúde: aspectos conceituais e historicos. Revista Mosaicum, n. 9, p. 15 – 20, 2009.

Dos Santos.Jonival Alves, Dos Santos. Eliomar Pires.O tratamento médico e as práticas populares em Teixeira de Freitas nas décadas de 1960 e 1970. Uneb 2011.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

 MELLO, João Manuel Cardoso; NOVAIS, Fernando A. Capitalismo tardio e sociabilidade modernaIn: SCHWARCZ, Lilia Moritz. (org). História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, V.4  p. 559-619.

SAITO, Raquel Xavier de Souza. Saúde da família: considerações teóricas e aplicabilidade. (org.) Elizabete Calbuig Chapina Ohara. São Paulo: Martinari, 2008.

KOOPMANS. Padre JoséAlém do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

SANTOS. Milton . Panorama econômico – social da Bahia. Revista Brasileira dos municípios.Junho/Dezembro – 1964.

KOVÁES, TEIXEIRA – Anamaria e Evandro. Festa de inauguração da nova Rio-Bahia. Abril – 73. 1º caderno.

Veja também:

Mulheres parteiras parte 02.

Festival gastronômico sabores de Teixeira de Freitas.

Por Daniel Rocha.

Não fique sabendo dos sabores pela boca dos outros, visite um dos pontos do festival gastronômico de Teixeira de Freitas.

Confira a lista dos bares e restaurantes inscritos no 1º Festival Gastronômico de Teixeira de Freitas:

 

Bar e Churrascaria do Gaucho

Rua Maiquinique, 119 – Mirante do Rio (73 9916-1926)

Bar Paulista

Rua Ministro Alfredo Buzaid, 799, Monte Castelo (73 2011-0616)

Big Frango Bom (Bar Godô)

Av. Gonçalves ledo, 74, Bela Vista (73 3291-2704

Bistrô Valentina

Rua Jardim de Alá, 188, Vila Caraípe (73 2011-0470)

Bonna Pizza

Rua Teixeira de Freitas, 288, Centro (73 3291 6464)

Caipirinha Carioca Bar e Botequim

Rua Joana Angélica, 53, Santa Rita (73 3292-1243)

Cantinho da Kátia

Shopping Teixeira Mall (73 3291-2822)

Cantinho Japonês

Rua Félix Ramos de Souza, 512, Centro (73 3291-3543)

Churrascaria Oriental

Rua Águas Clara, Monte Castelo (73 3292-67 50)

Dangus Batataria

Rua Guanabara, 252, Recanto do Lago (73 3011-2345)

Emporio dos Petiscos

Av. Pres. Getúlio Vargas 3361, Centro (73 3291-5077)

Gatos e Janelas

Rua Francisco dos Santos, 117, Kaikan Sul (73- 3292 0537)

Lofty Pizzaria

Av. Getúlio Vargas, 1124, São José (73 3292-6722)

Lord Grill Restaurante

Rua Teixeira de Freitas, 123, Centro (73 3311-5506)

Oxente Gourmet Tapiocaria

Avenida São Paulo, 669, Santa Rosa De Lima (73 3013-1899)

Pardal Restaurante

Rua Nascimento Felix, 348, Bela Vista (73 3292-5486)

Pizzaria Napolitana

Rua Filipina, 66, Caraípe (73 3291-8125)

Prensadinho

Praça dos Leões, Centro (73 9904-1717)

Quality Sul Hotel e Restaurante

Rua Antônio Simplício de Barros, 234, Centro / Praça Da Bíblia (73 3011-0400)

RED Lanches

Praça Hilton Chicon, 281, Loja B2 Centro (73 3011-3456)

Restaurante Alcântara

Rua Joana Angélica, 10, Santa Rita (73 3292-7052)

Restaurante e Pousada Lord

BR – 101 ,  KM 878, Castelinho (73 3292-5940)

Restaurante Minato

Av. Brasil, 240, Recanto do Lago (73 3291-8857)

Restaurante Quinta do Barreiras

Av. Marechal Castelo Branco, 26, Centro (73 3291-5876)

Sabor Maior

Shopping Teixeira Mall (73 3013-2595)

 Varandas Bar

Av. Santa Izabel, 153, Monte Castelo (73 3292-6615)

