Exploração Madeireira em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha.

A cidade de Teixeira de Freitas  cresceu com a abertura da BR-101 e se desenvolveu economicamente com a exploração da madeira, que resultou na devastação da mata atlântica do extremo sul baiano.

Nas décadas de,1950, 1960 e 1970, quando o desmatamento era sinônimo de desenvolvimento, as serrarias chegaram ao povoado de Teixeira de Freitas, atraindo migrantes de varias parte da região e dos estados vizinhos.

Quem são estas pessoas? O que dizem sobre este período? Quando começou e terminou a exploração? Contribuiu para o crescimento da cidade? As respostas que serão aqui colocadas vão estar de acordo com as perspectivas e as definições das fontes consultadas. Este e o primeiro texto de uma série de três  sobre o assunto.

Quando começa  e termina exploração da madeira?

Embora a retirada seletiva da madeira venha sendo praticada há mais de 500 anos no Brasil, na Bahia ela se tornou especialmente intensa nos últimos 30 anos (Mesquita Leopodino,1999). Particularmente com a mudança de companhias madeireiras para ao sul da Bahia, vindas do devastado norte do Espírito Santo.

Para Monforte (1977) A partir de 1947, o Norte do Espírito  Santo começou a perder sua floresta nativa. Jacarandas, cedros, Jatobás, macanaíbas, ipês, passaram a ser exportados em grandes quantidades, até sua total extinção (…) a exploração devastou toda a floresta capixaba e levou os madeireiros para o sul da Bahia. E nessa caminhada, estradas foram abertas, povoados fundados.

Segundo Sant´Anna (2007),apud Sant´Anna 2009:

“É a partir da década de 1950, que  impulsionado principalmente pelos incentivos do recém-criado Banco do Nordeste, começa um processo de desmatamento sistemático na região para a criação de gado e lavoura.

Porém, é no início dos anos 1970, com a inauguração, em 22 de abril de 1973, do trecho que liga Vitória no Espírito Santo a Salvador na Bahia, da rodovia BR-101, que a extração de madeira ganha uma escala avassaladora.”

A abundância de madeiras consideradas nobres, aliada aos incentivos fiscais, atraiu para a região grande madeireiros do norte de Minas Gerais e, principalmente, do Espirito Santo. A primeira serraria de Teixeira de Freitas, chegou em 1950, vinda do estado de Minas Gerais e se chamava Santa Luzia. Com a atuação o ritmo das cidades vizinhas mudou, a primeira estrada de rodagem aberta pela madeireira pioneira, favoreceu o crescimento econômico do povoado de Teixeira de Freitas.

A empresa retirava à madeira e enviava para a cidade de Viçosa Minas Gerais de propriedade do senhor Eleozzípio Cunha. Esta trouxe a região mineiros de cidades próximas, como Nanuque e Almenara.

Em entrevista ao documentário da TV Sul Bahia, Retrospectiva histórica de Teixeira de Freitas de 1996, José Koopmans, afirmou que as madeireiras nunca tiveram interesse nas terras do extremo sul, o único interesse era de fato a extração de madeiras.

“ Por isso o primeiro passo foi entrar com a pecuária,  que acelerou o processo de mudança na agricultura que até os anos de 1950, era familiar voltada para o consumo local”

No ano de 1990, o governo federal baniu a retirada de madeira da Mata Atlântica. Entretanto, as empresas madeireiras influenciaram, com sucesso, o governo para serem autorizadas a continuar operando se adotassem planos de sustentabilidade, mas não seguiram necessariamente o processo técnico recomendado (Mesquita, 2001).

Empresas madeireiras extraíram 225.000 mde madeira do sul da Bahia em 1994, quase 75% de forma ilegal (IESB, 1997). Naquele ano, todas as empresas madeireiras autorizadas da região estavam operando em áreas que abrigavam primatas ameaçados (Mesquita, 1997).

Em 2001, um comitê especializado avaliou 315 planos de manejo aprovados, e apenas 32 foram considerados adequados. Apesar da proteção legal, a taxa de desmatamento no Sul da Bahia foi maior no início dos anos 90  que nos anos 80 (CAPOBIANCO, 2001), e as empresas madeireiras legais ou não, continuam ativas na região.

A imagem que ilustra o texto e de uma propaganda da Mercedes – Benz de 1959. Pode se notar que não havia no Brasil uma consciência ecológica, tanto que a empresa fabricante de caminhão  associava o produto a este tipo de atividade.

No próximo texto, vamos conhecer o que os migrantes desta época falam sobre este período e das motivações de sua vinda para o extremo sul.

Referências

CAPOBIANCO,J. P. R. (ed.). 2001. Dossiê Mata Atlântica 2001: Projeto Monitoramento Sócio ambiental, Sociedade Nordestina de Ecologia.  

 

MESQUITA, C. A. B. 1997. Serrarias fazem festa no sul da Bahia. Revista Parabólicas 33.

Mesquita, no prelo; Rede de ONGs da Mata Atlântica, 2001.

SANT´ANNA, A.G. O papel do Cluster madeireiro no desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia. 2007.80 f. Dissertação (mestrado em Economia empresarial – Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro, 2007).

RETROSPECTIVA Histórica de Teixeira de Freitas.Direção Geral:Alberto Silva e Zé da Baiana.Produção: Magnólia Ellias Galvão e Ady Regina Munix. Suporte: DVD (45min).Ano:1996.

MONFORTE. Carlos. A pose inlegal de terras provocas mortes.Maio – 1977.11º caderno.O estado de São Paulo.

 

Veja também:

A exploração madeireira parte 02

O rio Itanhém parte 01

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A exploração da Madeira parte 01

Medicina oficial em Teixeira de Freitas.

Mulheres parteiras em Teixeira de Freitas parte 03

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Mulheres parteiras parte 02.

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O causo do Boitatá

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