Arquivo da categoria: Causos

O Cine Elizabete

Por Daniel Rocha*

O primeiro cinema de Teixeira de Freitas-BA foi o Cine Elizabete que chegou no ano de 1964, quando a cidade ainda era um povoado. Segundo o proprietário, senhor José Militão Guerra (in memoriam), em entrevista cedida ao trabalho monográfico: O cinema e o imaginário popular na cidade de Teixeira de Freitas na década de 1960 a 1980, a sala funcionou de 1966 a 1970 no local onde hoje está a loja de calçados Boroto, em frente à rodoviária velha.

Guerra informou durante a entrevista: “Demorou alguns anos para popularizar o cinema em Teixeira, depois que ficou famoso, trouxe mudanças e empolgação ao povo, tanto que só faltavam derrubarem o portão, todos das roças vizinhas vinham prestigiar. O cinema era grande, o dobro do cinema do shopping”.

Aos poucos o cinema tornou-se o maior espaço de lazer da cidade, sendo também aberto às apresentações variadas como festas, shows e eventos locais. Segundo a frequentadora Marli Araújo ir ao cinema era uma ocasião especial, momento de sair de casa junto aos irmãos mais velhos ou com os rapazes de confiança da família, por isso, todos se arrumavam graciosamente para o momento.

Diversos clássicos marcaram presença na tela do Cine Elisabete, os mais lembrados sem sombra de dúvida são os Bangs – Bangs  e os filmes do Kung- Fu, que atraiam milhares de pessoas para ver as artimanhas dos heróis chineses. Com base em relatos de alguns frequentadores ouvidos pelo site, ir ao cinema era uma atração que exigia as melhores roupas.

As turminhas de rapazes e moças combinavam antes na escola e depois de pedir permissão aos pais, seguiam com o grupo e assim voltavam. Geralmente,  as meninas tinham a companhia de um irmão mais velho por perto, para evitar lances ousados por parte de outros garotos.

Já para a molecada as matinês eram pura diversão, podia-se usar qualquer roupa e chinelos. Na maioria das vezes, os meninos saiam voando pelas ruas ao som dos golpes do Bruce Lee.

Algumas crianças se escondiam entre as poltronas no final da seção para pegar a próxima de graça. Há relatos que algumas crianças subiam em árvores ou em muros para visualizar pela entrada de ar do cinema filmes, mas ninguém foi encontrado para confirmar este fato.

Referencia.

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. (clik e leia)

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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Histórias de Teixeira de Freitas: Bar Garota da Avenida

 

Por (Daniel Rocha) 

O prédio da antiga Prefeitura  já era uma referência para os moradores da cidade de Teixeira de Freitas, BA, antes da emancipação política em 1984, pois lá funcionou por muito tempo alguns dos melhores bares da cidade.

Entre os mais lembrados estão  o  “Bar ARUTEF”, “Bar Clube dos Vaqueiros” e “Bar Garota da Avenida” que esteve em atividade durante boa parte da segunda metade da década  de 1980, depois do  processo  de emancipação  da cidade.

Emancipada a administração local começou ocupar o local aos poucos, “primeiro a parte de cima e só depois todo o prédio”.

Nesse contexto, segundo  recordações da moradora Lília do Carmo,  funcionava na parte de baixo do local o Bar “Garota da Avenida” onde  vivenciou os melhores momentos da juventude ao lado da amiga Marlene que era funcionária do lugar que para ela  e outros amigos   era sinônimo de alegria e diversão.

  1. Na parede marcas do processo de emancipação.

Sobre,  lembra que ela, loira, e a amiga, morena, divertiam-se muito com as cantadas e pedidos de namoro dos frequentadores do Bar, “na década de oitenta os homens eram mais atrevidos e não economizavam investidas”.

Narra também  que  no local  qualquer pessoa podia sentar-se para tomar um refrigerante, uma cerveja ou uma bebida mais cara, tipo  Whisky, que sempre vinha acompanhado de um bom petisco. Popular no espaço  não  havia sexismo,discriminação fundamentada no sexo.