Músico Endoser em Teixeira de Freitas

Por Marcos Marcelo*

Endoser* A partir do momento em que um fabricante ou importador se dispõe a patrocinar, apoiar  com equipamento de trabalho a um profissional de música, áudio ou produção musical, espera-se uma contrapartida por parte deste profissional (endorser). Este retorno acontece em trabalhos fonográficos, shows ao vivo, gravações de DVDs, workshop e aulas, através da exposição da marca em meios de comunicação de massa como jornais, revistas especializadas, sites e programas de TV. Claro, dependendo dos recursos que cada um disponha.
A nossa região também tem profissionais na lista dos endosers, o professor de bateria Jusceli Norberto que é patrocinado pelas marcas GRETSCH- (baterias), SPANKING-(baquetas) SOULTONE CYMBALS – (Pratos de bateria) E KICK PORT- (Acessários) SONOTEC (Distribuidora autorizada nas marcas de bateria Grestsch e pratos Soultone).

Jusceli é natural de Caravelas – BA que atualmente reside em nossa cidade e nus conta sobre sua trajetória musical e o seu entusiasmo por ser o primeiro músico endoser da região.

*Eu tinha 10 anos e tudo começou com a influência de João Barone (baterista dos Paralamas do Sucesso) na minha carreira.

O contato mesmo com o instrumento só foi acontecer anos mais tarde, em Teixeira de Freitas no ano de 1992 já com 14 anos. Desde então não parou mais. Em 1995 mudou-se para Vitória-ES onde iniciou as aulas com o professor (músico da PM), Luciano Félix e teoria musical (Leitura) com Mauricélio pianista e saxofonista. Participou em várias bandas na capital do ES e uma marcante em sua carreira foi uma banda cover dos Mamonas Assassinas em 1997.

Em 1998 começou a lecionar ainda no Espírito Santo. Em 2002 trabalhou com a banda Alicerce (Gospel). Em 2004, de volta à Bahia entrou para a escola de Música Vila Lobos, como titular da cadeira de baterista onde atuou como professor durante 4 anos. Foi o idealizador do projeto “Workshop de Baterias” em 2005, o primeiro Workshop de Bateria da Região.

No ano de 2007 realizou o encontro de bateristas o projeto “Bateras 100% Teixeira”, na praça da bíblia, o maior evento de bateristas do extremo sul da Bahia, onde tocaram juntos 28 bateristas, evento que marcou a nossa cidade. Neste mesmo ano, devido ao sucesso de críticas, recebeu um o convite para trabalhar com nos shows do  “Roupa Nova” pela região, “Foi um sonho realizado, algo que jamais passou pela minha cabeça. Imagine você estando lado a lado com uma das melhores Bandas do país.”

Em 2008 abriu a sua escola de bateria com metodologia própria, onde lecionar prática e leitura. É especialista em ritmos brasileiros e latinos. Muitos de seus alunos já estão atuando por aí.  Atualmente, a escola conta com mais de 60 alunos, e é um dos integrantes do trio de música instrumental – “O Trio Nosso de Cada Dia”.

 

Escola de Bateria Jusceli Norberto

Av: Kaikan 310, Jardim Caraípe

Fone: 73 8114- 6911

juscelibaterabatera@hotmail.com

Parceiros: STUDIO TRILHAMIX (Patrick Junior), GRETSCH- (baterias), SPANKING-(baquetas) SOULTONE CYMBALS – (Pratos de bateria) E KICK PORT- (Acessários) SONOTEC (Distribuidora autorizada nas marcas de bateria Grestsch e pratos Soultone).

 

Fonte: http://www.backstage.com.br/newsite/ed_ant/materias/178/Endorsement,%20Endorser%20e%20Endorsee.htm

http://www.sonotec.com.br/endorsers/endorsers_j.php

http://www.soultonecymbals.com/artist/jusceli-norberto

http://www.spanking.com.br/bateras.htm

http://www.sonotec.com.br

 

Marcos Marcelo

Assistente Social, Pesquisador, Músico, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

 

Praça dos Leões: O marco zero da cidade parte 01

 Daniel Rocha

É impossível determinar exatamente o marco zero da cidade de Teixeira de Freitas, onde de fato tudo começou, isso porque mesmo tendo a população rural se fixado primeiramente às margens do rio Itanhém em meados do século 18, foi nos arredores da Praça dos Leões que a cidade desabrochou através da movimentação dos moradores das localidades próximas.

