Arquivo da categoria: Causos

O causo da mãe de pega

Por Daniel Rocha*

No início dos anos oitenta, relata o senhor Júlio Elias que a falecida esposa conhecida como Mocinha “quebrava o galho de muita mulher barriguda que não tinha onde ganhar neném”.

Boa parteira além de “agarrar menino ” indicava os melhores remédios caseiros “feito com folhas”. Um dia na cidade de Teixeira de Freitas , conta ele, uma mulher a procurou desesperada para ganhar o bebê pois , sem convênio com o INANPS -Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, não tinha como ganhar nos hospitais da cidade.

Não era do seu feitio negar ajuda, por isso fez o parto da mulher que mais tarde migrou para o estado de São Paulo com a filha saudável. Ele, o Sr. Júlio, e a esposa Mocinha voltaram para a propriedade rural do município de Alcobaça para passar uns tempos.

Anos depois, na casa da roça, chegou a grata mulher com a filha procurando a parteira dona Mocinha. Após os cumprimentos a visitante explicou que a filha desde que entrou na escola vinha apresentando problemas de cabeça.

“Tinha inteligência mas não guardava nada na mente. Os médicos não tinham ciência para curar”. 
Seguidora de uma religião de matriz africana, a mãe procurou um terreiro em São Paulo, lá ouviu dos “guias” que a única pessoa que poderia dar o livramento à filha era a mãe. 
Como não entendeu a mensagem do orixá, procurou outro terreiro e ouviu a mesma coisa. Sem solução para o problema, foi em busca de outro pai de santo que encontrou “um guia” esclarecedor da dúvida:

– “É a mãe de pega, a primeira a botar a mão “enriba” dela, por aqui ninguém cura”.

Esclareceu o ser espiritual que à “mãe de pega” era a parteira que tinha pegado ela quando nasceu. Diante da afirmação percebeu então que a culpa não era dos outros orixás e sim “dos ouvidos que estavam tapados.”

De volta a Teixeira de Freitas procurou saber, pelos vizinhos o novo endereço do casal e assim que obteve embarcou no ônibus em direção ao local. Quando chegou foi recebida com muito carinho e emoção. Depois Dona Mocinha ouviu atentamente os motivos da visita da estimada amiga. 

– Minha mulher até brincou com ela…

Disse que “tinha virado crente” mas depois desmentiu sorrindo.

Os guias orientaram que o remédio para cura do mal estava em um líquido orgânico do próprio corpo da menina.

Conta que anos depois, Dona Mocinha recebeu uma carta que comunicava à cura da filha de pega, com agradecimentos dirigidos aos guias e a ela.

 Pensar a memória afro-brasileira é pensar a memória, que não é valorizada como parte da história local. Registrar é o primeiro passo para dar visibilidade ao que estar silenciado nas páginas dos jornais, livros e revistas locais.

Causos Narrado por Júlio Elias em 2012.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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A Praça da Bíblia

Por Daniel Rocha

A Praça da Bíblia, antes denominada Independência, foi urbanizada e inaugurada em abril de 1995. Na década de 1980 serviu de lugar para comícios, gincanas e eventos populares e  desde sempre foi um espaço de convivência e recreação para os moradores e visitantes.

O local também foi lugar de comércio devido à proximidade com o terminal rodoviário, hoje conhecida como “Rodoviária Velha”, onde diversos camelôs vendiam suas mercadorias. O serviço de frete era prestado por caminhões e carros pequenos, por isso era uma presença constante na paisagem. Durante meados da década de 1980 e início da década de 1990, a praça foi palco para as gincanas realizadas durante a  festa de aniversário da cidade onde diversas tarefas eram realizadas ao ar livre durante o dia e a noite

Segundo Tomires Monteiro, em entrevista a TV Sul Bahia  em maio 2013, as gincanas eram significativas porque buscava através de atividades culturais e esportivas valorizar aspectos da história e cultura do município.

Durante a festa as equipes, Equipicaço, Makakreó, Equipiraça, Equipapel, Junso, Furacão 2000, Ekipe gol  e outras, enfrentavam os desafios das tarefas relâmpago de curta duração e os tarefões de longa duração. As equipes contavam com 300 a 400 membros aproximadamente. De acordo o informativo sobre a festa do ano de 1990, Shopping News, havia também a eleição da Garota Gincareta e a entrega da chave da cidade.