Recorda a saudosa frequentadora que as canções da  trilha sonora da novela global  “A gata Comeu” (1985)  eram as mais ouvidas e pedidas pela moçada no Bar e que músicas tema como “Só para o vento” – Rithie e “Seu nome” – Biafra, foram essenciais para o desenrolar de causos e amores inesquecíveis.
Tanto que, como em todo e qualquer bar,  os acontecimentos do cotidiano transformam-se em saborosos causos contados a exaustão entre  risos e gargalhadas. Narrou:

– Certo dia um cara muito ousado chegou ao Bar e pediu um Whisky, como era a minha amiga Marlene que estava no balcão  ela saiu para atender ao pedido servindo cuidadosamente a bebida.Quando virou-se o cara puxou-lhe o braço e falou para quem quisesse ouvir: “Além da bebida servem você?”

Ela pediu para ele ficar até o final do expediente. Quando o horário marcado chegou, ela saiu com uma arma e encostou no rosto dele dizendo: “Da  próxima vez vou servir uma bala no seu peito”. Exigindo mais respeito.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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O causo do vinho em Helvécia

Foto: Memorial da Câmara.

Histórias da fazenda Cascata

Por Daniel Rocha*

Conta um morador antigo da Fazenda Cascata que naquele lugar aconteceu algo que marcou a família dos antepassados  de Quincas Neto, todos os filhos que não eram batizados com o nome do santo de devoção, São José, morriam ao nascer.

O  primeiro filho do proprietário não vingou, morreu após o nascimento. O segundo, Batizado de José Bernardo,  teve boa sorte e sobreviveu às dificuldades, o terceiro também não resistiu e faleceu, já o quarto, José Antônio, assim como o segundo, teve boa sorte e sobreviveu. O quinto filho, uma menina, sobreviveu,  e embora não tivesse recebido um nome de imediato foi testada pela tradição.

Naqueles idos de 1950,  passado meses depois do nascimento da menina, tudo era alegria, contudo logo a felicidade que rodeava os pais seria substituído pela tristeza, a garota passou mal e teve que ser levada da fazenda Cascata para Alcobaça, de canoa, pelas águas do rio Itanhém, para atendimento médico.

Diante da situação extrema e mal súbito, a morte parecia certa e inevitável, acompanhada pela comadre a mãe da garota foi em busca do atendimento com esperança e fé de que com ela seguia Deus e as orações dos outros filhos e da família. Diante do silêncio do rio e do  desce e sobe do remador a comadre acompanhante observou:

– Essa menina ainda não tem nome, ela nasceu no dia de São José porque não a chama de Maria José?

A mãe acatou a sugestão é quando chegaram à cidade de Alcobaça para passar pelo médico a menina já havia melhorado, estava bem de saúde. A mãe então a batizou com o nome sugerido pela comadre. De volta a Cascata o pai, Quincas Neto, a esperava.

Ficou impressionado com o fato de a filha caçula ter sido curada depois que a mãe decidiu a chamar de Maria José. Lembrou-se dos filhos perdidos e os vivos. A emoção fez vibrar dentro da sua alma um sentimento de gratidão a Deus e a São José.

Prometeu então construir a igreja pelas graças alcançadas e no início da obra pediu que cada um dos trabalhadores jogasse as pedras nos alicerces do futuro templo para que assim todos envolvidos  se sentisse parte daquela daquela fé e comunidade. Não apenas construiu a igreja como pediu aos filhos para batizar os futuros descendentes, netos, com o primeiro nome de José. “Por isso na família todo mundo tem o nome de José.”

Este causo foi contado por José Sérgio em frente à igrejinha de São José na Fazenda Cascata. Lugar que ajudou a desenhar a economia e a identidade do próspero município de Teixeira de Freitas nas primeiras décadas do então povoado que em seus primeiros anos de existência foi chamado oficialmente de São José de Itanhém, nome que pode ter contribuído para que o primeiro núcleo vingar como cidade.

                                                                                   

Fontes

Teixeira de Freitas histórico. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Entrevista com Zé Sergio, Maio de 2013.

Daniel Rocha da Silva*

Daniel Rocha da Silva* Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com.

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Crédito das Fotos: Acervo Foto Fazenda Cascata.

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Emancipação: História e memória

Emancipação: História e Memória

Por Daniel Rocha*

Em 15 de novembro de 1984, foi realizado o plebiscito onde os moradores do povoado de Teixeira de Freitas, então dividida pela Avenida Castelo Branco entre os municípios de Caravelas e Alcobaça, escolheram não depender mais das cidades-sede. Um ano e alguns meses depois, 1985, houve a eleição que elegeu Timóteo Alves de Brito como o primeiro prefeito da cidade recém-emancipada.