Sabemos  através destes antigos moradores que anterior à década da urbanização do espaço, em 1950, no local da praça já existia movimentação de pessoas  no local.

Por exemplo, recorda Isidrio Alves, nascido e criado em comunidades rurais próximas, que em 1934 presenciou a passagem de descendentes de negros escravizados vindos de um lugar por nome Japira ,que ficava às margens do rio Itanhém, pelo lugar.

Lembra que os negros vinham passar semanas na mata caçando animais e por esse motivo ficavam alojados onde hoje é o centro da cidade, no exato local da praça, em um rancho de palha construído por eles. “De short e um facão na cintura, falando embolado”.

Já outro antigo morador Isael de Freitas Correia, em memória, em entrevista, diz que em 1923 ele conheceu uma pequena aglomeração de moradores onde hoje se encontra a praça dos leões.

Na mesma entrevista o antigo morador da Fazenda Nova América, hoje parte da cidade, relatou que lá um grupo de caboclos vivia em meio a mata se alimentando da pesca e caça. Os fatos citados por ele  indicam que se refere ao mesmo grupo de negros citado por Isidro, o que reforça a hipótese de que o local servia de ponto de apoio para os moradores da Japira.

Já para pioneiro Arnaldo Santos o local da praça  destacado e de fato o marco zero da cidade. Arnaldo  foi proprietário da fazenda “Água limpa” que ficava onde hoje está o bairro Wilson Brito e parte do centro da cidade entre as décadas de 1940 e 1950 e apresentou boas lembranças  sobre este período.

Em conversa informal sobre o assunto e disse que a Japira ficava acima do Córrego Charqueada e que no local de fato moravam famílias de descendentes de escravos popularmente conhecidos pela alcunha “colonheiros”. Contudo, até onde sabe, entre o córrego e o lugar da praça não havia outro movimento anterior à década de 1940. 

Quanto ao surgimento do povoado e o marco zero da cidade Arnaldo Santos chamou atenção para o fato de que Manoel de Etelvina, o Tira-Banha, tido como o pioneiro a ocupar as imediações de onde hoje fica a praça, não foi o primeiro morador, mas sim o primeiro comerciante a abrir um boteco na região da praça  e que assim contribuiu para formação de um comercinho nas mediações e não no lugar exato apontado como o marco zero da cidade.

Sobre, completou dizendo que o centro começou a tomar forma quando Manuel do Duque e Joel Antunes compraram lotes e ergueram casas povoado nas imediações da praça que existia como um lugar aberto com uma grande floresta envolta.

Como um antigo morador além dos detalhes do surgimento do povoado ele  informou aspectos do cotidiano dos moradores da época, como por exemplo o fato de que a vida era árdua e que antes do movimento em torno da praça abriu muitos caminhos na floresta e enfrentou onças famintas e a fúria de cobras traiçoeiras para  sustentar a numerosa família, fala que evidência que antes mesmo da formação do povoado já havia no território uma dinâmica própria e característica.

Convém ressaltar que antes da formação do primeiro povoado nas proximidades da dita Praça, de fato um marco, já existiam núcleos rurais na Fazenda Nova América, Cascata e a dita Japira e que o senhor Arnaldo, Isidrio Alves, Manoel de Etelvina e Isael de Freitas são de famílias negras, caso que reforça a ideia de que eles participaram mais da ocupação e desenvolvimento do povoado que deu origem a cidade do que se pode imaginar.

Contato: samuithi@hotmail.com

Fontes:

BANCO DO NORDESTE. As origens.Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará.p.05-07, Janeiro 1986.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia, Belo Horizonte, 2011.

FERREIRA,Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus-x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

BORBOREMA, Athylla:  Família comemora os 95 anos do homem que desbravou Teixeira de Freitas.Teixeira news.com.br. Acessado em 20 de Março de 2013.

JORNAL ALERTA. Teixeira de Freitas: (Gráfica Jornal Alerta, Ano XII N° 779ª

Foto:

Postada por Mano Dimas no Museu Virtual de Teixeira de Freitas BA em 21/05/13

Legenda: Praça dos Leões 1978

Veja também

Praça dos leões: O marco zero da cidade. Parte 02

Praça dos Leões: O marco zero da cidade. Parte 03

Os nomes que Teixeira de Freitas já teve

O cine Horizonte

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História da Expo Agropecuária de Teixeira de Freitas

O causo do Boitatá

História do Cine Brasil

O causo do nó da mortalha

Emancipação: História e memória

O causo da mãe de pega

Por Daniel Rocha*

No início dos anos oitenta, relata o senhor Júlio Elias que a falecida esposa conhecida como Mocinha “quebrava o galho de muita mulher barriguda que não tinha onde ganhar neném”.