Outro evento permanece vivo na memória de alguns moradores, trata se de estudo Bíblico regional. De acordo com Nilda Oliveira, Osvaldo Souza e Natalino Almeida, em uma conversa informal em 2012, o nome Praça da Bíblia  e uma homenagem prestada aos dias 11 e 13 dezembro 1986, quando foi realizado um encontro de igrejas evangélicas do extremo sul da Bahia na cidade para uma maratona de  72 hs de estudo bíblico.

A senhora Nilda Oliveira, por exemplo, lembra que no dia do evento foi montado um grande palco para receber os líderes regionais, houve apresentações diversas como bandas e corais dos jovens evangélicos e cantoras de diversas partes da região.

No entanto não tive acesso a nenhum registro escrito ou fotográfico sobre o evento. Para afirmar com maior propriedade se o nome foi ou não escolhido em homenagem o evento e necessário uma pesquisa melhor sobre este assunto. Aqui faço apenas uma suposição tendo como base conversas informais sobre  a praça.

Depois da urbanização em 1994 a população recebeu a praça com alegria e a transformou de acordo seus anseios. Por exemplo, o corredor onde fica hoje a praça de alimentação era um passeio aberto que depois a pedido dos patinadores foi transformada em pista  de patinação, febre no ano de 1995 e 1996. No início da década de 2000  a área  foi transformada em praça de alimentação.

Como mostra uma das fotos que ilustra o texto, era comum a criançada brincando na praça e no parquinho que contava com, escorregadores e balanços.   No palco da praça, que hoje serve a apresentações culturais e manifestações populares,  há uma placa destacando amplamente a forte pasceria do governo municipal e estadual com uma empresa de celulose “em homenagem e gratidão ao povo de Teixeira”.

A coparticipação da empresa na construção do espaço público faz lembrar a denúncia feita por Koopmans no Livro, Muito além do Eucalipto, de que na primeira metade do século passado as prefeituras da região, desassistidas pelo poder público, quando precisavam de apoio encontravam facilmente nos braços do empresariado local:

“A ausência e a omissão do estado nos setores públicos, como saúde, educação, etc., faz com que as pessoas comecem a sentir falto dos direitos constitucionalmente garantidos e transfere esse seu sonho justo, para aquele que, não somente captou este sonho do povo, mas também fomenta o mesmo através de sua propaganda. A propaganda das empresas e o sonho justo de um povo esquecido e roubado dos seus direitos principais de ter uma vida digna”. (Koopmans, 2005 p. 65).

Segundo  Maria Dercilia , sobrinha do pioneiro Manoel de Etelvina, que ficou conhecido como o Tira-Banha, o local na década de 1950, servia de passagem para as roças de mandioca de seu tio. É  de se estranhar que na praça nenhuma placa lembre os pioneiros, as gincanas, festas da cidade e o evento Bíblico de 1986.

 Referencias.

LEMBRANÇAS DE TEIXEIRA .SBN Meio Dia. Teixeira de Freitas: TV Sul Bahia. 13 de Agosto de 2013. Telejornal.

Shopping News. Aniversario da cidade 1985-1990.Teixeira de Freitas BA.

KOOPMANS. Padre JoséAlém do Eucalipto: O papel do Extremo Sul. 2005.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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O cine Horizonte

Por Daniel Rocha*

A segunda sala de cinema de Teixeira de Freitas, o Cine Horizonte, foi inaugurada no ano de 1974 e funcionou até o ano de 1994. A sala de cinema ficou marcada pelas exibições de filmes picantes produzidos na região da capital paulista que ficou conhecida como a Boca do Lixo por produzir filmes com excesso de nudez e sexo.

Como a pornografia não era tão evoluída na época  provavelmente  esse tipo de filme  atraia a curiosidade da rapaziada e  a raiva de alguns conservadores.

Um bom exemplo e o filme A dama da lotação, que por ter um cartaz ousado despertou o repúdio dos conservadores da época quando  foi exposto na entrada do cinema teixeirense,  sobre isso recordou o proprietário Landoaldo Gonçalves que os cartazes picantes vendiam bem o filme.