Segundo a moradora Lília do Carmo,48 anos, no dia da emancipação política da cidade  houve uma grande festa nas principais avenidas e na praça da rodoviária hoje conhecida como  Praça da Bíblia, lembra ainda que a emancipação trouxe  grandes expectativas aos moradores.

“Minha mãe quando chegou da cidade de Candeias para morar cá de início não gostou muito porque a cidade não tinha estrutura, nossa rua , D. Pedro Primeiro no bairro Wilson Brito  mesmo era só o barro, mas como a emancipação era promessa de melhoras  resolveu ficar”.

A expectativa que refere foi criada envolta da realização do plebiscito em 15 de novembro de 1984 onde os moradores do povoado de Teixeira de Freitas optaram pela emancipação. Um ano depois, 1985, foi realizada eleição para a escolha do primeiro prefeito que só assumiria o cargo em 1986. A movimentada eleição deixou eufórica o grande povoado que na época contava com 50 mil habitantes.

De acordo com Jailson C. Pereira Guerra e Leonardo Santos Silva, no trabalho mais completo sobre o assunto O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985),   disputaram a prefeitura os candidatos; Franscitônio Pinto, Vitor Ferreira de Guimarães e o vencedor Timóteo Alves de Brito.

Ainda de acordo com informações do trabalho dos autores, durante a campanha houve discussões acaloradas “ânimos exaltados” e briga entre partidários, 11 mil títulos concedidos irregularmente foram anulados por suspeita de fraude no cartório eleitoral da cidade. Devido a violência e confrontos entre eleitores, tropas federais foram enviadas ao município. Duas mortes relacionada ao processo foram registradas.

O clima de apreensão e violência foi noticiado por um jornal da região e outro do país. De acordo com o jornal, Extremo Sul Agora, de dezembro de 1985. ” Graças às presenças de magistrados das comarcas do extremo sul e à chegada providencial de reforços do Exército Brasileiro, o processo transcorreu num clima de tranquilidade, embora com muito rigorismo, afastando definitivamente as especulações.”

Já o jornal paulista, O estado de São Paulo, de 21 de novembro de 1985 com referência à eleição em Teixeira de Freitas, informou que pós a apuração um recurso do PMDB estava para ser julgado no tribunal superior eleitoral contra decisão do TRE baiano que considerou válidos mais de 11 mil títulos eleitorais anulados pela juíza da Comarca.”

Timóteo Alves de Brito venceu a eleição com 12.660 votos e no dia primeiro de janeiro de 1986 foi empossado prefeito na primeira sessão da câmara realizado no Country Clube Jacarandá, enquanto o povo, na rua,  esperava que o novo prefeito  representasse os interesses das massas mais pobres.

No livro, Os “desbravadores” do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região -raízes e frutos, observou o Frei Elias que a emancipação não foi  um bom negócio  apenas para Teixeira de Freitas  mas também para a sede Alcobaça.

“Esta emancipação era muito importante, tanto para Teixeira como para Alcobaça. Nos últimos anos, o prefeito residia mais em Teixeira do que no litoral, que ficou quase abandonada, enquanto Teixeira não conseguia desenvolver se livremente.”

O prefeito de Alcobaça Wilson Brito, que administrava a cidade até a posse do primeiro prefeito eleito, disse em entrevista no ano 1985 a revista, As Origens Teixeira de Freitas, que a nova cidade estava fadada a ocupar a posição de capital do extremo sul da Bahia.

Encantado com o potencial agrícola, lembrou que Teixeira de Freitas já nascia como o maior produtor de mamão do mundo e o segundo polo graneleiro do estado.

No presente, 30 anos depois, é triste perceber como um dos alicerces que ergueram a cidade,  agricultura e pecuária , não resistiu à falta de investimentos do estado e a agressividade da monocultura industrial.

Passando de “pau para cavaco”, Lília do Carmo recorda que no primeiro aniversário da cidade  foram realizados eventos culturais, religiosos e uma festa para toda a população teixeirense.

Festa que ainda hoje,mesmo recebendo outras denominações nas últimas décadas como Axé Teixeira, Viva Teixeira, Teixeira folia, nunca deixou de ser chamado pelos moradores de “ festa da cidade” graças a memória das festividades da emancipação ainda muito forte entre todos aqueles que testemunharam o momento mais importante da nossa história política.

