Arquivo da categoria: Sal na Pipoca

Uma História de Amor e Fúria

Por Danilo Oliveira*

A animação que marca a estreia na direção de Luiz Bolognesi, roteirista de produções nacionais como Bicho de Sete Cabeças e As Melhores Coisas do Mundo, conta a história do Brasil desde antes da chegada dos europeus até um futuro sombrio, onde se destaca um  Rio de Janeiro à la Blade Runner,  em 2096. Tudo é narrado por um espírito Tupinambá (Selton Mello) que acompanha o Brasil  há 600 anos e, enquanto relata os fatos, procura pela reencarnação de Janaína (Camila Pitanga), o grande amor de sua vida. As ilustrações da animação foram feitas em 2D e 3D e inspiradas nos traços de histórias em quadrinhos. Assumindo-se quase como um trabalho paradidático, pois além da recapitulação da história das revoltas dos oprimidos no Brasil, a animação tenta nos passar a mensagem da importância de se conhecer e respeitar a história de seu país.

Filme já disponível nas locadoras em Bluray e Dvd.

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Danilo Oliveira

Historiador, Pesquisador de Cinema e blogueiro.

 

Cine Holliúdy: O Cinema Paradiso Brasileiro

Por Danilo Oliveira*

No dia 9 de agosto, o filme “Cine Holliúdy”, dirigido pelo cineasta Halder Gomes, chega às telonas e traz ao público as desventuras de Francisgleydisson (como diz o trailer, “é nome cearense mesmo’) , um apaixonado pela sétima arte que insiste em abrir uma sala de cinema no interior do Ceará, na década de 70 – época em que a televisão era a grande novidade nas pequenas cidades e começava a ameaçar o futuro dos cinemas do interior. Vamos torcer para que chegue em nossa cidade.

 

Confira o Trailer:

 

*Danilo S Oliveira

Historiador, Pesquisador de Cinema e blogueiro.

 

Elefante Branco

Não é só o cinema brasileiro que está passado por uma boa fase, os nossos vizinhos de continente também, basta conferir a lista de lançamentos do mês para ver que o cinema latino tem se destacado e chegado ao nosso mercado de vídeo.

 

Além do chileno NO (2012) que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, temos o lançamento do argentino, Elefante Branco (2012), já disponível nas locadoras da cidade. Diferente de seus Hermanos, o diretor Pablo Trapero busca mostrar uma realidade que pouco ou nunca é mostrada pelas produções daquele país, as favelas da cidade de Buenos Aires.

 

Na película, os Padres Julián e Nicolas, junto com a assistente social Luciana, lutam para solucionar os problemas sociais da favela Villa Virgem em Buenos Aires. Porém, seus esforços entrarão em conflito com os interesses da igreja, governo, narcotráfico e polícia.

 

O local é um antro de violência e miséria. A polícia corrupta e os sacerdotes da igreja nada fazem para mudar essa realidade e dois padres terão de por suas próprias vidas em risco para continuar ao lado dos mais pobres.

 

Em alguns momentos o filme lembra um documentário, os problemas retratados mostram que as questões sociais do país vizinho são bem próximas daquelas que estamos acostumados a enfrentar por aqui, dentre as quais, a ineficiência dos governantes, que abandonam e não concluem as obras públicas.

 

Os desabafos dos assistidos, padres e os profissionais envolvidos com o projeto social na favela, revelam que em um universo de causas das desgraças sociais, as atitudes tomadas por pessoas comuns poderiam ter partido de você se vivesse em um universo parecido.

 

O nome Elefante Branco faz alusão a uma construção abandonada que foi projetada para ser o maior hospital da America Latina, entre golpes e troca de governo, nunca foi concluída, tornando-se ponto de tráfico e droga na belíssima cidade portenha. O estilo documental lembra a produção brasileira Cidade de Deus.

 

A cena em que os moradores participam de um grupo de discussão com o padre sobre como é viver na favela, mostra que não exploraram apenas o cenário, mas também a forma de pensar dos moradores locais.

 

A produção argentina interessa por este olhar sobre sua realidade desconhecida por aqui. No mais o ritmo é lento e tímido, portanto, pode não agradar ao espectador acostumado com os ritmos atuais dos Blockbuster americanos.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

 

O cinema vai à mesa

Existem filmes deliciosos e livros para serem devorados. Mas pela primeira vez essas duas formas de arte se juntam em O CINEMA VAI À MESA de Rubens Ewald Filho e Nilu Lebert.Convidar os amigos para ver um filme em casa e depois oferecer-lhes um jantar é algo bastante comum. Mas que tal surpreendê-los com os pratos vistos no filme?
Melhor ainda se as receitas forem ensinados por alguns dos maiores Chefs do Brasil como: Adriano Kanashiro, Alessandro Segato, Allan Vila Espejo, Benny Novak, Calors Siffert, Emmanuel Bassoleil, Erika Okazaki, Fabrice Lenud, Hamilton Mellão, Juscelino Pereira, Luciano Boseggia, Mara Salles, Maria Emília Cunali, Mariana Valentini, Marie – France Henry, Mukesh Chandra, Roberto Strôngoli, Silvia Percussi, Thompson Lee e Waldete Tristâo.
Este saboroso livro, além de muitas receitas detalhadas, traz informações e curiosidades sobre os filmes, seus atores e diretores. E fotos de dar água na boca!Traga o sucesso de belíssimos filmes para a sua mesa: A Festa de Babette, Vatel, Dona Flor e seus Dois Maridos, Simplesmente Martha, Chocolate, Maria Antonieta, O Jantar, Volver, Casamento Grego e muitos outros!
Um banquete para todos os paladares!.

 

Tomboy

O exterior não reflete o interior? Esta é a premissa do filme francês Tomboy (2011) só agora lançado no Brasil, que nos chama a refletir sobre esta pergunta. Depois da semana em que a cantora

Daniela Mercury resolveu abrir a porta do armário, provocando espanto e comentário, o filme é uma ótima pedida para quem curte um bom filme ou que deseja pensar sobre o assunto.

No filme, Laure (Zoé Héran), uma garota de 10 anos, vive com os pais e a irmã caçula, Jeanne (Malonn Lévana). A família mudou-se há pouco tempo, por isso, não conhece os vizinhos. Um dia, Laure resolve ir à rua e conhece Lisa (Jeanne Disson), que a confunde com um menino.

Laure, que usa cabelo curto e gosta de vestir roupas masculinas, aceita a confusão e apresenta-se com o nome de Mickaël. A partir deste episódio passa a levar uma vida dupla, pois, os seus pais sequer sabem da sua falsa identidade.

O público é pego de surpresa ao descobrir que não se trata apenas de uma brincadeira. A garota de fato não se sente bem se assumindo menina, por isso, não por brincadeira que cria uma imagem masculinizada de si mesma, apaixonando-se por uma garota, com a inocência própria das crianças.

Tomboy ainda é repleto de situações engraçadas, como a entrada de Laurem no time de futebol e durante um banho de rio quando precisa simular volumes na roupa a fim de parecer menino. Além da sensível irmã Jeanne que descobre e respeita a aventura da irmã mais velha, porque percebe que vestida de menino ela se sente mais feliz.

O filme toca no assunto de forma delicada e respeitosa, sem alarme ou panfletagem, sem valer de quaisquer estereótipos. Uma boa pedida para quem curte assistir a um bom filme em casa, que foi produzido fora do circuito americano de cinema. Tomboy está disponível em locadoras.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.