“Quando colocávamos o cartaz ficavam muitos a dizer, este é bom”.

Mas não eram apenas os filmes da boca que faziam sucesso, os filmes de faroeste e o Kong fú, febre dos anos, 1970,1980, também atraia grande parte da audiência. Tal como o primeiro cinema da cidade, o cine Elisabete, o espaço era alugado para realização de outros eventos, como shows de calouros e festivais de músicas, muitos transmitidos pela rádio local Difusora e Alvorada AM.

Segundo Landoaldo à chegada do vídeo cassete e a popularização da TV contribuíram para o fim do Cine Horizonte. Ao longo dos anos de 1990 a queda de preços e o fácil acesso ao aparelho, fez com que o público se afastar do cinema e conseqüentemente provocar a falência da sala.

Em 1994, um carro de som anunciou a exibição do longa-metragem do anime Cavaleiros do Zodíaco, depois deste nunca mais se ouviu falar de exibições na cidade, que só voltou a viver a magia do cinema em 1996, com a inauguração do Cine Teixeira, que até hoje reina na cidade.

Causos e lembranças

Lembrar o cine horizonte é muito divertido pois há sempre uma anedota em torno dos filmes picantes exibidos, os antigos frequentadores se divertem ao contar histórias engraçadas de uma época em que o conservadorismo e a coesão social exerciam uma forte influência sobre o comportamento das pessoas.

Recorda os frequentadores, não vou revelar o nome, que diversos garotos saíam das seções de filmes picantes excitados com tanta nudez exposta na tela. Outros lembram que vestiam roupas de adultos e disfarçavam bigodes para enganar a idade e passar pela rigorosa bilheteria que não permitia entrada de crianças.

Referência

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. (click e leia)

Foto: Ilustrativa.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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Os nomes que a cidade de Teixeira de Freitas já teve

Por Daniel Rocha*

No romance Tieta do Agreste (1977), de Jorge Amado, o narrador faz muitas observações acerca da cultura popular, como:  “os nomes dados por autoridades , escritos em placas de metal confeccionadas em oficinas especializadas na cidade, não resistem às placas de madeira confeccionadas por mãos artesanais e anônimas. Mão do povo”.

Ao que parece o mesmo ocorreu  em Teixeira de Freitas, BA, onde as denominações oficiais historicamente foram substituídas por nomes populares dado pelo próprio povo.  De acordo o IBGE, em 14 de fevereiro de 1957, o povoado de São José do Rio Itanhém foi batizado com o nome de Teixeira de Freitas em homenagem ao ilustre baiano pai da estatística Brasileira, através do Ofício de nº 91, de 14 de fevereiro de 1957.

O documento oficial  um dos únicos ,até então conhecidos, que prova que existiu outra denominação antes do oficial no povoado que mais tarde, ao emancipar, manteve a homenagem ao ilustre baiano Teixeira de Freitas. Destacou José Esteves Ribeiro Neto:

“Em 1957, o então chefe da agência de estatística de Alcobaça, oficialmente solicitou a prefeitura e a câmara daquele município uma homenagem póstuma ao imortal baiano Teixeira de Freitas, dando-lhe o seu nome ao povoado de São José de Itanhém, o que foi bem aceito pelo, então, prefeito municipal”.

O batismo oficial não impediu que a cidade recebesse  alcunhas e apelidos dados pelos populares, falo isso com base nas falas de antigos moradores descritas em documentos e publicações  que serão citados a seguir.

Miguel Geraldo Farias Pires  em um compilação  histórica feita  por ele no ano  1986,  publicada na edição especial do jornal Alerta  de  maio de 2013 diz que:

“Devido a bifurcação das estradas de rodagem de Alcobaça e Água Fria, atualmente Medeiros Neto, e do povoado de São José de Itanhém até o porto de Santa Luzia, no município de Nova Viçosa – sendo esta última de propriedade da firma de madeira “Eleozibio Cunha” , o povoado de São José do Itanhém era conhecido como Perna Aberta”.

Em entrevista a revista  Origens, Teixeira de Freitas, em 1985, o senhor Servídio do Nascimento ( em  memória) recordou que além de tantos outros o município também foi  por muito tempo chamado  de   “Arripiado” ,  assim chamado por haver muita discussão e bate boca no pequeno comércio.