Boa parteira além de “agarrar menino ” indicava os melhores remédios caseiros “feito com folhas”. Um dia na cidade de Teixeira de Freitas , conta ele, uma mulher a procurou desesperada para ganhar o bebê pois , sem convênio com o INANPS -Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, não tinha como ganhar nos hospitais da cidade.

Não era do seu feitio negar ajuda, por isso fez o parto da mulher que mais tarde migrou para o estado de São Paulo com a filha saudável. Ele, o Sr. Júlio, e a esposa Mocinha voltaram para a propriedade rural do município de Alcobaça para passar uns tempos.

Anos depois, na casa da roça, chegou a grata mulher com a filha procurando a parteira dona Mocinha. Após os cumprimentos a visitante explicou que a filha desde que entrou na escola vinha apresentando problemas de cabeça.

“Tinha inteligência mas não guardava nada na mente. Os médicos não tinham ciência para curar”. 
Seguidora de uma religião de matriz africana, a mãe procurou um terreiro em São Paulo, lá ouviu dos “guias” que a única pessoa que poderia dar o livramento à filha era a mãe. 
Como não entendeu a mensagem do orixá, procurou outro terreiro e ouviu a mesma coisa. Sem solução para o problema, foi em busca de outro pai de santo que encontrou “um guia” esclarecedor da dúvida:

– “É a mãe de pega, a primeira a botar a mão “enriba” dela, por aqui ninguém cura”.

Esclareceu o ser espiritual que à “mãe de pega” era a parteira que tinha pegado ela quando nasceu. Diante da afirmação percebeu então que a culpa não era dos outros orixás e sim “dos ouvidos que estavam tapados.”

De volta a Teixeira de Freitas procurou saber, pelos vizinhos o novo endereço do casal e assim que obteve embarcou no ônibus em direção ao local. Quando chegou foi recebida com muito carinho e emoção. Depois Dona Mocinha ouviu atentamente os motivos da visita da estimada amiga. 

– Minha mulher até brincou com ela…

Disse que “tinha virado crente” mas depois desmentiu sorrindo.

Os guias orientaram que o remédio para cura do mal estava em um líquido orgânico do próprio corpo da menina.

Conta que anos depois, Dona Mocinha recebeu uma carta que comunicava à cura da filha de pega, com agradecimentos dirigidos aos guias e a ela.

 Pensar a memória afro-brasileira é pensar a memória, que não é valorizada como parte da história local. Registrar é o primeiro passo para dar visibilidade ao que estar silenciado nas páginas dos jornais, livros e revistas locais.

Causos Narrado por Júlio Elias em 2012.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Veja também

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Músico Teixeirense se destacando em Salvador

por Marcos Marcelo*

 

Nos últimos anos, Teixeira de Freitas vem sendo palco de exportação de artistas. Grupos musicais, compositores, jogadores, músicos, e por falar em músico temos que citar  JOSAH COSTA, o nosso “Josafá” como é conhecido aqui na cidade e região.

Josah Costa decidiu morar em Salvador para estudar e aos poucos vem se destacando no cenário atuando em peças de teatro, barzinhos, musicais e sem falar no contato que é adquirido com outros artistas do meio.

Conheça um pouco mais sobre o artista Teixeirense que está levando o nome da cidade para o mundo.

JOSAH COSTA

Violonista e Compositor nasceu em Teixeira de Freitas – Bahia em 1984.

Deu início a seus estudos musicais aos 14 anos, com o violão. Mais tarde decidiu aprender Teclado, onde começou atuar no campo da música sacra litúrgica, tocando em missas, formaturas, encontros religiosos, etc., até então essa era sua escola. Depois de alguns convites Josah Costa passou a participar de algumas bandas, assim começou a ser reconhecido na cidade e região.

Em 2005 resolveu morar em Jequié, aonde começou a se apresentar em bares e festas particulares, surgiu então a necessidade de direcionar novamente os estudos ao violão, começou a partir dai uma nova pesquisa no universo da música brasileira, ritmos e técnicas, possibilitando desenvolver maior habilidade rítmica com a mão direita, aumentando assim sua versatilidade no violão.