Atualizado em 26/03/16

Referencial:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia – História da presença franciscana nessa região -raízes e frutos Belo Horizonte, 2011.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010. Contato Tirabanha@tirabanha.com.br

 Texto atualizado em 27/09/14

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O Causo do “Nó da mortalha”

Por Daniel Rocha 

A morte de um ente querido, seja na roça ou na cidade, é um acontecimento triste que reuni pessoas. Se hoje visitar um velório rapidamente é uma prática comum, antes o acontecimento unia os vizinhos e moradores próximos em solidariedade à família em longos velórios carregados de observações, rezas e sincretismo. 

Se no passado o fato persuadia a atenção das pessoas da cidade, na zona rural esta tradição era ainda mais forte, mesmo porque nem sempre em condições de tomar a frente de tudo à viúva e entes queridos contavam, na maioria das vezes, com a ajuda dos mais “chegados”. 

Os tais “chegados”, por exemplo, é quem resolvia os detalhes do enterro e os cuidados que merecia o defunto. Afinal uma coisa é certa, o luto é a única coroa que, cedo ou tarde, passa pela cabeça de todos que caminham pela terra, dessa forma era preciso auxiliar para no futuro ser auxiliado. 

Dessa maneira o costume era compartilhado pelos moradores da zona rural aos da zona urbana. Isso porque até o início da década 1990 era quase comum as crianças passarem férias na roça ou em fazendas de parentes nos arredores de Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia. 

Na zona rural além de brincar em rios e lagos das propriedades, a meninada ouvia dos moradores mais velhos causos do passado sobre os hábitos e costumes dos moradores das roças, muitas das vezes descrições e narrativas sobre aparições sobrenaturais temidas pelas crianças e adultos. 

Recorda, por exemplo, Lide Silva, 28 anos, que quando era criança costumava visitar os primos e tias na “Roça do Itaitinga” que fica na zona rural de  Alcobaça, município vizinho, onde ouvia dos tios mais velhos casos sobre a rotina e aparições assustadoras. 

Entre os diversos casos narrados que gosta de lembrar um em especial tirou lhe o sono na infância, pois, afirmou, houve quem confirmasse a veracidade do que era dito. O caso em questão rememorado por ela é o do “Nó da mortalha”  que girava em torno do costume da confecção das vestes dos corpos. 

Segundo o causo, uma moradora da dita Roça, Ana Maria, ainda moça foi escolhida pela mãe para ajudar a vizinha que havia enviuvado. A ela coube a missão de preparar a mortalha do defunto. Obediente e prestativa Ana Maria não se furtou do dever atribuído, foi em companhia da irmã a cidade de Teixeira de Freitas  compraram um tecido adequado para confecção da veste e em seguida costurou a roupa deixando no jeito para vestir o defunto para o velório. 

Narra Lide, conforme foi contado, que o velório seguiu noite adentro e Ana Maria com a ajuda de outros vizinhos ainda se envolveu em outra obrigações destinada aos vizinhos, servir o café, receber os parentes, acalmar a viúva e puxar cânticos religiosos. Assim tudo transcorria bem conforme o roteiro, até alguém, um velho das proximidades, observar com espanto algo na veste fúnebre. 

– Passaram costura e deram um nó na mortalha, não pode fazer isso ele vai ficar prejudicado…. 

Sem disposição e tempo suficiente para providenciar outra veste e não dando crédito a crendice popular a observação do velho foi ignorada, o defunto foi enterrado no dia seguinte com a mal avaliada mortalha. 

Por isso durante a noite seguinte ao enterro quem foi fazer uma visita às costureiras? O ser do túmulo que seguiu por semanas perturbando o sono de todos da casa. A alma do falecido só parou de fazer quizumba depois de muita reza forte. Aliás, naquela época havia reza para tudo. 

“Caboco” da água

Por Daniel Rocha

“Existe mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia, como também muitos entre as florestas e os rios do extremo sul da Bahia”. Conta seu Natalino A. Santos que gosta de lembrar que no prelúdio da década de 1960, quando morava na Vila Marinha, hoje povoado do município de Teixeira de Freitas, ele e o irmão vinham diariamente ao povoado teixeirense, através do rio Itanhém,  vender na feira do próspero povoado produtos agrícolas produzidos na roça do pai, como farinha e mandioca.