Recorda também o senhor Nascimento que  o primeiro comerciante do povoado, Chico D´água, ao construir  no lugar uma barraca para vender aos motoristas que passavam pela estrada da “Eliosippio Cunha”, plantou uma grande roça de  mandioca onde hoje está o centro da cidade, por isso o lugar foi apelidado  pelos madeireiros e passantes de Mandiocal.

No trabalho monográfico, A vida privada dos Negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas, na década de 1960,  Susana Ferreira evidencia que o povoado foi por um período conhecido como o Comércio dos Pretos:

“Tão logo foi aberto o caminho de terra pela empresa mineira “Elecunha”, de “Eleosippo Cunha”, mudaram se para o lugar, chamado na época de Mandiocal, os negros Francisco Silva e Manoel de Etelvina – este abriria um boteco, tornando o comerciante pioneiro. Assim iniciava o “comércio” mais tarde denominado de “Comércio dos Pretos”.

Recordou Isael de Freitas Correa (em memória) em entrevista no ano de 2009, que  “o povoado mudou de “Ripiado”, Arrepiado, para Tira-Banha, porque deram uma facada em Manoel de Etelvina, comerciante pioneiro, gordo e barrigudo”. Reza a lenda que a facada tirou a banha do pioneiro.

Como Teixeira cresceu na divisa dos municípios de Alcobaça e Caravelas, não se pode deixar de falar da parte Caravelense do povoado  a Vila Vargas, que surge com a exploração da madeira ao sul das primeiras estradas de rodagem, hoje conhecida como AV. Marachal Castelo Branco.

Benedito Ralile revela que  “a formação do povoado se deu na era Vargas, (ditadura por isso esta homenagem em detrimento ao presidente Getúlio Vargas, década de 1950)”.

E importante ressaltar que os nomes oficiais não são escolhidos pelos moradores, a denominação popular sim, tem um sentido, informa e caracteriza o lugar de acordo a sua identidade e cultura,

a  oficial não tem outra função a não ser homenagear uma figura importante da história do país e do estado.

Ao batizar o povoado com o nome de Teixeira de Freitas, as autoridades tiraram da cidade um nome coerente com sua história e cultura, como expressava o significado  dos apelidos , Comércio dos Pretos, Mandiocal, São José do Rio Itanhém.

Ainda hoje se escuta por aí alguns toponímicos como Teixeira das Tretas, Texas City,  Praças dos Leões, que oficialmente e a Castro Alves, o Bairro Wilson Brito, popularmente Buraquinho. Nomes ditos e escritos pela mão do povo.

Referencias.

RALILLE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de.; SOUZA, Scheila Franca de.

Relatos históricos de Caravelas: (desde o século XVI). Caravelas, BA: Fundação Professor  Benedito Ralille, 2006.

JORNAL ALERTA. Teixeira de Freitas: (Gráfica Jornal Alerta, Ano XII N° 779ª,

maio, 2007). Edição especial de aniversário de 22 anos de Teixeira de Freitas.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Uneb campus- x. Teixeira de Freitas BA, 2010.

http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Foto: Lateral da prefeitura municipal 1985.Jornal Alerta 2013.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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O Cine Elizabete

Por Daniel Rocha*

O primeiro cinema de Teixeira de Freitas-BA foi o Cine Elizabete que chegou no ano de 1964, quando a cidade ainda era um povoado. Segundo o proprietário, senhor José Militão Guerra (in memoriam), em entrevista cedida ao trabalho monográfico: O cinema e o imaginário popular na cidade de Teixeira de Freitas na década de 1960 a 1980, a sala funcionou de 1966 a 1970 no local onde hoje está a loja de calçados Boroto, em frente à rodoviária velha.

Guerra informou durante a entrevista: “Demorou alguns anos para popularizar o cinema em Teixeira, depois que ficou famoso, trouxe mudanças e empolgação ao povo, tanto que só faltavam derrubarem o portão, todos das roças vizinhas vinham prestigiar. O cinema era grande, o dobro do cinema do shopping”.