Depois de ouvir alguns ícones da MPB começou a mergulhar no passado e descobriu inúmeros gêneros artísticos, que posteriormente tornaram-se influentes em seu trabalho, assim como:
Lenine– Itamar Assumpção – Cordel do Fogo Encantado – Gilberto Gil – Caetano Veloso –Richard Bona – Chico Buarque – Bobby Mcferrin – Fela Kuti – Hermeto Pascoal –Tom Zé – Chico Science – Altamiro Carrilho – João Bosco – Paulinho Nogueira –Zeca Baleiro – Nana Vasconcelos – Noel Rosa – Novos Baianos – Geraldo Azevedo.

Josah Costa é um instrumentista impressionante, que não se contenta em produzir sons, mas procura explorar ao máximo os instrumentos e inovar criando variáveis e até novos conceitos de utilização. Em suas apresentações, não raro exibe suas habilidades digitando nas cordas do violão, dois acompanhamentos complementares e simultâneos.

Tem um gosto refinado e toca com facilidade grandes clássicos, no teclado ou violão. Tem se dedicado a conhecer e interpretar grandes nomes da música brasileira, além de enveredar por ritmos e poéticas alternativos produzidos por músicos regionais nordestinos.

Josah Costa atuou em diferentes áreas, Teclado/Baixo/Guitarra/Violão, inclusive Arranjo e Vocais. Entre os momentos de destaque de sua carreira vale ressaltar:

 

Compilações / Participações:

Arcanjo – (1998/1999)

Band’Adiva – (1999/2000)
Teclavoz – (2000/2001)

Aniversário da Cidade (Teixeira de Freitas-BA 2000/2001/2002)
Banda Leva Eu – (2001/2002)
Devaldo Santos e Nonato – (2001/2002)
Ta na Fita – (2000/2003)
Bicho Solto – (2003/2004)
Swing da Cor – (2004)
Território Acústico – (2006/2007)
Café Pequeno – (2008)

Confraternização Caixa Econômica Federal (2009)

TAL (Tempos de Arte Literária 2009/2010)

Orquestra Villa Lobos -(2009)

Abertura do show de Geraldo Azevedo (Teixeira de Freitas BA – 2010)
Banda SobControle – (2011)
Meninus de Branco – (2011)

Trio GABIRÚ –(2011)
Taiana Carega – (2011/2012)
Teatro Castro Alves – Sala do couro – Projeto de Qualificação em Música (Salvador – BA / 2012)

Largo Pedro Arcanjo – Pelourinho – Projeto de Qualificação em Música (Salvador – BA / 2012)

Espetáculo“O Menino Detrás das Nuvens” – (2013)

Discografia:

Direção Musical/Compositor

O Menino Detrás das Nuvens

– Brincar de ser criança
Amannda Mattos / Cintya Flores / Josah Costa
– Dentro do Peito
Amannda Mattos / Cintya Flores / Josah Costa
– O menino por detrás das nuvens
Cintya Flores / Josah Costa
– O Voô do menino
Cintya Flores / Josah Costa
– Silêncio
Amannda Mattos / Cintya Flores / Josah Costa
– Vem Chegando o Circo
Josah Costa

JURADO:

Participou do 1º e 2º Festival de Música e Artes de Medeiros Neto (2010/2011) para integrar a comissão de jurado.

No projeto “Face Música nas Escolas (2011)” realizado na cidade de Teixeira de Freitas, escolas que participam, tem como objetivo aproximar os estudantes a cultura, estabelecendo assim uma “competição” entre escolas de todo o estado.

PROJETOS:

Ensaio Aberto é um projeto que começou em 2012, a ideia foi criar um ambiente onde se pudesse agregar diferentes áreas culturais e apresentar a um publico alternativo. O projeto ganhou apoio de vários artistas da cidade, em especial Gilson Mello (Músico e Proprietário do Recreios Bar), chegando a agregar, música, poesia, stand up, e claro, um palco à disposição de quem quisesse mostrar seu talento.

Música e Teatro: Recentemente ao receber convite voltado à direção musical juntamente com Amannda Mattos da peça teatral “O Menino Detrás das Nuvens”, sob a direção geral de Tacira Coelho, vem buscando enveredar pelo caminho das múltiplas linguagens entre o teatro e a música, sendo, inclusive, atuante em cena.