Narram que para chegar até o povoado tinham que navegar por horas em canoas guiadas por canoeiros até onde hoje se localiza a ponte sobre o rio na BR-101, a viagem por dentro da mata fechada oferecia perigos comuns na época como o risco de ataque de animais selvagens e aparições de seres sobrenaturais.

Em tom de suspense recorda que “para piorar a situação os espíritos da selva atacavam os mais desinformados”, por isso desde criança se aprendia com os adultos que ao vê um homem no meio das águas, sentado ou a chamar para o centro do rio, todos deveriam fugir imediatamente do local pois se tratava do temido Caboclo-d’Água . Sobre essa lenda destaca o senhor Natalino:

“Caboco d’Água é igual o Caboco da mata, acontecia do inocente entrar na água ,no raso, e do nada aparecia um homem em pé no meio do rio, ele achava que o desconhecido estava no raso então ia atraído, chegando lá morria afogado ou sugado pelas correntezas do escaldante Itanhém.”

Ainda de acordo com o narrador deste causo o elevado índice de afogamento que vem sendo registrados na cidade nos últimos anos,2012 e 2013, sobretudo de crianças, está relacionado à falta de malícia e conhecimento da lenda por parte dos pais e das crianças, destacando.

“Quando eu era criança na Vila Marinha, meu pai já contava pra gente tomar cuidado, não ficar muito no rio devido estas aparições. Ele também contava que ao navegar pelo Itanhém durante a noite se deparava com vozes e batuques de origem desconhecida dentre as matas.”

Ainda de acordo com o contador de causos, outro morador da cidade que tem o apelido de ”Cheirinho”, costuma contar que certa vez, enquanto pescava no rio Itanhém em Teixeira de Freitas, viu o lendário sentado sobre as águas deslizando sobre as correntes do rio “como se fosse uma folha… Só de calça de tecido comum, sem camisa e com um chapéu de palha”.

Diante da aparição do Caboclo-D’água, um de seus amigos de pescaria, encantado pelo lendário aquático, quase foi levado para o fundo do rio, pois mesmo alertado para não seguir o chamado, ficou hipnotizado e sem ação diante da epifania.

Livre do encantamento “Cheirinho” conseguiu acordar o amigo a tempo. “Se ele tivesse sido encantado também o caboclo levaria mais um. É assim único jeito da pessoa se salvar, os medrosos acordando os corajosos.”

Causo narrado pelo Senhor Natalino A. Santos em 22/05/2012

Imagem: meramente ilustrativa

*Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

Curso de corte e costura

 

Com o crescimento do povoado de Teixeira de Freitas, na década de 1960 , a comunidade em alguns aspectos sofreu transformações, como por exemplo, abertura de novos postos do trabalho e mudança no papel desempenhando pela mulher.

Recorda Maria Gomes, aluna do curso de corte e costura do Instituto Visconde de Mauá, o primeiro do povoado em 1968, que a oferta do curso foi uma grande novidade para as garotas da época. As aulas eram ministradas em um barracão improvisado na Praça dos Leões, onde também eram realizadas as missas da igreja São Pedro que estava em reforma.

De acordo o diploma da ex-aluna o curso era uma iniciativa do Instituto Industrial Visconde de Mauá, da capital Salvador. O conteúdo expresso pelo documento informa que a formatura ocorreu no dia 24/04/1969.

As aulas foram ministradas por uma moradora da cidade a senhora “Gilca de Deusdete”. Lembra Maria que a maioria das alunas estava noivas ou em idade de casamento. O curso era visto como mais uma prenda preciosa altamente prezada pelos pretendentes, com ele a mulher poderia trabalhar em casa e ajudar nas despesas.

Conforme suas memórias, Maria diz que a mulher tinha pouca liberdade e mesmo comprometida não podia  sair muito com um noivo, “só voltinhas pela praça, ir ao cinema e à igreja”.

A vigilância da família era constante. A obediência ao pai era transferida ao marido depois do casamento. Após concluir o curso, Maria casou se com o namorado, hoje separada não exerce a profissão de costureira.

Outra moradora, Nelzuita Conceição, em entrevista ao trabalho monográfico de Ferreira (2010), esclarece que também foi aluna deste curso, não concluiu porque o casamento estava demorando de ocorrer.

O pai havia comprado uma máquina de costura no Rio de Janeiro para a filha aprender costurar, só que o noivo tinha pressa, então o patriarca pediu que deixasse  o curso.