Aos poucos o cinema tornou-se o maior espaço de lazer da cidade, sendo também aberto às apresentações variadas como festas, shows e eventos locais. Segundo a frequentadora Marli Araújo ir ao cinema era uma ocasião especial, momento de sair de casa junto aos irmãos mais velhos ou com os rapazes de confiança da família, por isso, todos se arrumavam graciosamente para o momento.

Diversos clássicos marcaram presença na tela do Cine Elisabete, os mais lembrados sem sombra de dúvida são os Bangs – Bangs  e os filmes do Kung- Fu, que atraiam milhares de pessoas para ver as artimanhas dos heróis chineses. Com base em relatos de alguns frequentadores ouvidos pelo site, ir ao cinema era uma atração que exigia as melhores roupas.

As turminhas de rapazes e moças combinavam antes na escola e depois de pedir permissão aos pais, seguiam com o grupo e assim voltavam. Geralmente,  as meninas tinham a companhia de um irmão mais velho por perto, para evitar lances ousados por parte de outros garotos.

Já para a molecada as matinês eram pura diversão, podia-se usar qualquer roupa e chinelos. Na maioria das vezes, os meninos saiam voando pelas ruas ao som dos golpes do Bruce Lee.

Algumas crianças se escondiam entre as poltronas no final da seção para pegar a próxima de graça. Há relatos que algumas crianças subiam em árvores ou em muros para visualizar pela entrada de ar do cinema filmes, mas ninguém foi encontrado para confirmar este fato.

Referencia.

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980. (clik e leia)

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010.

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Histórias de Teixeira de Freitas: Bar Garota da Avenida

 

Por (Daniel Rocha) 

O prédio da antiga Prefeitura  já era uma referência para os moradores da cidade de Teixeira de Freitas, BA, antes da emancipação política em 1984, pois lá funcionou por muito tempo alguns dos melhores bares da cidade.

Entre os mais lembrados estão  o  “Bar ARUTEF”, “Bar Clube dos Vaqueiros” e “Bar Garota da Avenida” que esteve em atividade durante boa parte da segunda metade da década  de 1980, depois do  processo  de emancipação  da cidade.

Emancipada a administração local começou ocupar o local aos poucos, “primeiro a parte de cima e só depois todo o prédio”.

Nesse contexto, segundo  recordações da moradora Lília do Carmo,  funcionava na parte de baixo do local o Bar “Garota da Avenida” onde  vivenciou os melhores momentos da juventude ao lado da amiga Marlene que era funcionária do lugar que para ela  e outros amigos   era sinônimo de alegria e diversão.

  1. Na parede marcas do processo de emancipação.

Sobre,  lembra que ela, loira, e a amiga, morena, divertiam-se muito com as cantadas e pedidos de namoro dos frequentadores do Bar, “na década de oitenta os homens eram mais atrevidos e não economizavam investidas”.

Narra também  que  no local  qualquer pessoa podia sentar-se para tomar um refrigerante, uma cerveja ou uma bebida mais cara, tipo  Whisky, que sempre vinha acompanhado de um bom petisco. Popular no espaço  não  havia sexismo,discriminação fundamentada no sexo.

Recorda a saudosa frequentadora que as canções da  trilha sonora da novela global  “A gata Comeu” (1985)  eram as mais ouvidas e pedidas pela moçada no Bar e que músicas tema como “Só para o vento” – Rithie e “Seu nome” – Biafra, foram essenciais para o desenrolar de causos e amores inesquecíveis.
Tanto que, como em todo e qualquer bar,  os acontecimentos do cotidiano transformam-se em saborosos causos contados a exaustão entre  risos e gargalhadas. Narrou:

– Certo dia um cara muito ousado chegou ao Bar e pediu um Whisky, como era a minha amiga Marlene que estava no balcão  ela saiu para atender ao pedido servindo cuidadosamente a bebida.Quando virou-se o cara puxou-lhe o braço e falou para quem quisesse ouvir: “Além da bebida servem você?”

Ela pediu para ele ficar até o final do expediente. Quando o horário marcado chegou, ela saiu com uma arma e encostou no rosto dele dizendo: “Da  próxima vez vou servir uma bala no seu peito”. Exigindo mais respeito.