 

Fonte: http://josahcosta.blogspot.com.br/

 

Marcos Marcelo

Assistente Social, Pesquisador, Músico, Produtor Musical, Compositor, Publicitário e blogueiro.

 

 

A Praça da Bíblia

Por Daniel Rocha

A Praça da Bíblia, antes denominada Independência, foi urbanizada e inaugurada em abril de 1995. Na década de 1980 serviu de lugar para comícios, gincanas e eventos populares e  desde sempre foi um espaço de convivência e recreação para os moradores e visitantes.

O local também foi lugar de comércio devido à proximidade com o terminal rodoviário, hoje conhecida como “Rodoviária Velha”, onde diversos camelôs vendiam suas mercadorias. O serviço de frete era prestado por caminhões e carros pequenos, por isso era uma presença constante na paisagem. Durante meados da década de 1980 e início da década de 1990, a praça foi palco para as gincanas realizadas durante a  festa de aniversário da cidade onde diversas tarefas eram realizadas ao ar livre durante o dia e a noite

Segundo Tomires Monteiro, em entrevista a TV Sul Bahia  em maio 2013, as gincanas eram significativas porque buscava através de atividades culturais e esportivas valorizar aspectos da história e cultura do município.

Durante a festa as equipes, Equipicaço, Makakreó, Equipiraça, Equipapel, Junso, Furacão 2000, Ekipe gol  e outras, enfrentavam os desafios das tarefas relâmpago de curta duração e os tarefões de longa duração. As equipes contavam com 300 a 400 membros aproximadamente. De acordo o informativo sobre a festa do ano de 1990, Shopping News, havia também a eleição da Garota Gincareta e a entrega da chave da cidade.

Outro evento permanece vivo na memória de alguns moradores, trata se de estudo Bíblico regional. De acordo com Nilda Oliveira, Osvaldo Souza e Natalino Almeida, em uma conversa informal em 2012, o nome Praça da Bíblia  e uma homenagem prestada aos dias 11 e 13 dezembro 1986, quando foi realizado um encontro de igrejas evangélicas do extremo sul da Bahia na cidade para uma maratona de  72 hs de estudo bíblico.

A senhora Nilda Oliveira, por exemplo, lembra que no dia do evento foi montado um grande palco para receber os líderes regionais, houve apresentações diversas como bandas e corais dos jovens evangélicos e cantoras de diversas partes da região.

No entanto não tive acesso a nenhum registro escrito ou fotográfico sobre o evento. Para afirmar com maior propriedade se o nome foi ou não escolhido em homenagem o evento e necessário uma pesquisa melhor sobre este assunto. Aqui faço apenas uma suposição tendo como base conversas informais sobre  a praça.

Depois da urbanização em 1994 a população recebeu a praça com alegria e a transformou de acordo seus anseios. Por exemplo, o corredor onde fica hoje a praça de alimentação era um passeio aberto que depois a pedido dos patinadores foi transformada em pista  de patinação, febre no ano de 1995 e 1996. No início da década de 2000  a área  foi transformada em praça de alimentação.

Como mostra uma das fotos que ilustra o texto, era comum a criançada brincando na praça e no parquinho que contava com, escorregadores e balanços.   No palco da praça, que hoje serve a apresentações culturais e manifestações populares,  há uma placa destacando amplamente a forte pasceria do governo municipal e estadual com uma empresa de celulose “em homenagem e gratidão ao povo de Teixeira”.

A coparticipação da empresa na construção do espaço público faz lembrar a denúncia feita por Koopmans no Livro, Muito além do Eucalipto, de que na primeira metade do século passado as prefeituras da região, desassistidas pelo poder público, quando precisavam de apoio encontravam facilmente nos braços do empresariado local:

“A ausência e a omissão do estado nos setores públicos, como saúde, educação, etc., faz com que as pessoas comecem a sentir falto dos direitos constitucionalmente garantidos e transfere esse seu sonho justo, para aquele que, não somente captou este sonho do povo, mas também fomenta o mesmo através de sua propaganda. A propaganda das empresas e o sonho justo de um povo esquecido e roubado dos seus direitos principais de ter uma vida digna”. (Koopmans, 2005 p. 65).