Diferentemente do que se imagina, nem todas as moças tinham o privilégio de ser mantidas pelo pai até o casamento. Em alguns casos, ainda solteira a mulher trabalhava para ajudar a família, como relata Izabel Rodrigues que em 1960, trabalhou como passadeira para a uma senhora que era a lavanderia do dormitório da serraria “Eliosippio Cunha”:

“Eu consegui trabalho com uma mulher que lavava roupa para o dormitório da  empresa Eliosippio Cunha, ela lavava e eu passava com o ferro de brasa, tinha dia que vinha 80 lençóis eu passava  todos, eu ganhava cinco mil réis. Neste alojamento quando tinha pouco homem era 50 todos vinham de fora para extrair madeira.”

O mercado de trabalho para mulher estava relacionado aos afazeres domésticos, como passar, lavar, cuidar, e ensinar. É importante ressaltar a existência de pequenas exceções, temos como exemplo, Creusa Medeiros Nascimento, a primeira telefonista da cidade.

Referencias e Bibliografia

DEL PRIORE, Mary. História do amor no Brasil. 2ª ed. – São Paulo: Contexto, 2005.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

FERREIRA, Susana Teodoro. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. UNEB, Campus X, Teixeira de Freitas- BA, 2010.

ROCHA. Daniel; OLIVEIRA. Danilo. Cinema – Contribuições no Processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. UNEB – Campus X, Teixeira de Freitas-BA.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

O comércio em Teixeira de Freitas

Por Daniel Rocha*

A cidade de Teixeira de Freitas não surgiu por obra do acaso. Nasceu, sim, de uma série de transformações na política do estado, do país e das rotas de comerciais que tanto favoreceram a posição central da cidade. Quais são os principais fatos que contribuíram para o crescimento do comércio em  Teixeira de Freitas  maior cidade do extremo sul da Bahia?

Até 1950 o extremo sul  ,da cidade do  Prado a cidade de  Mucuri , negociava mais com os estados do sudeste do que com qualquer outra cidade baiana. Em 25 de dezembro de 1947  após viagem de reconhecimento da região o deputado Ramiro Herbert de Castro relatou, em  carta, essa situação  para o então governador da Bahia Otávio Mangabeira:

“Infelizmente, quando se fala na zona do extremo sul do nosso estado, pensa se logo em uma faixa litorânea, cujas condições econômicas – sociais se encontram pouco além daquelas da era do descobrimento. De fato esta é a primeira impressão do visitante apressado. É de estarrecer, porém, afirma – se que a grande atividade econômica nesses municípios, que se expandem a trinta, quarenta, e até cinquenta léguas, no sentido das regiões progressistas das lindas mineiras, é exercida, sobretudo, por mineiros ali localizados.”

Porém não se reduzia apenas a isso, o extremo sul era uma extensão da cidade mineira quando o assunto era comércio. Para melhor entender vamos analisar o papel central da fazenda Cascata no interior no município de Alcobaça,  que no presente pertence o município de Teixeira de Freitas.

Neste período de 1930 a 1950, a fazenda destacava como um importante interposto comercial para as pequenas fazendas vizinhas, fato que é lembrado até hoje por antigos moradores da região, como o senhor Isidro Alves do Nascimento.

De acordo com o velho morador  a fazenda Cascata ocupava uma posição central  porque ofertava meios para escoamento e abastecimento das população dos arredores, que apesar da fartura de produtos naturais, necessitavam também dos industrializados.

Na Cascata havia além da farinheira, a casa do proprietário Joaquim Muniz e outra mais distante próxima ao rio Itanhém. Também  uma venda onde era possível adquirir  os produtos industrializados, uma espécie de mercearia que vendia de tudo.

Conta Isidrio Alves que o proprietário Joaquim Muniz adquiria os produtos produzidos nas roças e vendia em Alcobaça.  Na venda os moradores compravam produtos diversos, “tudo no caderninho, no fiado para quem não podia pagar no momento” um grande favor que o torna grato até hoje:

“Na venda tinha açúcar, óleo, querosene, sabão, sal, aí o povo comprava. O proprietário Quincas Neto  também emprestava canoa para quem preferia ir vender suas safras na Alcobaça, lá os comerciantes ficavam no porto esperando para comprar.”

Segundo Evandro Virgulino ,71 anos,  a fazenda Itaitinga, onde morou quando criança com a família  na zona rural de  Alcobaça, foi uma grande produtora de farinha. Recorda que toda produção era  destinada  ao comércio da  rua do Porto em Caravelas.