Daniel Rocha da Silva*

Historiador graduado  e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com

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O causo do vinho em Helvécia

Foto: Memorial da Câmara.

Histórias da fazenda Cascata

Por Daniel Rocha*

Conta um morador antigo da Fazenda Cascata que naquele lugar aconteceu algo que marcou a família dos antepassados  de Quincas Neto, todos os filhos que não eram batizados com o nome do santo de devoção, São José, morriam ao nascer.

O  primeiro filho do proprietário não vingou, morreu após o nascimento. O segundo, Batizado de José Bernardo,  teve boa sorte e sobreviveu às dificuldades, o terceiro também não resistiu e faleceu, já o quarto, José Antônio, assim como o segundo, teve boa sorte e sobreviveu. O quinto filho, uma menina, sobreviveu,  e embora não tivesse recebido um nome de imediato foi testada pela tradição.

Naqueles idos de 1950,  passado meses depois do nascimento da menina, tudo era alegria, contudo logo a felicidade que rodeava os pais seria substituído pela tristeza, a garota passou mal e teve que ser levada da fazenda Cascata para Alcobaça, de canoa, pelas águas do rio Itanhém, para atendimento médico.

Diante da situação extrema e mal súbito, a morte parecia certa e inevitável, acompanhada pela comadre a mãe da garota foi em busca do atendimento com esperança e fé de que com ela seguia Deus e as orações dos outros filhos e da família. Diante do silêncio do rio e do  desce e sobe do remador a comadre acompanhante observou:

– Essa menina ainda não tem nome, ela nasceu no dia de São José porque não a chama de Maria José?

A mãe acatou a sugestão é quando chegaram à cidade de Alcobaça para passar pelo médico a menina já havia melhorado, estava bem de saúde. A mãe então a batizou com o nome sugerido pela comadre. De volta a Cascata o pai, Quincas Neto, a esperava.

Ficou impressionado com o fato de a filha caçula ter sido curada depois que a mãe decidiu a chamar de Maria José. Lembrou-se dos filhos perdidos e os vivos. A emoção fez vibrar dentro da sua alma um sentimento de gratidão a Deus e a São José.

Prometeu então construir a igreja pelas graças alcançadas e no início da obra pediu que cada um dos trabalhadores jogasse as pedras nos alicerces do futuro templo para que assim todos envolvidos  se sentisse parte daquela daquela fé e comunidade. Não apenas construiu a igreja como pediu aos filhos para batizar os futuros descendentes, netos, com o primeiro nome de José. “Por isso na família todo mundo tem o nome de José.”

Este causo foi contado por José Sérgio em frente à igrejinha de São José na Fazenda Cascata. Lugar que ajudou a desenhar a economia e a identidade do próspero município de Teixeira de Freitas nas primeiras décadas do então povoado que em seus primeiros anos de existência foi chamado oficialmente de São José de Itanhém, nome que pode ter contribuído para que o primeiro núcleo vingar como cidade.

                                                                                   

Fontes

Teixeira de Freitas histórico. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/historicos_cidades/historico_conteudo.php?codmun=293135 > Acesso em: 05 de agosto 2013.

Entrevista com Zé Sergio, Maio de 2013.

Daniel Rocha da Silva*

Daniel Rocha da Silva* Historiador graduado e Pós-graduando em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.Contato WhatsApp: ( 73) 99811-8769 e-mail: samuithi@hotmail.com.

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Crédito das Fotos: Acervo Foto Fazenda Cascata.

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Por Daniel Rocha*

Em 15 de novembro de 1984, foi realizado o plebiscito onde os moradores do povoado de Teixeira de Freitas, então dividida pela Avenida Castelo Branco entre os municípios de Caravelas e Alcobaça, escolheram não depender mais das cidades-sede. Um ano e alguns meses depois, 1985, houve a eleição que elegeu Timóteo Alves de Brito como o primeiro prefeito da cidade recém-emancipada.

Segundo a moradora Lília do Carmo,48 anos, no dia da emancipação política da cidade  houve uma grande festa nas principais avenidas e na praça da rodoviária hoje conhecida como  Praça da Bíblia, lembra ainda que a emancipação trouxe  grandes expectativas aos moradores.