Segundo  Maria Dercilia , sobrinha do pioneiro Manoel de Etelvina, que ficou conhecido como o Tira-Banha, o local na década de 1950, servia de passagem para as roças de mandioca de seu tio. É  de se estranhar que na praça nenhuma placa lembre os pioneiros, as gincanas, festas da cidade e o evento Bíblico de 1986.

 Referencias.

LEMBRANÇAS DE TEIXEIRA .SBN Meio Dia. Teixeira de Freitas: TV Sul Bahia. 13 de Agosto de 2013. Telejornal.

Shopping News. Aniversario da cidade 1985-1990.Teixeira de Freitas BA.

KOOPMANS. Padre JoséAlém do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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Filósofos em ação

 

 

Por Daniel Rocha.* 

Quem disse que a filosofia não pode ser muito divertida? A pergunta vem estampada na capa da HQ, Filósofos em ação, lançada no Brasil em 2008 pela editora Gal. Os autores Fred Van Lente e Ryam Dunlavey, usam de muito humor e ação para contar a história dos mais importantes filósofos da humanidade em forma de quadrinho.

Com textos objetivos e engraçados, a revista popularizam o pensamento e teorias filosóficas, por muitos considerados chatos e de difícil compreensão. Na HQ Nietzsche e transformado em um herói clássico e Platão um lutador. Um trabalho interessante e envolvente e divertido.

O primeiro volume fala de Nietzsche e Freude, e Platão, Bodhidharma,AynRandThomas Jerfferson, Santo Agostinho, Carl Jung e JosephCampbell. No segundo Karl Marx, Jacques Derrida, Maquiavel, Jean-Paul Sartre, São Tomás de Aquino.

FILÓSOFOS EM AÇÃO VOLUME 01 e 02.
Fred Van Lente e Ryan Dunlavey
Gal Editora

Fonte:Set

*Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

 

 

O cine Horizonte

Por Daniel Rocha*

A segunda sala de cinema de Teixeira de Freitas, o Cine Horizonte, foi inaugurada no ano de 1974 e funcionou até o ano de 1994. A sala de cinema ficou marcada pelas exibições de filmes picantes produzidos na região da capital paulista que ficou conhecida como a Boca do Lixo por produzir filmes com excesso de nudez e sexo.

Como a pornografia não era tão evoluída na época  provavelmente  esse tipo de filme  atraia a curiosidade da rapaziada e  a raiva de alguns conservadores.

Um bom exemplo e o filme A dama da lotação, que por ter um cartaz ousado despertou o repúdio dos conservadores da época quando  foi exposto na entrada do cinema teixeirense,  sobre isso recordou o proprietário Landoaldo Gonçalves que os cartazes picantes vendiam bem o filme.

“Quando colocávamos o cartaz ficavam muitos a dizer, este é bom”.

Mas não eram apenas os filmes da boca que faziam sucesso, os filmes de faroeste e o Kong fú, febre dos anos, 1970,1980, também atraia grande parte da audiência. Tal como o primeiro cinema da cidade, o cine Elisabete, o espaço era alugado para realização de outros eventos, como shows de calouros e festivais de músicas, muitos transmitidos pela rádio local Difusora e Alvorada AM.

Segundo Landoaldo à chegada do vídeo cassete e a popularização da TV contribuíram para o fim do Cine Horizonte. Ao longo dos anos de 1990 a queda de preços e o fácil acesso ao aparelho, fez com que o público se afastar do cinema e conseqüentemente provocar a falência da sala.

Em 1994, um carro de som anunciou a exibição do longa-metragem do anime Cavaleiros do Zodíaco, depois deste nunca mais se ouviu falar de exibições na cidade, que só voltou a viver a magia do cinema em 1996, com a inauguração do Cine Teixeira, que até hoje reina na cidade.

Causos e lembranças

Lembrar o cine horizonte é muito divertido pois há sempre uma anedota em torno dos filmes picantes exibidos, os antigos frequentadores se divertem ao contar histórias engraçadas de uma época em que o conservadorismo e a coesão social exerciam uma forte influência sobre o comportamento das pessoas.

Recorda os frequentadores, não vou revelar o nome, que diversos garotos saíam das seções de filmes picantes excitados com tanta nudez exposta na tela. Outros lembram que vestiam roupas de adultos e disfarçavam bigodes para enganar a idade e passar pela rigorosa bilheteria que não permitia entrada de crianças.

Referência

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. (click e leia)

Foto: Ilustrativa.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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