Lá mesmo em Caravelas gastava a renda, comprando produtos vindos de Minas como açúcar, tecidos, e a carne Jabá. Destaca que o lucro com a venda da farinha era pequeno, “fica tudo no armazém, quem ganhava mesmo era os comerciantes que compravam a farinha para vender a de Minas Gerais.”

A cidade Mineira de Nanuque por sua vez, era abastecida pelas únicas transportadoras atuantes naquela parte do estado a Renato e Ramos que cobrava uma taxa altíssima para alimentar o comércio da maior cidade do extremo nordeste de Minas.

Através da estrada de ferro Bahia – Minas  os comerciantes mineiros compravam e vendiam no mercado de Caravelas que também abastecia as vizinhas, por conta disto as cidades baianas pagavam um preço altíssimo por produtos como açúcar, querosene, e a carne jabá. Suponho, apenas, que o preço ficava ainda mais abusivo no balcão das vendas do interior  como a da fazenda Cascata.

O comércio então era dominado pelos mineiros pelo fato de que não havia outra rota de escoamento pelo norte em direção a capital Salvador, como observou o deputado no final da carta escrita ao governador, explicando as razões desta dependência da cidade Mineira:

(…) Tudo isso governador, tem uma explicação simples.A faixa litorânea daqueles municípios baianos, até 12 léguas de fundo, está em completo atraso, sendo suas povoações sujeitas á vida primitiva da exploração de culturas pouco rendosas e da pesca, padecendo horrivelmente da carência de qualquer espécie de transporte, não só entre as sedes das comunas, mas também para o interior e a capital de estado.”( Koopmans, 2005. pg 36).

Essa dependência comercial  também foi observada por Matias Arrudão,  jornalista do jornal  O estado de São Paulo, em 1945, durante passagem pela cidade de Caravelas em 1945 quando  avião em que  voava  pousou para ajustes no aeroporto da cidade.

“Caravelas não têm grande expressão urbana. E toda via um porto de certo movimento,por onde e escoa os artigos produzidos pelo extremo sul da Bahia e oeste de minas, zona de Teófilo Otoni, A.E.F, Bahia-Minas, parte de Caravelas e comunica – se com o Jequitinhonha, em “Arassuae”, num percurso de mais de quinhentos quilômetros em dois dias de viagem.” (ESTADO DE SÃO PAULO, 1945).

Segundo Koopmans (2005) a partir da década de 50, iniciou se a construção de uma estrutura que mais tarde tomaria conta da região. No próximo texto da série  vamos analisar como o fim da Bahia – Minas e a abertura das primeiras estradas, mudaram as rotas de comércio influenciando o surgimento e crescimento do Comercinho dos Pretos, que mais tarde originou o povoado de Tira-banha e Teixeira de Freitas. (Ferreira, 2010).

 

 Atualizado 05/05/15

Referências:

KOOPMANS. Padre JoséAlém do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

MELLO, João Manuel Cardoso; NOVAIS, Fernando A. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna: Companhia das Letras.SAID, Fabio Medeiros. História de Alcobaça – Bahia (1772-1958). São Paulo.

www.fazendacascata.com.br/site/a-fazenda/

FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus- x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

Arrudão. Matias. A boa Terra. O estado de S. Paulo, 16/02/1945. Página 03.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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Memória estudantil – Escola Anísio Teixeira / AABB Part 03

 

Por Daniel Rocha

Após deixar o antigo endereço ,no bairro Bela Vista,  hoje escola Cooperativa, deu-se início do ano letivo de 1992  na rede estadual de ensino  e desta forma  na escola Anísio Teixeira ,  no antigo prédio da Associação Atlética Banco do Brasil, AABB, um espaço inadequado para os alunos.

Tal situação fez com que os estudantes das escolas próximas  tirassem sarro da situação precária ao qual havia sido colocados os alunos  criando denominações depreciativas  para os alunos, rebatidas com a mesma criatividade pelos meninos do Anísio Teixeira.

 Na nova escola, a primeira providencia dos alunos foi rebater a denominação dada à escola pelos estudantes dos colégios vizinhos, Ângelo Magalhães e Rômulo Galvão que apelidaram a escola de AABB – Associação de Bestas e Burros.