“Minha mãe quando chegou da cidade de Candeias para morar cá de início não gostou muito porque a cidade não tinha estrutura, nossa rua , D. Pedro Primeiro no bairro Wilson Brito  mesmo era só o barro, mas como a emancipação era promessa de melhoras  resolveu ficar”.

A expectativa que refere foi criada envolta da realização do plebiscito em 15 de novembro de 1984 onde os moradores do povoado de Teixeira de Freitas optaram pela emancipação. Um ano depois, 1985, foi realizada eleição para a escolha do primeiro prefeito que só assumiria o cargo em 1986. A movimentada eleição deixou eufórica o grande povoado que na época contava com 50 mil habitantes.

De acordo com Jailson C. Pereira Guerra e Leonardo Santos Silva, no trabalho mais completo sobre o assunto O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985),   disputaram a prefeitura os candidatos; Franscitônio Pinto, Vitor Ferreira de Guimarães e o vencedor Timóteo Alves de Brito.

Ainda de acordo com informações do trabalho dos autores, durante a campanha houve discussões acaloradas “ânimos exaltados” e briga entre partidários, 11 mil títulos concedidos irregularmente foram anulados por suspeita de fraude no cartório eleitoral da cidade. Devido a violência e confrontos entre eleitores, tropas federais foram enviadas ao município. Duas mortes relacionada ao processo foram registradas.

O clima de apreensão e violência foi noticiado por um jornal da região e outro do país. De acordo com o jornal, Extremo Sul Agora, de dezembro de 1985. ” Graças às presenças de magistrados das comarcas do extremo sul e à chegada providencial de reforços do Exército Brasileiro, o processo transcorreu num clima de tranquilidade, embora com muito rigorismo, afastando definitivamente as especulações.”

Já o jornal paulista, O estado de São Paulo, de 21 de novembro de 1985 com referência à eleição em Teixeira de Freitas, informou que pós a apuração um recurso do PMDB estava para ser julgado no tribunal superior eleitoral contra decisão do TRE baiano que considerou válidos mais de 11 mil títulos eleitorais anulados pela juíza da Comarca.”

Timóteo Alves de Brito venceu a eleição com 12.660 votos e no dia primeiro de janeiro de 1986 foi empossado prefeito na primeira sessão da câmara realizado no Country Clube Jacarandá, enquanto o povo, na rua,  esperava que o novo prefeito  representasse os interesses das massas mais pobres.

No livro, Os “desbravadores” do Extremo sul da Bahia. História da presença franciscana nessa região -raízes e frutos, observou o Frei Elias que a emancipação não foi  um bom negócio  apenas para Teixeira de Freitas  mas também para a sede Alcobaça.

“Esta emancipação era muito importante, tanto para Teixeira como para Alcobaça. Nos últimos anos, o prefeito residia mais em Teixeira do que no litoral, que ficou quase abandonada, enquanto Teixeira não conseguia desenvolver se livremente.”

O prefeito de Alcobaça Wilson Brito, que administrava a cidade até a posse do primeiro prefeito eleito, disse em entrevista no ano 1985 a revista, As Origens Teixeira de Freitas, que a nova cidade estava fadada a ocupar a posição de capital do extremo sul da Bahia.

Encantado com o potencial agrícola, lembrou que Teixeira de Freitas já nascia como o maior produtor de mamão do mundo e o segundo polo graneleiro do estado.

No presente, 30 anos depois, é triste perceber como um dos alicerces que ergueram a cidade,  agricultura e pecuária , não resistiu à falta de investimentos do estado e a agressividade da monocultura industrial.

Passando de “pau para cavaco”, Lília do Carmo recorda que no primeiro aniversário da cidade  foram realizados eventos culturais, religiosos e uma festa para toda a população teixeirense.

Festa que ainda hoje,mesmo recebendo outras denominações nas últimas décadas como Axé Teixeira, Viva Teixeira, Teixeira folia, nunca deixou de ser chamado pelos moradores de “ festa da cidade” graças a memória das festividades da emancipação ainda muito forte entre todos aqueles que testemunharam o momento mais importante da nossa história política.

Atualizado em 26/03/16

Referencial:

GUERRA, Jaison C. Pereira; SILVA. Leonardo Santos. O processo de emancipação política de Teixeira de Freitas (1972-1985). UNEB 2010.

HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo sul da Bahia – História da presença franciscana nessa região -raízes e frutos Belo Horizonte, 2011.

BANCO DO NORDESTE, As origens. Teixeira de Freitas, Fortaleza – Ceará. P.05-07, Janeiro 1986.

Daniel Rocha*

Historiador, Bacharel em Serviço Social, Pós-Graduado em Educação à Distância (EAD), Cinéfilo e blogueiro criador do blog Tirabanha em 2010. Contato Tirabanha@tirabanha.com.br

 Texto atualizado em 27/09/14

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O Causo do “Nó da mortalha”

Por Daniel Rocha 

A morte de um ente querido, seja na roça ou na cidade, é um acontecimento triste que reuni pessoas. Se hoje visitar um velório rapidamente é uma prática comum, antes o acontecimento unia os vizinhos e moradores próximos em solidariedade à família em longos velórios carregados de observações, rezas e sincretismo. 

Se no passado o fato persuadia a atenção das pessoas da cidade, na zona rural esta tradição era ainda mais forte, mesmo porque nem sempre em condições de tomar a frente de tudo à viúva e entes queridos contavam, na maioria das vezes, com a ajuda dos mais “chegados”. 

Os tais “chegados”, por exemplo, é quem resolvia os detalhes do enterro e os cuidados que merecia o defunto. Afinal uma coisa é certa, o luto é a única coroa que, cedo ou tarde, passa pela cabeça de todos que caminham pela terra, dessa forma era preciso auxiliar para no futuro ser auxiliado. 

Dessa maneira o costume era compartilhado pelos moradores da zona rural aos da zona urbana. Isso porque até o início da década 1990 era quase comum as crianças passarem férias na roça ou em fazendas de parentes nos arredores de Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul da Bahia. 

Na zona rural além de brincar em rios e lagos das propriedades, a meninada ouvia dos moradores mais velhos causos do passado sobre os hábitos e costumes dos moradores das roças, muitas das vezes descrições e narrativas sobre aparições sobrenaturais temidas pelas crianças e adultos. 

Recorda, por exemplo, Lide Silva, 28 anos, que quando era criança costumava visitar os primos e tias na “Roça do Itaitinga” que fica na zona rural de  Alcobaça, município vizinho, onde ouvia dos tios mais velhos casos sobre a rotina e aparições assustadoras. 

Entre os diversos casos narrados que gosta de lembrar um em especial tirou lhe o sono na infância, pois, afirmou, houve quem confirmasse a veracidade do que era dito. O caso em questão rememorado por ela é o do “Nó da mortalha”  que girava em torno do costume da confecção das vestes dos corpos. 

Segundo o causo, uma moradora da dita Roça, Ana Maria, ainda moça foi escolhida pela mãe para ajudar a vizinha que havia enviuvado. A ela coube a missão de preparar a mortalha do defunto. Obediente e prestativa Ana Maria não se furtou do dever atribuído, foi em companhia da irmã a cidade de Teixeira de Freitas  compraram um tecido adequado para confecção da veste e em seguida costurou a roupa deixando no jeito para vestir o defunto para o velório. 

Narra Lide, conforme foi contado, que o velório seguiu noite adentro e Ana Maria com a ajuda de outros vizinhos ainda se envolveu em outra obrigações destinada aos vizinhos, servir o café, receber os parentes, acalmar a viúva e puxar cânticos religiosos. Assim tudo transcorria bem conforme o roteiro, até alguém, um velho das proximidades, observar com espanto algo na veste fúnebre. 

– Passaram costura e deram um nó na mortalha, não pode fazer isso ele vai ficar prejudicado…. 

Sem disposição e tempo suficiente para providenciar outra veste e não dando crédito a crendice popular a observação do velho foi ignorada, o defunto foi enterrado no dia seguinte com a mal avaliada mortalha. 

Por isso durante a noite seguinte ao enterro quem foi fazer uma visita às costureiras? O ser do túmulo que seguiu por semanas perturbando o sono de todos da casa. A alma do falecido só parou de fazer quizumba depois de muita reza forte. Aliás, naquela época havia reza para tudo.