Assim para rebater as gozações criou-se uma leitura para as siglas  CEPROG – Centro Educacional Professor Rômulo Galvão,   que na interpretação dos alunos se tornou  CEPROG –  Crescendo Para Roubar Galinhas.

Portanto, quando um aluno do CEPROG falava “olha os bestas e burros” respondia-se “olha os ladrões de galinhas”. Além destas gozações foi criada uma para cada escola, só que vou ficar devendo porque me falha a memória.

Na escola a situação seguia caótica, buracos nas salas de aula gerava quedas e risadas, hora ou outra a diretora Conceição entrava na sala para falar do absurdo em que havíamos sido colocados.

A professora de mesmo nome era muito alegre e sorridente ria de tudo, principalmente, das brincadeiras dos alunos, uma em especial, o medo que as crianças tinham de ir ao banheiro e deparar com a lendária mulher do algodão. No recreio quem entrava ficava preso, porque sempre tinha alguém para segurar a porta.

O fato sobrenatural havia ganhado verossimilhança depois que o Jornal do Meio Dia da rádio local tinha noticiado o caso que assombrava as escolas da cidade. O Jornal do Meio Dia da  Caraípe FM (100.5) alcançava uma audiência espantosa. Mesmo quem não possuía rádio ouvia o do vizinho tamanho era o volume que se usava na época.

Já as meninas não ficavam apenas envolvidas com os fenômenos sobrenaturais muitas  se dedicavam a expressar sua admiração pelos meninos da 5ª série, algumas mais assanhadas  entregavam declarações feitas em papéis de carta para os amados de 15 anos de idade completos.

Na sala de aula alguns apelidos provocava brigas no recreio ou na saída, porém no final das contas todo o mundo tinha um, então, não passava de  motivos de risadas constantes. A ofensa maior, recordo, era ter o nome da mãe sendo caluniado ou algum apelido referente a ela, então quando se queria ofender verdadeiramente alguém bastava dizer algo do tipo ”a sua mãe aquela  alguma coisa….” ou apontava se algum defeito na fisionomia, era porrada na certa.

No banheiro a literatura registrada nas paredes era os palavrões, dentre os mais citados, fulano é viado ou  etc… Diante deste perturbador fenômeno uma professora (sei que deveria citar o nome mais neste caso prefiro não) resolveu liberar o linguajar “buceta”, pois, segundo ela, não havia mal nenhum em falar este nome porque o órgão sexual feminino tinha outro, foi uma graça chamar os alunos de outra sala e mostra que na 3º terceira série era permitido falar aquele nome em frente à a professora, claro que não demorou ela rever a permissão.

Politicamente o Brasil estava mal e economicamente também, não era difícil um aluno passar mal na escola e sair o comentário que tinha saído de casa sem comer, o caso dele relata a realidade de muitos alunos da época.

As manifestações pedindo a  saída do presidente Collor do poder foi o assunto do dia na escola, alguns usavam uma camisas com o desenho do Baby do seriado do momento, Família Dinossauro, com os dizeres “não quero Collor” um trocadilho bem engraçado.

Em 1992, ano olímpico o chicle da moda era o das Olimpíadas do Pateta que disputava a tapa com o Ping Pong a atenção da molecada. As figurinhas numeradas funcionavam como moeda de troca por lanches ou qualquer outra coisa, como por exemplo, beijinhos no rosto quando o interesse era das meninas.

O filme  mais comentado sem dúvida foi  Batman, o retorno. A criançada ficava a catar nos trailers da cidade as tampinhas do refrigerante Pepsi para trocar por um pôster do filme na distribuidora Brahma,  que ficava onde hoje funciona a secretaria municipal de Assistência Social da cidade.

Além da ampla divulgação da mídia (com direito a uma reportagem longa sobre a produção do filme no programa dominical Fantástico, um carro de som rodava as ruas anunciando que já estava em exibição no Cine Brasil, o filme mais esperado do ano, quem se dirigia ao cinema noticiava as filas e a disputa ferrenha por bilhetes nas matinês.

Com toda dificuldade estudar na escola Anísio Teixeira era muito bom, pois, o espaço da antiga AABB improvisado não tinha muros e isso fazia da escola um lugar diferente de qualquer outro. Hoje, quando ando pelas ruas da cidade ou procuro um serviço de alguma instituição pública ou privada, encontro os antigos  colegas, que fazem questão de recordar os bons momentos vividos na escola improvisada.

Daniel Rocha

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.